Giorgian De Arrascaeta, o herói que quer seguir engrandecendo sua lenda

Giorgian de Arrascaeta celebra el pase a cuartos en la CONMEBOL Libertadores 2026
  • O uruguaio alcançou os 100 jogos na CONMEBOL Libertadores justamente diante do Cruzeiro, seu ex-clube, com um golaço e uma participação decisiva na classificação do Flamengo às Quartas de Final.
     
  • Marcou nas Oitavas de Final de cinco edições diferentes, o número mais alto desde sua estreia em 2014: apenas Juan Román Riquelme, com seis, o supera na história do torneio.

A carreira de Giorgian De Arrascaeta acaba de riscar dois itens da lista que o transformam em uma das figuras indiscutíveis do Flamengo: diante do Cruzeiro, seu ex-clube, o uruguaio chegou aos 100 jogos na CONMEBOL Libertadores e comemorou à sua maneira, com um golaço e um passe fundamental que valeram a classificação carioca às Quartas de Final. Os números o colocam em um clube exclusivo da história da Copa, e na perseguição de uma marca que tem dono ilustre: Juan Román Riquelme.

A noite do "centenário" foi uma síntese de sua carreira. Aos 35 da volta das Oitavas, encarou pela esquerda, tabelou com Pedro e finalizou cruzado, de primeira e no ângulo, para abrir a partida no Maracanã. E quando o Cruzeiro havia igualado e o confronto viajava rumo aos pênaltis, apareceu outra vez com um passe entre linhas que resultou na assistência de Pedro para o gol decisivo de Samuel Lino. Cem jogos e, no número redondo, mais uma vez a bola passou pelos seus pés em tudo o que importava.

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Defensor Sporting, el primer club de Giorgian De Arrascaeta

A radiografia do feito fala de três camisas e uma vida inteira na Copa. Dos 100 jogos, 69 foram pelo Flamengo, 19 pelo Cruzeiro e 12 pelo Defensor Sporting, o clube onde estreou no torneio em 2014. O gol contra sua ex-equipe foi, além disso, o de número 19 de sua conta pessoal na Libertadores: 13 pelo time carioca, 4 pela 'Raposa' e 2 pelo clube uruguaio. Com essa marca, tornou-se o oitavo futebolista da história a alcançar os 100 jogos e apenas o quarto jogador de linha, atrás de Enzo Pérez (110), Sergio Aquino (107) e Lucas Pratto (104): território dominado historicamente por goleiros, onde o uruguaio se move como exceção.

Mas há um registro que o retrata melhor que qualquer outro, porque fala de vigência sustentada: De Arrascaeta marcou nas Oitavas de Final de cinco edições diferentes da Copa (2014, 2018, 2021, 2025 e 2026), o número mais alto para qualquer futebolista desde sua estreia no torneio. Em toda a história, apenas Riquelme o supera: o ídolo do Boca gritou nas Oitavas de seis edições (2000, 2001, 2007, 2008, 2012 e 2013). A comparação não é casual: trata-se de dois camisas 10 que fizeram desta instância um palco "confortável". Doze anos separam o primeiro grito copeiro do uruguaio do deste ano, uma longevidade futebolística reservada aos escolhidos: mudou de país, de clube e de contexto, e as Oitavas seguiram o encontrando em modo decisivo.

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Giorgian De Arrascaeta en Cruzeiro, el segundo club de su carrera

O percurso explica a acumulação. De Arrascaeta se apresentou na Copa com a camisa do Defensor Sporting, cruzou para o Brasil para vestir a do Cruzeiro e desde 2019 se tornou o coração criativo do Flamengo, com o qual conquistou três vezes a Glória Eterna: 2019, 2022 e 2025. É, a esta altura, muito mais que um futebolista de hierarquia: é uma instituição dentro do clube mais vencedor da era recente da Copa, e o sócio preferido de um setor ofensivo onde convivem Pedro, Samuel Lino e Bruno Henrique, entre outros.

O presente, ainda por cima, o encontra defendendo a coroa. O Flamengo de Leonardo Jardim avança com passo firme — dominou seu grupo com 16 pontos em 18 e superou o Cruzeiro com autoridade — e nas Quartas de Final o espera o Independiente del Valle, o 'mata-gigantes' equatoriano que chega afiado de Quito. Para o uruguaio será o capítulo 101 ou mais de uma história que não mostra sinais de final: aos 32 anos segue sendo peça-chave e diferencial em uma das equipes mais exigentes do continente.

E resta a cenoura histórica. Para igualar a marca de Riquelme precisa marcar nas Oitavas de uma sexta edição, um encontro que só poderá buscar a partir da próxima Copa. Enquanto isso, cada jogo estica seu centenário e cada grande atuação alimenta a comparação com os melhores criadores que passaram pelo torneio. No Maracanã já não se perguntam se De Arrascaeta está entre os grandes condutores da história da Libertadores: perguntam-se até onde ele pode chegar.