- O argentino voltou de suspensão e, aos 47' do segundo tempo do jogo de volta contra o Santos, marcou de cabeça o 4 a 2 que igualou o placar agregado e levou a decisão aos pênaltis.
- Ele já tinha sido o dono do confronto das Oitavas de Final contra o Red Bull Bragantino, com o único gol da ida e o gol nos acréscimos da volta: três de seus gols nesta CONMEBOL Sul-Americana decidiram um mata-mata.
Há jogadores que aparecem quando o jogo pede, e há um, no Atlético Mineiro, que aparece quando o relógio quase já não permite. Tomás Cuello não pôde jogar a ida das Quartas de Final da CONMEBOL Sul-Americana contra o Santos, perdida por 2 a 0 na Vila Belmiro, porque cumpria suspensão. Voltou ao time titular na Arena MRV e, quando o 'Galo' vencia por 3 a 2 mas estava eliminado no agregado, antecipou-se de cabeça a toda a defesa aos 47' do segundo tempo e marcou o 4 a 2 que levou o confronto aos pênaltis. Ali, Gabriel Delfim defendeu três cobranças e o atual vice-campeão se garantiu nas Semifinais. É o segundo confronto consecutivo que o tucumano decide nos acréscimos: quatro semanas antes, tinha feito o mesmo contra o Red Bull Bragantino, nas Oitavas, com um gol em cada jogo.
Bragantino, a primeira vez
Os confrontos de mata-mata costumam ter um dono, e o de Atlético Mineiro e Red Bull Bragantino teve um com nome, sobrenome e passado nos dois vestiários. O argentino marcou o único gol da ida em Bragança Paulista e, quando a volta na Arena MRV caminhava para os pênaltis, apareceu outra vez, com um desarme no meio-campo e uma arrancada até a área para selar o 2 a 2 que valeu um agregado de 3 a 2. Dois dos três gols do 'Galo' no confronto foram dele, ambos contra o clube que o levou ao Brasil.
O capítulo final daquela série foi puro drama. O Bragantino fez méritos de sobra para levar a decisão aos pênaltis: golpeou no último lance do primeiro tempo com o gol de Ramires, sofreu o empate de Maycon aos 7' do segundo tempo e voltou a ficar em vantagem —e a igualar o agregado— aos 36' da etapa final com a cabeçada de Eduardo Sasha, dominando a volta em quase todos os números. Mas, nos acréscimos, Barbosa —que pouco antes havia desperdiçado uma chance claríssima debaixo do gol— perdeu uma bola no meio-campo e Cuello a roubou para correr sozinho até a entrada da área e finalizar junto ao poste direito do goleiro. Não houve tempo para mais nada: o bote do argentino transformou uma noite de sofrimento em classificação.
A história vinha de uma semana antes. Na ida, em 12 de agosto, Cuello havia aproveitado uma bola que Cleiton não conseguiu segurar para marcar o 1 a 0 em Bragança Paulista, seu primeiro grito nesta CONMEBOL Sul-Americana depois de uma Fase de Grupos em que tinha distribuído quatro assistências —duas contra o Juventud, duas contra o Cienciano— sem balançar as redes. Foi, além disso, seu primeiro gol em torneios da CONMEBOL em um ano, desde aquele tento contra o Godoy Cruz pelas Oitavas de 2025. Naquela noite, o 'Galo' finalizou 10 vezes contra 22 do adversário, embora ambos tenham igualado em grandes chances e em gols esperados (1.5): a diferença foi a eficácia, e a eficácia foi Cuello.
O confronto teve, ainda, um tempero inevitável: a lei do ex. Cuello defendeu a camisa do Red Bull Bragantino entre 2020 e 2021, disputou 13 partidas de CONMEBOL Sul-Americana por aquele time e foi titular na final única de 2021, em Montevidéu. Poucos conheciam tão bem o adversário das Oitavas; nenhum o machucou tanto.
O perfil explica o personagem. Nascido em Tucumán e formado no Atlético daquela província, cruzou para o Brasil em 2020 e construiu sua carreira entre Bragantino e Athletico Paranaense antes de o Atlético Mineiro comprá-lo em janeiro de 2025, como quinto reforço daquela janela e com contrato até o fim de 2028. No setor ofensivo que integra ao lado de Bernard, Reinier e Cassierra, sua marca nunca foi o gol, e sim a pressão, o sacrifício e o último passe: essa dupla função de recuperar e pisar na área rival que Domínguez tanto valoriza e que, na Fase de Grupos, tinha se traduzido em assistências.
Santos, a segunda vez
Contra o Santos, o roteiro mudou e o final foi o mesmo. Sem Cuello na ida, o 'Galo' não conseguiu evitar o 2 a 0 na Vila Belmiro. Com ele de volta na Arena MRV, o Atlético Mineiro entrou para jogar a volta como se não houvesse amanhã: Bernard abriu o placar aos 19 segundos, o gol mais rápido da edição, e Reinier marcou duas vezes antes do intervalo para virar o confronto, com um gol contra de Lyanco no meio do caminho. Mas Gabigol, aos 27' do segundo tempo, fez o 3 a 2 que voltava a deixar o Santos com a vaga nas mãos. Até que chegaram os acréscimos, e com os acréscimos chegou Cuello: cruzamento da direita, antecipação de cabeça e 4 a 2. O agregado de 4 a 4 levou o confronto aos pênaltis, e ali Delfim defendeu as cobranças de Gabigol, Schmidt e Arthur Melo para o 3 a 1 que sacramentou a classificação.
O gol, mais uma vez, funciona como síntese do seu jogo. Nas Oitavas, o lance que colocou o 'Galo' nas Quartas nasceu de sua virtude mais antiga, a recuperação, e terminou com a faceta que estreava nesta edição, a finalização. Contra o Santos, a contribuição foi diferente —uma cabeçada de atacante de área, ganhando a posição de toda a defesa—, mas o momento foi idêntico: o segundo minuto dos acréscimos, com o confronto pedindo um gol. Cuello já não apenas fabrica gols alheios; agora também comemora os próprios, e sempre nos instantes em que mais pesam. Seus números nesta CONMEBOL Sul-Americana resumem tudo: três gols e quatro assistências, e os três gols decidiram um mata-mata.
O Atlético Mineiro, atual vice-campeão da competição, disputará as Semifinais pelo terceiro ano consecutivo e pela sexta vez no século XXI. Seu adversário sairá do confronto entre Montevideo City Torque e Cienciano, que se define nesta quinta-feira no Estádio Centenário, com vantagem de 2 a 0 para a equipe de Cusco. Se o 'Galo' quiser voltar a brigar pela Grande Conquista, já sabe que tem no tucumano muito mais do que um fabricante de gols alheios: tem o homem que, quando dois confrontos pediram, os decidiu nos acréscimos.