Montero e Delfim, os pegadores de pênaltis que se cruzam na Final da CONMEBOL Sudamericana

Alvaro Montero ataja un penal ante O'Higgins
  • Delfim defendeu três pênaltis do Santos nas Quartas de Final, e Montero pegou o de Luis Pavez na disputa contra o O'Higgins, o primeiro passo do Boca nesta edição.
     
  • O Atlético Mineiro perdeu nos pênaltis a Final de 2025 para o Lanús; o Boca ganhou assim a de 2005, contra o Pumas, e três de suas seis CONMEBOL Libertadores.

Há quase um ano, o Atlético Mineiro ficou a um pênalti da 'Grande Conquista'. Em 22 de novembro de 2025, no Defensores del Chaco, em Assunção, empatou por 0 a 0 com o Lanús após 120 minutos e perdeu a disputa por 5 a 4, com três defesas de Nahuel Losada: nas cobranças de Hulk, de Gabriel Teixeira e, a decisiva, de Vitor Hugo. No sábado, 21 de novembro, no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla, o 'Galo' disputará outra Final em jogo único, desta vez contra o Boca Juniors, e o fará com um goleiro que nesta edição já venceu uma disputa de pênaltis. Do outro lado, terá outro que fez o mesmo.

Gabriel Delfim assumiu o gol por uma emergência. No fim de agosto, Everson sofreu uma fratura no pé, e o goleiro de 24 anos, formado no clube, onde está desde 2018, virou titular. Até o início de setembro, tinha disputado apenas oito jogos. Sua primeira série eliminatória internacional foi contra o Santos, nas Quartas de Final, e ele a terminou como herói. O Atlético Mineiro havia perdido por 2 a 0 na Vila Belmiro e reverteu a desvantagem com um 4 a 2 na Arena MRV. Na disputa, Delfim defendeu as cobranças de Gabigol e de João Schmidt, as duas primeiras do Santos, e depois a de Arthur Melo. Thiago Borbas fechou o 3 a 1.

Delfim é o segundo goleiro do Atlético Mineiro a defender três pênaltis em uma mesma disputa da CONMEBOL Sudamericana, depois de Victor contra o Unión La Calera, na segunda fase de 2019. Everson, o goleiro que ele substitui, havia conseguido o feito na Supercopa do Brasil 2022, contra o Flamengo. Perguntado se tinha estudado os batedores do Santos, o goleiro de 1,92 m foi prático: "A gente estuda, com certeza, mas contamos também com o trabalho. Os dois em conjunto dá certo". Nas Semifinais não foi preciso decidir nos pênaltis, mas seu peso se manteve. No jogo de ida, com o 0 a 0 no placar, defendeu à queima-roupa uma cabeçada de Salomón Rodríguez aos 34' do primeiro tempo, antes do 3 a 0.

No outro gol estará um colombiano que vai disputar a Final em seu país. Álvaro Montero havia sido recomendado ao 'Xeneize' em 2020 por Óscar Córdoba, também colombiano e lenda do gol do Boca, mas a transferência só se concretizou em meados de 2026, após a lesão de Agustín Marchesín. Com 2,01 m e passagens por Deportes Tolima, Millonarios, Seleção Colombiana e Vélez Sarsfield, estreou no 1 a 0 sobre o O'Higgins, no jogo de ida dos Playoffs das Oitavas de Final. Na volta, no Chile, o O'Higgins venceu pelo mesmo placar e houve pênaltis: Montero defendeu a cobrança de Luis Pavez, e Lautaro Blanco converteu o 4 a 3 que selou a classificação. Também na Copa Argentina, contra o Vélez, seu ex-clube, defendeu dois pênaltis em uma disputa.

Desde então, jogou todos os minutos do Boca nesta CONMEBOL Sudamericana. Córdoba o elogiou depois do jogo de ida das Quartas de Final contra o São Paulo, que o 'Xeneize' venceu por 1 a 0 com o colombiano como destaque: "Para mim, é o goleiro que vai deixar uma marca bastante importante no Boca. Mede quase dois metros, é uma muralha".

O Boca também tem história nessas decisões. Sua segunda CONMEBOL Sudamericana, a de 2005, veio da marca do pênalti: a volta da Final contra o Pumas terminou 1 a 1 na Bombonera, com gol de Martín Palermo, e o 'Xeneize' venceu a disputa por 4 a 3. Na CONMEBOL Libertadores, três de seus seis títulos foram decididos da mesma forma: o primeiro, em 1977, no jogo-desempate contra o Cruzeiro no Centenário de Montevidéu, com a defesa de Hugo Gatti na cobrança de Vanderlei; o de 2000, contra o Palmeiras em São Paulo, e o de 2001. Nesse torneio, é o clube que mais venceu disputas de pênaltis, 11 em 17.

Para o Atlético Mineiro, os pênaltis têm duas faces. A CONMEBOL Libertadores 2013, a única que conquistou, foi decidida no Mineirão, com Victor defendendo um pênalti do Olimpia. Em 1995, por outro lado, perdeu nos pênaltis a Final da Copa CONMEBOL para o Rosario Central, mesmo com Cláudio Taffarel defendendo uma cobrança e convertendo a sua, e na CONMEBOL Sudamericana foi eliminado nos pênaltis nas Semifinais de 2019, pelo Colón, e na Final de 2025. Também venceu a disputa contra o Bucaramanga, nos Playoffs de 2025, e a contra o Santos nesta edição.

Entre os dois finalistas já houve uma decisão assim: nas Oitavas de Final da CONMEBOL Libertadores 2021, depois de dois empates sem gols, o Atlético Mineiro venceu por 3 a 1 a disputa de pênaltis realizada no Brasil. Barranquilla, por sua vez, recebeu o jogo de ida da Final de 2018 deste torneio, em uma série que o Athletico Paranaense acabou vencendo nos pênaltis contra o Junior. Se a Final chegar empatada ao fim da prorrogação, Delfim e Montero terão a última palavra. O goleiro do 'Galo' já contou como espera por esses momentos: "Quando aparece oportunidade, a gente tem que estar pronto. Independentemente se jogo ou não, trabalho todos os dias do mesmo jeito, da melhor forma".