- O cordobês, que marcou o primeiro gol internacional do Platense como mandante, foi um dos artífices da vitória do 'Calamar' contra o Independiente Santa Fe.
- No início do ano, chegou ao conjunto de Saavedra para disputar o “torneio que sempre sonhou em jogar desde pequeno”.
O último 29 de abril ficará gravado para sempre na memória de Tomás Nasif como a data em que marcou seu primeiro gol em uma noite de Copa CONMEBOL Libertadores, a competição mais importante em nível de clubes do continente. Também foi o primeiro que o Platense, sua equipe, celebrou em casa no plano internacional.
É que, nos últimos dois anos, o nascido em Villa del Totoral -província de Córdoba- se deparou com todas as emoções possíveis: foi emprestado pelo River sem espaço no time principal, teve uma estreia dos sonhos na Primeira Divisão com o Banfield, ficou mais de seis meses sem jogar por causa de uma lesão, precisou novamente buscar outros rumos e desembarcou no Platense, onde pôde apresentar suas credenciais em nível internacional e recuperar a confiança que o destacou nas categorias de base do ’Millonario’.
O ’Turco’ cresceu com uma bola nos pés desde os seis anos no Club Juventud Sportiva Totoral. Aos 12 anos, chegou ao River com idade de categoria sub-15, mas o clube de Núñez não foi aquele pelo qual, ainda muito pequeno, deixou sua Córdoba natal. “Fui a Buenos Aires pela primeira vez em 2014 para fazer um teste no Banfield; depois daquela semana de avaliações, fui para o River e fiquei lá, mas originalmente a ideia era ficar no Banfield”, reconheceu.
Quase como um aceno do destino, o ’Taladro’ foi o clube que lhe abriu as portas quando precisou sair em busca de opções para somar minutos e ganhar rodagem, sem espaço no planejamento de Marcelo Gallardo, no fim de um 2024 em que havia sido artilheiro da equipe reserva campeã dirigida por Marcelo Escudero.
“Os garotos que estivemos naquele time, acredito que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para conquistar um lugar. Demos o máximo e fomos campeões da categoria. Depois, talvez, Marcelo tenha pensado que não era o momento, mas devo a vida ao clube porque me deu de comer, foi o lugar onde pude terminar a escola. Minha ilusão de voltar segue intacta”, explicou após sua saída do River.
Seus dois primeiros jogos no Banfield romperam com a lógica do jovem que estreia na primeira divisão: em sua primeira partida, em 23 de janeiro de 2025, marcou o gol do jogo contra o Defensa y Justicia, enquanto em sua segunda presença com a camisa do ’Taladro’ anotou dois gols e deu uma assistência contra o Newell’s. Uma entorse grave no tornozelo direito o condicionou, teve pouca sequência e voltou ao River quando o empréstimo terminou no fim do ano. O 'Millonario' renovou seu contrato e elevou sua multa rescisória para 100 milhões de euros antes de emprestá-lo -sem custos e sem opção de compra- ao Platense, destino que escolheu pela proposta apresentada pelo treinador Walter Zunino quando explicou por que o queria em seu elenco.
Aos 22 anos e embora não tenha começado o semestre como titular, Nasif conquistou a confiança de seu novo treinador e de seus companheiros à base de trabalho, esforço, boas atuações e versatilidade no setor ofensivo. "Sou um atacante potente, que gosta de jogar no mano a mano com os zagueiros. Também saio da área para pegar a bola, criar meus espaços e ir pelos lados para me juntar aos meio-campistas”.
Em seu segundo jogo com a camisa da equipe de Vicente López, em pouco mais de 30 minutos, marcou seu primeiro gol na vitória por 2 a 1 contra o Instituto de Córdoba. E assim ganhou sua chance na CONMEBOL Libertadores: não jogou na estreia absoluta do ’Calamar’ na competição, na derrota por 2 a 0 para o Corinthians, mas foi titular nas vitórias contra o Peñarol, do Uruguai, e o Independiente Santa Fe, da Colômbia. Contra os colombianos, Nasif marcou o primeiro gol no 2 a 1 que permitiu à sua equipe se tornar a vice-líder do líder Timão.
Entre a paciência, as lesões, os empréstimos e a busca constante por minutos, o cordobês encontrou em Vicente López um cenário para se sentir importante e demonstrar todo o seu potencial. A CONMEBOL Libertadores lhe deu a oportunidade de se apresentar ao continente; Nasif respondeu com um gol que não apenas impulsionou o Platense no grupo, mas também marcou um novo ponto de partida em uma carreira que ainda tem muitas páginas por escrever.