Lucas Paquetá, o homem que voltou para casa para as grandes noites

Lucas Paquetá celebra uno de sus goles en la CONMEBOL Libertadores 2026
  • Revelado pelo Flamengo, foi para a Europa em janeiro de 2019, antes dos títulos de 2019, 2022 e 2025, e voltou neste ano: já é o terceiro maior artilheiro da equipe nesta edição.
     
  • O meio-campista, que marcou na Final da CONMEBOL Sudamericana de 2017 no Maracanã, decide no mesmo estádio a primeira Semifinal de CONMEBOL Libertadores de sua carreira.

Em 13 de dezembro de 2017, aos 29 minutos do primeiro tempo, Lucas Paquetá, então com 20 anos, completou no Maracanã um cruzamento rasteiro de Réver e abriu o placar do jogo de volta da Final da CONMEBOL Sudamericana. O Independiente empatou de pênalti dez minutos depois e ficou com o título pelo placar agregado de 3 a 2, mas aquela foi a única Final continental do meio-campista com a camisa do Flamengo antes de partir para a Europa. Quase nove anos depois, Paquetá volta a uma noite dessa grandeza no mesmo estádio: nesta quinta-feira, diante do Estudiantes, decide a primeira Semifinal de CONMEBOL Libertadores de sua carreira.

Ainda criança, chegou às categorias de base do clube vindo de Paquetá, ilha da Baía de Guanabara que lhe deu o apelido, e estreou na equipe principal em 2016. Em janeiro de 2019, transferiu-se para o Milan. "Vou embora com aquela dorzinha de deixar minha casa", disse em sua última entrevista coletiva antes da viagem. E completou: "Mas com a certeza de que um dia vou voltar". Depois do Milan vieram Lyon e West Ham, enquanto o Flamengo construía sua era dourada na CONMEBOL Libertadores, com os títulos de 2019, 2022 e 2025.

O retorno aconteceu em janeiro de 2026, sete anos após sua saída, na contratação mais cara da história do futebol brasileiro. "É uma felicidade enorme estar de volta. Rezamos muito por esse momento. Sonhei muito com esse momento. Mais uma vez voltar para casa. Agora, tudo o que quero é aproveitar essa alegria de poder, finalmente, estar em casa, ser feliz, dar alegria à torcida e dar o meu melhor", disse assim que chegou ao Rio de Janeiro.

O primeiro gol na Copa não demorou a sair. Em 16 de abril, no Maracanã, abriu o placar da vitória por 4 a 1 sobre o Independiente Medellín aos 15 minutos do primeiro tempo, após assistência de Ayrton Lucas. Era seu primeiro gol na competição, algo que havia ficado pendente em sua primeira passagem pelo clube. "Era algo que eu desejava, então fiquei feliz por marcar e contribuir para a vitória", contou naquela noite. O segundo veio de pênalti, aos 45+1 minutos do segundo tempo da vitória por 3 a 0 sobre o Cusco, também no Rio. O terceiro teve um significado especial. Recém-recuperado de uma lesão na parte posterior da coxa esquerda sofrida durante a Copa do Mundo, saiu do banco no Mineirão, no jogo de ida das Oitavas de Final contra o Cruzeiro, e marcou o gol do empate por 1 a 1 aos 21 minutos do segundo tempo. Naquele mesmo estádio, havia disputado sua última partida de CONMEBOL Libertadores antes de partir para a Europa: foi titular no jogo de volta das Oitavas de Final de 2018, também contra o Cruzeiro, na vitória por 1 a 0 que não foi suficiente para o Flamengo reverter a derrota por 2 a 0 na ida.

Segundo a Opta, Paquetá disputou nove partidas nesta edição, quatro como titular, e soma 426 minutos em campo. Seus três gols o colocam como o terceiro maior artilheiro da equipe, atrás de Bruno Henrique (5) e Giorgian De Arrascaeta (4). Também ocupa a segunda posição em duelos ganhos (41, empatado com Ayrton Lucas) e em desarmes (16, empatado com Emerson Royal). Entrou em campo vindo do banco cinco vezes, uma demonstração das alternativas à disposição de Leonardo Jardim no elenco do atual campeão.

No empate por 0 a 0 no jogo de ida, em La Plata, foi titular, atuou durante 85 minutos e deu 69 toques na bola. "Foi uma partida difícil", admitiu depois, e explicou: "O mais importante era não sofrer gols e levar a decisão para casa". No domingo, em Salvador, marcou um dos gols da vitória por 3 a 0 sobre o Bahia pelo Brasileirão. O Flamengo, que acumula sete vitórias e quatro empates nesta edição da CONMEBOL Libertadores, não poderá contar com Danilo nem com De Arrascaeta, que ainda se recupera de uma fratura no punho esquerdo. Em casa, a equipe tem sido dominante nesta edição: teve mais posse de bola e finalizou mais que seus adversários nas cinco partidas disputadas no Maracanã, com médias de 59% de posse e 19,6 finalizações. Jardim já traçou o plano: "A segunda parte desta eliminatória é em casa, no Maracanã, com o nosso reforço, que é a nossa torcida".

Depois daquele primeiro gol, em abril, Paquetá deixou uma frase que resume o significado de seu retorno: "É bom ver de perto tudo o que fazem para alcançar os objetivos. Neste ano, espero que possamos alcançá-los mais uma vez".