Do repechaje ao topo: quem conquistou a CONMEBOL Libertadores a partir das fases preliminares?

Botafogo campeón Libertadores
  • Apenas duas equipes na história conseguiram levantar o principal troféu continental após disputar a fase preliminar.
     
  • Após superar a Fase 3, quatro clubes tentarão repetir a façanha na edição 2026.

Entre os 32 sonhos que conhecerão seu destino no sorteio do próximo 19 de março, há quatro que já começaram a escrever seu caminho na atual edição da CONMEBOL Libertadores: Barcelona Sporting Club, Independiente Medellín, Deportes Tolima e Sporting Cristal iniciaram suas campanhas na fase preliminar. O quarteto tentará repetir uma façanha pouco comum no torneio: conquistar o troféu vindo das fases iniciais.

Todos eles estrearam na Fase 2. O Independiente Medellín encadeou vitórias diante dos uruguaios Liverpool e Juventud; o Deportes Tolima eliminou o venezuelano Deportivo Táchira e o chileno O’Higgins; o Sporting Cristal superou primeiro o 2 de Mayo e depois o Carabobo na Fase 3; e o Barcelona venceu como visitante o Argentinos Juniors, em La Paternal, e o Botafogo, no Rio de Janeiro, para garantir sua vaga na Fase de Grupos.

Após demonstrarem seus argumentos futebolísticos e mentais para superar cenários adversos e de alta pressão, no dia 19 de março descobrirão seus próximos adversários. Não haverá restrições para eles: poderão dividir grupo com equipes do mesmo país. Em busca do título continental, tentarão imitar os dois campeões que conseguiram tal feito: o Estudiantes de La Plata, em 2009, e o Botafogo, em 2024, únicos a completar todo o percurso desde as fases preliminares até a consagração.

Estudiantes - 2009 

O ‘Pincha’, um histórico da CONMEBOL Libertadores, foi o primeiro a se consagrar após estrear na Fase 1 do torneio. O conjunto de La Plata precisou disputar 16 partidas para conquistar seu quarto título continental. Juan Sebastián Verón havia retornado ao clube após sua trajetória europeia como uma força transformadora — uma revolução que começou com a conquista do Apertura 2006, em uma final inesquecível contra o Boca Juniors, e que teria continuidade três anos depois no cenário continental.

Com outros nomes de grande hierarquia como Mariano Andújar, Enzo Pérez, Mauro Boselli e Gastón Fernández, o Estudiantes estreou na Fase 1 diante do Sporting Cristal. A equipe era comandada por Leonardo Astrada: sob sua direção, perdeu o jogo de ida por 2–1 e reverteu a série no Estadio Ciudad de La Plata com um gol de Ramón Lentini nos minutos finais. Apesar do início positivo, os maus resultados no Clausura argentino e as derrotas para Cruzeiro e Deportivo Quito nas três primeiras rodadas da fase de grupos culminaram na saída de Astrada.

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Alejandro Sabella celebra con su Estudiantes.jpg

No horizonte surgiu a figura de Alejandro Sabella, ex-auxiliar de Daniel Passarella e bicampeão argentino como jogador com a camisa do ‘León’, para evitar um naufrágio que parecia iminente. E Sabella, com um elenco repleto de talento, reverteu rapidamente a situação: goleou em casa o Deportivo Quito e o Cruzeiro antes de confirmar a classificação com um empate diante do Universitario de Sucre, na Bolívia. Já na fase eliminatória, o Estudiantes eliminou o Libertad, do Paraguai, superou o Defensor Sporting nas quartas com vitórias como mandante e visitante, e repetiu o roteiro contra o Nacional, do Uruguai, nas semifinais.

