- O atacante, maior artilheiro da CONMEBOL Libertadores desde 2022, com 24 gols, participou dos dois tentos do 2 a 1 sobre o Cruzeiro.
- O atual campeão enfrentará nas Quartas de Final o vencedor do confronto entre Independiente del Valle e Deportes Tolima.
Os artilheiros são medidos pelo que convertem, até que uma noite demonstram que também podem ser medidos pelo que presenteiam. Pedro, o atacante mais letal da CONMEBOL Libertadores dos últimos anos, não marcou nenhum dos dois gols do Flamengo diante do Cruzeiro no Maracanã. E, ainda assim, foi o fio condutor da classificação às Quartas de Final: participou das duas conquistas do 2 a 1, com uma tabela primorosa primeiro e uma assistência brilhante depois. Pela primeira vez em sua carreira em competições CONMEBOL, o camisa 9 terminou uma partida com duas assistências. O finalizador vestiu o terno de garçom, e ficou sob medida.
Os dois lances retratam um futebolista completo. No primeiro, aos 35, De Arrascaeta encarou pela esquerda e tocou com Pedro, que devolveu uma tabela perfeita, dessas que não precisam de um segundo toque, para a finalização cruzada e no ângulo do uruguaio. No segundo, o contexto lhe deu ainda mais valor: Lucas Romero acabava de igualar a partida com um golaço de fora da área e o confronto, momentaneamente, viajava rumo aos pênaltis. Com essa pressão em cima, aos 17 da etapa final, Pedro recebeu um passe entre linhas de De Arrascaeta, levantou a cabeça e serviu a Samu Lino a bola do mano a mano que valeu o 2 a 1 definitivo. Nenhum grito próprio, mas as digitais do ex-Fiorentina marcaram o caminho da classificação.
A radiografia da noite ganha peso quando cruzada com seus números de sempre. Pedro é o maior artilheiro da CONMEBOL Libertadores desde 2022, com 24 gols, um domínio construído à base de finalizações de área, movimentos de centroavante clássico e faro puro, sustentado ao longo de quatro temporadas. Suas assistências, em compensação, eram o lado menos visitado de seu repertório: chegou a oito em sua carreira na Copa, um registro que desde 2022 apenas Leonardo Fernández supera (11). A conta pendente foi saldada de uma só vez, com as duas desta quarta-feira à noite no Rio de Janeiro, e no confronto que o atual campeão não podia falhar.
O presente o encontra em sua melhor versão global. Com 21 gols na temporada, é o maior goleador do elenco do Flamengo, acima de um setor ofensivo repleto de candidatos. Diante do gol é um "finalizador puro", ideal para os espaços fechados do mata-mata, com dois gols e uma assistência na Fase de Grupos. O que fez diante do Cruzeiro completou o retrato: quando os espaços não aparecem nem para ele, ele os fabrica para os demais.
Ao seu redor, além disso, funciona uma máquina. A equipe de Leonardo Jardim dominou o Grupo A com 16 pontos em 18, sem derrotas e com 14 gols marcados, e nas Oitavas sustentou a hierarquia: superioridade clara nas duas partidas diante do Cruzeiro, com o detalhe de que a sociedade ofensiva divide os papéis sem ciúmes. De Arrascaeta fez o golaço e deu o passe entre linhas, Lino a finalização do desafogo, Bruno Henrique chegou a esta fase como artilheiro do ano da equipe e Pedro, desta vez, escolheu o papel de arquiteto.
O Flamengo agora espera pelo vencedor da chave entre Independiente del Valle e Deportes Tolima — que a equipe equatoriana lidera por 1 a 0 e será definida na próxima terça-feira, em Quito — para seguir defendendo sua coroa rumo a uma nova Glória Eterna. E os rivais ficaram avisados da pior notícia possível: o goleador mais temível da Copa já não precisa converter para machucar.