- Finalista da CONMEBOL Libertadores 2024 e da CONMEBOL Sudamericana 2025, o ‘Galo’ chegou às Semifinais continentais pelo terceiro ano consecutivo, a sexta vez no século XXI.
- O time de Belo Horizonte enfrentará o Montevideo City Torque com a Final de Barranquilla como objetivo e com um título internacional que lhe escapa desde a Recopa 2014.
Há uma forma de contar os últimos três anos do Atlético Mineiro que dói e outra que dá esperança. A que dói: 30 de novembro de 2024, Estádio Monumental de Buenos Aires, Final da CONMEBOL Libertadores, Botafogo com dez jogadores desde o início pela expulsão de Gregore e, mesmo assim, 3 a 1 para o time carioca. Um ano depois, 22 de novembro de 2025, Defensores del Chaco, Final da CONMEBOL Sudamericana, 0 a 0 com o Lanús em 120 minutos e derrota por 5 a 4 nos pênaltis. Duas finais continentais consecutivas, duas derrotas.
A que dá esperança é a mesma história contada ao contrário: poucos clubes do continente chegaram com tanta frequência às fases decisivas neste período. O Atlético Mineiro chegou pelo terceiro ano consecutivo às Semifinais de uma competição continental. É sua sexta participação nesta fase no século XXI, depois de 2013, 2019, 2021, 2024 e 2025. Ninguém pode dizer que o ‘Galo’ deixou de tentar.
A campanha de 2024 foi a da maior esperança. Venceu seu grupo com 15 pontos e eliminou o San Lorenzo nas Oitavas, o Fluminense nas Quartas e o River Plate nas Semifinais. A Final contra o Botafogo tinha tudo para ser sua: o ‘Galo’ jogou com um homem a mais desde o primeiro minuto e, depois do 0 a 2 no primeiro tempo, com gols de Luiz Henrique e de Alex Telles, de pênalti, Eduardo Vargas descontou aos 2 minutos do segundo tempo e deixou toda a etapa final para buscar o empate. Não bastou: Júnior Santos selou o 3 a 1 nos acréscimos.
A de 2025 foi a da obsessão. Segundo colocado do grupo, atrás do Cienciano, o time de Belo Horizonte eliminou o Bucaramanga nos pênaltis nos Play-offs, o Godoy Cruz nas Oitavas, o Bolívar nas Quartas e o Independiente del Valle nas Semifinais. Antes da Final, Hulk já tinha deixado claro: ‘A gente tem que aprender com os nossos erros. Ano passado estivemos em duas finais [o Galo perdeu a final da Copa do Brasil de 2024 para o Flamengo] que poderiam ter um ano espetacular. Infelizmente, acabou da maneira que todo mundo já sabe, sem nenhum título’. Em Assunção, Losada defendeu o pênalti de Hulk, o de Gabriel Teixeira e, o decisivo, o de Vitor Hugo. ‘Fica mais o sentimento de tristeza por ter chegado tão perto’, resumiu Everson.
O ano de 2026 começou com duas mudanças profundas. Jorge Sampaoli foi demitido em 12 de fevereiro, depois de dez jogos com apenas duas vitórias no ano, e Eduardo Domínguez chegou do Estudiantes com contrato até dezembro de 2027. E em 1º de maio, Hulk, o maior ídolo da fase recente, rescindiu o contrato e foi para o Fluminense, com o qual disputará neste ano as Semifinais da CONMEBOL Libertadores, depois de 311 jogos e 140 gols.
Sem o artilheiro e com um treinador novo, o ‘Galo’ repetiu o padrão que o define: sofrer na fase de grupos, garantir o primeiro lugar nas duas últimas rodadas, superar o Red Bull Bragantino com dois gols de Tomás Cuello e reverter um 0 a 2 contra o Santos com um 4 a 2 na Arena MRV e três pênaltis defendidos por Gabriel Delfim, o reserva de Everson.
A sensação de revanche tem, além disso, um componente de identidade. O Atlético Mineiro é um clube de vitrine internacional intensa: a Copa CONMEBOL de 1992 e 1997, a Libertadores 2013 conquistada no Mineirão com Victor defendendo uma cobrança do Olimpia na disputa por pênaltis e a Recopa 2014 decidida contra o Lanús com dois gols contra na prorrogação. São nove Finais continentais em sua história, as duas últimas sem troféu, e a CONMEBOL Sudamericana continua sendo o grande título regional que lhe falta: em 2019, caiu nas Semifinais diante do Colón nos pênaltis e, em 2025, bateu na trave.
Do outro lado estará o Montevideo City Torque, a revelação da edição, que reverteu um 0 a 2 contra o Cienciano com um 3 a 0 no Centenario. A ida será na quarta-feira, 14 de outubro, na Arena MRV, onde Domínguez perdeu apenas uma vez em 17 jogos (12 vitórias e quatro empates), e a volta será na quarta-feira, 21, no Estádio Centenario, em Montevidéu.
Para esse confronto, o treinador argentino espera contar com Everson, lesionado no pé, e com Gustavo Scarpa, que não joga desde 16 de setembro por uma lesão muscular. Se o ‘Galo’ chegar a Barranquilla em 21 de novembro, será sua terceira Final continental em três anos e sua décima decisão internacional. Em Belo Horizonte, sonham que 2026 termine com uma ‘Grande Conquista’.