A final contra o Cruzeiro, comandado por Adilson Batista, começou como um jogo de xadrez: empate sem gols no Estádio Único de La Plata. Na volta, Henrique abriu o placar aos 6 minutos do segundo tempo, com um chute de média distância que incendiou o Mineirão e parecia encaminhar o título. Mas o Estudiantes, com a mística pincharrata e o coração na mão, reagiu rapidamente: empatou cinco minutos depois com Gastón Fernández, e Mauro Boselli marcou o 2–1 do título com uma cabeçada implacável após um cruzamento perfeito de um Verón capitão e protagonista.

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Juan Sebastian Veron alza la Libertadores

Botafogo - 2024 

O segundo e último campeão vindo das fases preliminares foi o Fogão, que na edição de 2026 acabou eliminado na Fase 3 pelo Barcelona, após uma dolorosa derrota em casa. Mas, dois anos antes, quando ainda não tinha nenhuma CONMEBOL Libertadores em sua galeria, o conjunto brasileiro iniciou sua campanha desde a Fase 2 com uma goleada implacável sobre o Aurora, da Bolívia. Na Fase 3, protagonizou um confronto vibrante diante do também brasileiro Bragantino, série em que Júnior Santos marcou os três gols que garantiram a vaga na Fase de Grupos.

Assim como o Estudiantes em 2009, o Botafogo também trocou de treinador durante o torneio: o português Artur Jorge, que havia deixado o Braga, assumiu o desafio sul-americano e substituiu o interino Fábio Matías após a inesperada derrota para o Júnior na primeira rodada. Depois de perder também para a Liga de Quito na segunda rodada, o Botafogo reagiu: venceu seus dois jogos seguintes como mandante, superou o Universitario em Lima e arrancou um ponto em Barranquilla para avançar à fase eliminatória como vice-líder do grupo.

Em seu primeiro mata-mata, enfrentou o Palmeiras, um dos protagonistas habituais do continente, em um duelo que serviria como termômetro para suas ambições. E o roteiro das oitavas foi eletrizante: o Botafogo venceu a ida no Nilton Santos e parecia ter encaminhado a classificação após um segundo tempo em que ampliou a vantagem com gols de Igor Jesus e Jefferson Savarino. Mas o Verdão, comandado por Abel Ferreira, nunca pode ser dado como derrotado: na reta final, marcou dois gols, aos 41 e 45 minutos do segundo tempo, empatando a partida e alimentando o sonho de uma virada épica que não se concretizou, já que o árbitro apitou o fim e confirmou a classificação do ‘Glorioso’.

Nas quartas de final, voltou a sofrer em mais uma batalha contra um compatriota com longa tradição copeira: o São Paulo abriu o confronto com um empate sem gols como visitante e, quando o relógio já se esgotava no jogo de volta — no qual o Botafogo havia saído na frente logo no início com um gol de Thiago Almada —, Jonathan Calleri apareceu aos 42 minutos do segundo tempo para levar a decisão aos pênaltis. O próprio Calleri e Rodrigo Nestor desperdiçaram suas cobranças, permitindo que o Botafogo celebrasse no Morumbí. Nas semifinais, enfrentou o Peñarol, outro gigante do continente. E, embora o 5–0 do jogo de ida parecesse irreversível, o ‘Manya’ mostrou sua tradição e venceu por 3–1, resultado que não foi suficiente.

O Botafogo viajou ao Estádio Monumental, em Buenos Aires, para mais uma final entre brasileiros. A tarde não poderia ter começado pior: Gregore, peça-chave do meio-campo, recebeu cartão vermelho aos 2 minutos do primeiro tempo. Mas, como ao longo de toda a campanha, o time de Artur Jorge reagiu: Luiz Henrique abriu o placar aos 35 minutos, Alex Telles ampliou aos 44, e Júnior Santos, artilheiro do torneio com 10 gols em 11 jogos, deu números finais à conquista na última jogada da partida. Com Luiz Henrique como melhor jogador da CONMEBOL Libertadores e Igor Jesús como uma de suas grandes figuras, o Fogão completou uma campanha marcada pela épica.