- O ex-meio-campista, figura histórica do clube, assumiu novamente o comando da equipe em agosto e, apenas sete partidas depois, já levou o Fluminense às Semifinais da CONMEBOL Libertadores.
- Depois de eliminar o Independiente Rivadavia nas Oitavas de Final, superou uma série exigente contra o Platense e colocou o ‘Tricolor’ entre os quatro melhores da América.
O Fluminense já está entre os quatro melhores da CONMEBOL Libertadores. Marcão, que comandou apenas três partidas na competição até agora, conseguiu levar o ‘Tricolor’ às Semifinais depois de superar uma série exigente contra o Platense. A classificação acrescentou um novo capítulo a uma história singular: a de um homem que conhece todos os cantos do clube, está ligado às suas cores há quase três décadas e só agora começa a construir sua trajetória como treinador no principal palco continental.
Sua estreia no Maracanã foi perfeita. O Fluminense venceu por 2 a 0, com gols de Nonato e Hulk, construiu uma vantagem importante para a partida de volta em Vicente López e ampliou a recuperação iniciada com sua chegada ao banco de reservas como substituto de Luis Zubeldía.
O Platense tentou pressionar alto e disputar a posse de bola nos primeiros minutos, mas a equipe brasileira resolveu a partida a partir de sua qualidade individual. Aos 20 minutos do primeiro tempo, Hulk encontrou um espaço e serviu Nonato para abrir o placar. Dez minutos depois, o atacante recebeu do maestro Paulo Henrique Ganso e marcou o segundo. Em meia hora, a equipe de Marcão havia inclinado tanto a partida quanto a série a seu favor.
A vitória confirmou o impacto do treinador: desde que assumiu o comando, o Fluminense disputou sete partidas, com quatro vitórias, dois empates e uma derrota, além de 13 gols marcados e nove sofridos. Venceu Palmeiras, Remo, Vasco e Platense, e empatou com Independiente Rivadavia e Athletico Paranaense. Além disso, eliminou a equipe de Mendoza na disputa por pênaltis e garantiu a classificação às Semifinais da CONMEBOL Libertadores.
Uma vida com as três cores
Marcão não precisa de períodos de adaptação nem de tempo para conhecer os corredores do Fluminense. Sempre que o clube passa por uma mudança de treinador, seu nome surge como uma solução natural. Ele não é apenas um integrante permanente da comissão técnica: é uma parte viva da história do ‘Tricolor’.
A relação de Marco Aurélio de Oliveira com a instituição começou em 1999, durante um dos momentos mais delicados de sua história. Chegou como jogador e fez parte do elenco que conquistou a Série C, dando início ao retorno do clube à elite.
Volante de entrega, intensidade e personalidade, tornou-se uma das referências daquela reconstrução. Também conquistou os Campeonatos Cariocas de 2002 e 2005 e chegou a usar a braçadeira de capitão. Seus números ajudam a dimensionar a importância que alcançou no clube: disputou 397 partidas e marcou 22 gols com a camisa do Fluminense.
Depois de se aposentar, iniciou sua trajetória fora dos gramados. Comandou Bangu, River do Piauí e Bonsucesso, foi auxiliar técnico no Sport Recife e voltou ao Fluminense para integrar sua estrutura esportiva. Desde então, trabalhou ao lado de diferentes treinadores e permaneceu como um dos principais pontos de continuidade do projeto.
O especialista em missões difíceis
Seu histórico ajuda a entender a confiança depositada nele. Em 2019, assumiu a equipe na reta final do Brasileirão, afastou o Fluminense da zona de rebaixamento e garantiu a classificação para a CONMEBOL Sudamericana.
Um ano depois, substituiu Odair Hellmann, que deixou o cargo para seguir a carreira no exterior. Marcão manteve o bom rendimento, conduziu a equipe ao quinto lugar no campeonato e garantiu o retorno à CONMEBOL Libertadores após oito anos. Em 2021, depois da saída de Roger Machado, voltou a assumir até o fim da temporada e conquistou mais uma classificação continental.
O chamado mais recente aconteceu em agosto de 2026. O Fluminense acumulava oito partidas sem vencer e acabava de empatar por 0 a 0 em casa com o Independiente Rivadavia, na ida das Oitavas de Final. A saída do argentino Luis Zubeldía voltou a abrir as portas para o homem da casa.
A resposta foi imediata. Em sua primeira partida, o Fluminense buscou o empate duas vezes contra o Palmeiras e venceu por 3 a 2, com um gol de Germán Cano nos acréscimos. Três dias depois, Marcão fez sua estreia como treinador na CONMEBOL Libertadores: a equipe empatou por 1 a 1 em Mendoza e avançou nos pênaltis, com duas defesas de Fábio. Depois veio a virada por 2 a 1 sobre o Remo, que acabou de convencer a diretoria: o presidente Mattheus Montenegro anunciou então que o Fluminense não buscaria outro treinador. Marcão deixava de ser uma solução provisória para se tornar o comandante da equipe até o fim da temporada.
Em Mendoza, também deu uma demonstração de sua forma de liderar. Thiago Silva confirmou que o treinador abriu a preparação tática aos principais jogadores do elenco e aceitou uma mudança proposta pelo capitão: inverter as posições de Kevin Serna e Yeferson Soteldo. A alteração permitiu explorar um espaço na defesa adversária e terminou no gol de Serna.
Da emergência à esperança
Marcão passou boa parte de sua trajetória como treinador respondendo a situações de urgência. Desta vez, porém, a história parece diferente. O Fluminense viajou a Vicente López com dois gols de vantagem, sofreu diante de um Platense que conseguiu igualar a eliminatória durante o primeiro tempo, mas encontrou a reação necessária depois do intervalo. Agustín Canobbio marcou o gol que acabou sendo decisivo e, apesar da derrota por 2 a 1, o ‘Tricolor’ avançou às Semifinais com um placar agregado de 3 a 2.
A derrota encerrou a invencibilidade de seis partidas desde a chegada de Marcão, mas não o impulso gerado por seu retorno. A equipe que ele recebeu em meio a uma sequência de oito jogos sem vencer agora está entre as quatro melhores da América. Marcão conhece bem os processos de reconstrução: participou de um como jogador em 1999, atravessou outros como auxiliar e conduziu vários à beira do campo. Quase três décadas depois de vestir pela primeira vez a camisa do Fluminense, o eterno homem da casa está a apenas uma série de disputar a Final da CONMEBOL Libertadores.