Jagger Herrera, o garoto do Boca que cresce na CONMEBOL Sudamericana

Facundo Herrera ante Sao Paulo
  • O defensor de 20 anos estreou no profissional contra o Recoleta e conquistou seu espaço na equipe de Rodolfo Arruabarrena, que enfrentará o Vasco da Gama nas Semifinais.
     
  • Torcedor do clube e formado em suas categorias de base, combina o apoio da família com uma personalidade que já recebeu elogios de figuras históricas do Boca.

O nome de Facundo Herrera ficou conhecido por uma semelhança antes mesmo de ele ter a oportunidade de mostrar seu futebol no profissional. Por causa do cabelo e dos traços do rosto, seus próprios companheiros lhe deram o apelido de “Jagger”, em referência ao lendário vocalista dos Rolling Stones, embora o jovem sequer conhecesse o músico. “Nunca ouvi uma música dos Stones, não sabia quem ele era”, confessou ao SportsCenter depois de conquistar o título com a equipe de reservas do Boca. O apelido pegou antes de sua estreia na equipe principal. Com o tempo, viriam os jogos que permitiriam reconhecê-lo também pelo futebol.

Aos 20 anos, o defensor vive seus primeiros meses no elenco profissional enquanto o Boca busca mais um título da CONMEBOL Sudamericana. Sua estreia foi contra o Recoleta, nas Oitavas de Final, e a trajetória continental logo o levou a outro palco desafiador: o Morumbí, onde participou da classificação diante do São Paulo. “A oportunidade chegou, nós o colocamos em campo, ele aproveitou, segue melhorando e mostrando a firmeza que um zagueiro do Boca precisa ter. Ele sabe que não pode se acomodar, que precisa continuar aprendendo e ouvir os mais experientes. É um garoto que sabe ouvir, e isso é o importante”, elogiou o técnico Rodolfo Arruabarrena. Agora, com o Vasco da Gama como adversário nas Semifinais, o jovem faz parte de uma equipe que tem “A Grande Conquista” no horizonte.

Nascido em San Martín e formado nas categorias de base do clube, Herrera percorreu as etapas anteriores à chegada ao profissional até se tornar um dos capitães da equipe de reservas comandada por Mariano Herrón: “Nós o acompanhávamos na equipe de reservas. Depois, cabe a ele aproveitar as oportunidades, e é o que está fazendo. O que procuramos é não queimar etapas com os garotos. Nós os observamos nos treinos e conversamos com os treinadores, neste caso com o Mariano”, explicou o “Vasco”. A oportunidade na equipe principal surgiu em meio às lesões na defesa. Depois de estrear contra o Recoleta, substituiu Ayrton Costa para disputar o segundo tempo do clássico contra o Racing. Em poucos dias, passou da estreia ao desafio de dar conta do recado durante 45 minutos no Cilindro de Avellaneda.

Arruabarrena encontrou respostas que lhe permitiram continuar confiando no jovem. As ausências de Costa e Marco Pellegrino haviam aberto uma oportunidade, mas Herrera manteve seu lugar mesmo depois da recuperação dos companheiros. O treinador destacou sua capacidade de vencer duelos, sua evolução e a firmeza que demonstrava para ocupar uma posição de tanta responsabilidade. Sua sequência na equipe começou a se consolidar com atuações que justificaram aquela primeira escolha.

A relação entre o técnico e o defensor tem, ainda, uma história anterior. Arruabarrena jogou nas categorias de base do Boca com Leonardo Herrera, pai de Facundo, e chegou a formar uma dupla de zaga com ele. “Conheço a família e sei do que ele é feito”, explicou o “Vasco” ao ser questionado sobre o surgimento do jovem. Anos depois de dividir os campos da base com seu pai, coube a ele acompanhar o filho nos primeiros passos no futebol profissional.

Para Jagger, esse apoio familiar continua sendo fundamental em uma realidade que ganhou outra dimensão rapidamente. “Meu pai tenta me manter com os pés no chão”, contou em setembro, em entrevista ao El Canal de Boca. A conversa aconteceu no centro de treinamento de Ezeiza, onde ele havia ido acompanhar seus antigos companheiros da equipe de reservas. A chegada ao profissional ampliou suas responsabilidades, mas ele manteve por perto os amigos com quem compartilhou essa trajetória.

Imagem
Herrera se consolidó como central en Boca Juniors

Seu desempenho também chamou a atenção de quem conhece a posição e a camisa. Roberto Mouzo, o jogador com mais partidas na história do Boca, destacou sua concentração e sua rapidez para agir: “Gosto de como ele marca. Está sempre atento e é rápido com a bola e na marcação”. O elogio do histórico defensor, em entrevista à Super Deportivo Radio, ressaltou qualidades concretas de um jovem que ainda está adquirindo experiência: a atenção para defender e a capacidade de agir quando a jogada exige.

A CONMEBOL Sudamericana já lhe proporcionou um teste importante nesse processo de evolução. No jogo de volta das Quartas de Final contra o São Paulo, Herrera correspondeu em um estádio de forte pressão e foi incluído na Seleção da Semana do torneio ao lado de Leandro Lozano. O reconhecimento veio com uma classificação que aproximou o Boca da Final e permitiu ao defensor adquirir uma experiência continental importante pouco depois de sua estreia.

Tudo isso acontece, ainda, com a emoção de representar o clube para o qual torce. “Você vive de um jeito diferente e sente mais”, explicou sobre esse encontro entre paixão e profissão. Em outubro, virá outro desafio: o Boca receberá o Vasco da Gama no dia 13 e disputará o jogo de volta no dia 20, no Brasil. Para Herrera, a busca pela “A Grande Conquista” também será uma oportunidade de seguir crescendo com a camisa que aprendeu a amar muito antes de conquistar um lugar na defesa.