- O Estudiantes de La Plata voltará a disputar as Semifinais da CONMEBOL Libertadores após 17 anos, desde sua última grande conquista no torneio mais prestigioso do continente.
- A equipe comandada por Alexander Medina enfrentará o Flamengo, atual campeão e algoz do 'Pincha' na última edição.
A equipe argentina forjou uma identidade própria e marcante no cenário mais exigente e competitivo do continente: a Glória Eterna. Sua tríplice coroa, entre 1968 e 1970, somada ao quarto título conquistado em 2009, coloca o clube entre as grandes referências da competição no cenário internacional. A última grande conquista — com Juan Sebastián Verón como estandarte — ainda está fresca na memória dos torcedores do 'León', que sonham com uma nova campanha à altura de sua história.
O contexto em que o Estudiantes de La Plata deu seus primeiros passos na CONMEBOL Libertadores 2009 era desalentador. O 'Pincha' precisou superar uma primeira fase turbulenta contra o Sporting Cristal: com um gol de Enzo Pérez, perdeu por 2 a 1 no jogo de ida, no Estádio San Martín de Porres; a volta, disputada sob um clima de nervosismo à flor da pele, terminou com vitória da equipe argentina por 1 a 0, graças ao gol de Ramón Lentini. O time de La Plata avançou à fase seguinte pelo critério do gol fora de casa, que definia o desempate em caso de igualdade no placar agregado.
A Fase de Grupos apresentou duas realidades: o Estudiantes perdeu suas duas primeiras partidas fora de casa, contra Cruzeiro e Deportivo Quito, resultados que levaram à saída de seu treinador, Leonardo Astrada. Foi então que Alejandro Sabella assumiu o comando, um nome de estirpe 'pincharrata', que como jogador havia sido campeão do Torneo Metropolitano de 1982 e do Torneo Nacional de 1983.
Foi um ponto de inflexão, uma lufada de ar fresco e renovador para uma equipe que contava com jogadores de grande qualidade, mas ainda não conseguia transformar seu peso em resultados.
O cenário mudou radicalmente. Duas goleadas consecutivas em casa — 4 a 0 sobre Deportivo Quito e Cruzeiro, respectivamente — e um empate sem gols contra o Universitario de Sucre, na Bolívia, permitiram ao Estudiantes avançar às Oitavas de Final.
A base estava consolidada. A segurança de Mariano Andújar no gol; a solidez de uma defesa liderada por referências como Leandro Desábato e Marcos Angeleri; um meio-campo combativo, mas com intensidade e recursos, comandado por Juan Sebastián Verón, Enzo Pérez, Rodrigo Braña e Leandro Benítez; e o poder ofensivo da dupla Mauro Boselli e Gastón Fernández eram argumentos suficientes para acreditar que a fase eliminatória seria uma nova oportunidade para enfrentar qualquer adversário de igual para igual. E foi exatamente o que aconteceu.
Dois gols de Boselli e um de 'Gata' Fernández foram suficientes para que o Libertad, primeiro adversário nas Oitavas de Final, fosse eliminado por 3 a 0 no placar agregado no Estádio Ciudad de La Plata — hoje denominado Estádio Único Diego Armando Maradona. O Defensor Sporting não conseguiu superar a equipe de Sabella nas Quartas de Final: Desábato marcou o gol da vitória por 1 a 0 em Montevidéu, e Benítez definiu a série com o mesmo placar em La Plata.
Alexander Medina, atual treinador do Estudiantes, foi adversário da equipe que hoje comanda nas Semifinais da edição de 2009, defendendo as cores do Nacional do Uruguai. O time de La Plata ditou o ritmo da primeira partida e viajou para Montevidéu em vantagem: Diego Galván marcou o único gol da vitória por 1 a 0. O 'Cacique' Medina, então atacante e referência do conjunto uruguaio, marcou na volta, mas os comandados por Sabella venceram por 2 a 1, com dois gols de Boselli.
O destino quis que Estudiantes e Cruzeiro, adversários na Fase de Grupos, voltassem a se enfrentar na decisão do torneio.
O jogo de ida, em La Plata, terminou 0 a 0. A volta, no Estádio Mineirão e diante de quase 65 mil espectadores, marcou o ritmo de uma autêntica noite de Copa. A equipe brasileira abriu o placar com um gol de Henrique aos sete minutos do segundo tempo.
O Estudiantes empatou a partida com uma combinação que havia funcionado ao longo de toda a competição: Verón encontrando espaços para infiltrar passes precisos; Cellay avançando pela direita e servindo os atacantes — neste caso, Fernández — para deixar tudo igual.
Dos pés de Verón, seu capitão e símbolo, que havia retornado do futebol europeu para quitar sua dívida continental com o clube de seu coração, nasceu o gol da vitória que levou os torcedores do 'Pincha' à loucura em Belo Horizonte: Boselli, que terminou como artilheiro da competição, venceu pelo alto e cabeceou o cruzamento da 'Brujita' para superar Fábio.
“A mística deste clube muitas vezes foi deixada de lado, e há muito tempo o Estudiantes disputa duas competições e sempre, mas sempre, luta por alguma coisa”, afirmou Sabella, eufórico, após a conquista da quarta CONMEBOL Libertadores. E acrescentou, sobre o papel de Verón na equipe: “o jogador mais importante do Estudiantes de La Plata desde a criação do clube”.
O capitão do 'León' foi eleito o melhor jogador da competição. “Sabíamos o que estava em jogo e lutamos como sempre. Viemos jogar em um estádio muito difícil e terminamos campeões, algo que é merecido porque o Estudiantes lutou desde o início da Copa”, afirmou Verón, que deixou interesses de lado e estabeleceu prioridades para, finalmente, realizar seu maior sonho com o clube e repetir a conquista que seu próprio pai, Juan Ramón, havia alcançado quatro décadas antes: chegar à glória no cenário continental.