Gabigol busca com o Santos o título que falta para completar sua coleção

Gabigol persigue con Santos el gran título que todavía se le resiste

A cabeçada no segundo poste contra a Universidad Central não foi apenas mais um gol. Foi o lembrete de que, quando o palco é uma competição internacional, Gabriel Barbosa fala uma língua própria. O atacante do Santos, artilheiro da equipe na CONMEBOL Sudamericana com quatro gols, conduziu o Peixe às Oitavas de Final com a naturalidade de quem há uma década transforma as noites continentais em seu habitat. E agora persegue algo que ainda não tem: a Grande Conquista, o único grande título de clubes da CONMEBOL que falta em sua coleção.

Os números de 'Gabigol' na CONMEBOL Libertadores são lendários. Com 31 gols, é o maior artilheiro brasileiro da história do torneio e divide a quarta colocação da tabela histórica com Daniel Onega e Miguel Borja, atrás apenas de Alberto Spencer (54), Fernando Morena (37) e Pedro Rocha (37). Foi o artilheiro das edições de 2019, com 9 gols, e 2021, com 11, sempre com a camisa do Flamengo, e deixou sua marca em um momento histórico: os dois gols nos minutos finais da decisão de Lima, contra o River Plate, que viraram uma final que parecia definida e coroaram o 'Mengão' em 2019.

Sua relação com as finais merece um capítulo à parte. Marcou duas vezes na capital peruana, balançou as redes na decisão de 2021 apesar da derrota para o Palmeiras e anotou o único gol do título de 2022 diante do Athletico Paranaense, em Guayaquil. Foram quatro gols em finais da Glória Eterna: igualou Zico, superou Pelé e ficou a apenas um de Coutinho, histórico centroavante santista, além de se tornar o primeiro brasileiro a marcar em três finais diferentes da competição. Há outro dado que resume bem sua trajetória: nos 22 jogos de Libertadores em que marcou, sua equipe perdeu apenas uma vez.

Tudo isso foi construído após seu retorno ao futebol de seu país e ao continente. Porque, na Europa, para onde partiu ainda jovem depois de sua primeira passagem pelo Santos, a história foi diferente: entre Inter de Milão e Benfica, somou pouco mais de 300 minutos em uma temporada e meia. A volta ao Brasil o transformou no predador de copas que o Velho Continente não chegou a conhecer: aos dois títulos da CONMEBOL Libertadores, acrescentou a CONMEBOL Recopa de 2020, também com gol seu na decisão disputada no Maracanã.

A CONMEBOL Sudamericana, por outro lado, ainda é uma pendência em sua carreira. Sua única experiência anterior foi breve: pelo Cruzeiro, em 2025, foi eliminado na Fase de Grupos. O território é tão inédito para ele que a série contra a Universidad Central representou o primeiro mata-mata da competição em toda a sua trajetória, e a resposta foi imediata: gol e classificação. A busca, além disso, é dupla. O Santos, clube onde estreou profissionalmente e ao qual retornou em janeiro de 2026, também nunca conquistou este troféu: sua melhor campanha histórica terminou nas Quartas de Final. Ídolo e clube perseguem juntos a mesma taça, enquanto o atacante se aproxima de outra marca especial: seu próximo gol será o de número 100 com a camisa do 'Peixe'.

O caminho continua nas Oitavas de Final contra o Macará, surpreendente líder invicto do Grupo A, com o jogo de ida no Brasil entre os dias 11 e 13 de agosto e a volta em Ambato uma semana depois. Mais adiante no chaveamento, a Final única de 21 de novembro, em Barranquilla, surge no horizonte. 'Gabigol' já reinou na Glória Eterna como poucos; agora quer completar sua coleção. E sua história ensina que, quando há uma taça em jogo, é melhor não perdê-lo de vista.