- Da epopeia de 2016 diante de River e Boca ao 5 a 0 sobre o Flamengo campeão e à Recopa vencida no Maracanã: a retrospectiva das façanhas que forjaram o apelido do clube de Sangolquí.
- Nas Quartas de Final da CONMEBOL Libertadores, o IDV enfrentará o Flamengo, atual campeão e uma de suas vítimas prediletas.
Há apelidos que se compram com uma noite e outros que se pagam em parcelas, façanha após façanha. O do Independiente del Valle pertence ao segundo grupo: 'mata-gigantes' não é uma invenção do folclore, e sim um título conquistado em campo, com uma lista de vítimas ilustres que atravessa uma década. E agora que as Quartas de Final da CONMEBOL Libertadores lhe colocam pela frente o Flamengo, o atual campeão, a retrospectiva dessa história funciona como advertência: poucas equipes do continente sabem derrubar grandes como o clube de Sangolquí.
O apelido nasceu em 2016, na campanha que o apresentou ao continente. Nas Oitavas de Final daquela Libertadores, o adversário foi o River, nada menos que o campeão vigente: venceu por 2 a 0 no Equador e resistiu à volta no Monumental (0 a 1), com uma atuação consagratória de seu goleiro Librado Azcona, para dar o primeiro golpe. Nas Quartas, despachou o Pumas nos pênaltis e nas semifinais dobrou a aposta diante do Boca: triunfo por 2 a 1 em casa, com virada incluída, e um histórico 3 a 2 na própria Bombonera. Tornou-se assim a única equipe a eliminar River e Boca em uma mesma edição da Copa e, embora a final tenha ficado com o Atlético Nacional — o sonho de ser o segundo campeão equatoriano da Copa, depois da LDU de 2008, ficou em pausa —, o apelido já tinha dono.
A confirmação veio com títulos. Na CONMEBOL Sul-Americana 2019, o 'mata-gigantes' voltou a cobrar uma presa brasileira de peso: eliminou o Corinthians nas semifinais, com o 2 a 2 no Atahualpa que selou o confronto e desatou a festa em Quito, e ergueu sua primeira copa internacional com o 3 a 1 sobre o Colón em Assunção.
E em 2020 assinou a página mais impactante de sua coleção: um 5 a 0 sobre o Flamengo em Quito, pela fase de grupos da Libertadores, a maior goleada sofrida por um campeão vigente na história do torneio. Aquele Flamengo vinha de conquistar a América e saiu atordoado do Atahualpa.
A década fechou o círculo com mais troféus e as vítimas de sempre. Na final da CONMEBOL Sul-Americana 2022, foi o São Paulo: 2 a 0 em Córdoba e segundo título continental. E na Recopa 2023, o duelo que coloca frente a frente o campeão da Libertadores e o da Sul-Americana, a história lhe reservou uma nova página grande: outra vez o Flamengo, outra vez com final feliz para os equatorianos, com uma decisão nos pênaltis no próprio Maracanã que lhe deu sua terceira estrela internacional. Três títulos continentais em cinco temporadas para um clube que compete de igual para igual com as potências mais populosas e poderosas do continente.
A outra metade da explicação está no projeto. O 'mata-gigantes' é, ao mesmo tempo, a 'fábrica de craques' que abastece a Europa de talento: de suas categorias de base saíram Moisés Caicedo, uma das contratações mais caras da história do futebol inglês; Willian Pacho, bicampeão da Champions League com o Paris Saint-Germain; Piero Hincapié, hoje no Arsenal; e Kendry Páez, com contrato assinado com o Chelsea. Um clube que forma futebolistas de elite e os faz competir sem complexos: essa mistura explica por que nenhum gigante lhe parece grande demais.
Por isso o cruzamento que vem tem tanto tempero. Do outro lado estará o gigante que melhor conhece seus dentes: o Flamengo já sofreu o 5 a 0 de Quito e a Recopa perdida em casa, e agora defende a coroa diante da equipe que fez dessas façanhas um costume. O Independiente del Valle chega afiado — fechou diante do Tolima um confronto sem fissuras — e com a história ao seu lado: cada vez que o continente lhe colocou um grande pela frente, o 'mata-gigantes' respondeu à altura de seu apelido. No Rio já sabem que não é uma visita qualquer.