Hugo Rodallega, o artilheiro incansável que faz o Santa Fe sonhar

Hugo Rodallega celebra su gol ante Caracas por Copa Sudamericana
  • Hugo Rodallega marcou um dos gols da vitória do Santa Fe
     
  • A poucos dias de completar 41 anos, o interminável artilheiro continua fazendo história

Há gols que não entendem de certidão de nascimento. O que Hugo Rodallega marcou na noite desta quinta-feira, no El Campín — uma finalização de esquerda de fora da área, rente à trave — foi obra de um jogador que completará 41 anos no sábado, com a potência e a precisão típicas de um atacante no auge. Com esse gol, o colombiano abriu o placar na vitória do Independiente Santa Fe por 2 a 0 sobre o Caracas, pelo jogo de ida dos Playoffs das Oitavas de Final. Foi seu primeiro gol na atual edição da CONMEBOL Sudamericana, competição à qual o “León” chegou depois de terminar em terceiro lugar no Grupo E da CONMEBOL Libertadores. Mais um retrato de uma carreira que se recusa a envelhecer.

O desempenho de Rodallega vai muito além de uma boa noite. Em maio deste ano, o atacante ultrapassou a marca de 300 gols como profissional — chegou a 302 com um hat-trick contra o América de Cali — e entrou para o grupo dos cinco maiores artilheiros da história do futebol colombiano. Naquele mesmo mês, durante a fase de grupos da CONMEBOL Libertadores, alcançou outro feito: com seu gol diante do Corinthians, tornou-se um dos dez jogadores mais veteranos a balançar as redes na história da competição. Números que coroam uma longevidade impressionante: atualmente, ele é ao mesmo tempo artilheiro e ídolo do Santa Fe, e seu nome chegou até a voltar a ser mencionado para a Seleção Colombiana às vésperas da Copa do Mundo de 2026.

Um andarilho que voltou para casa

A história começou em 2003, no Deportes Quindío, e desde então se transformou em uma viagem pelo mundo. Rodallega brilhou no futebol mexicano, atravessou o Atlântico para vestir as camisas de Wigan Athletic e Fulham na Premier League, passou pela Turquia e pelo Brasil — onde marcou 19 gols em 60 partidas pelo Bahia — antes de retornar à Colômbia para escrever, já na maturidade, um dos capítulos mais felizes de sua carreira. Campeão e artilheiro do Sul-Americano de 2005, com passagens pelas edições de 2007 e 2011 da CONMEBOL Copa América, o atacante encontrou no Santa Fe uma segunda juventude que nem ele próprio imaginava.

Sua ligação com o “León” alcançou o ponto mais alto em 2025, com a conquista do Apertura. Na ocasião, o jogador natural do Valle del Cauca deixou uma frase que ficou marcada: “Este velhinho vai ser campeão.” Mas a aposentadoria teve de esperar. Um ano depois, continua marcando gols e liderando, com a mesma voracidade de sempre.

Imagem
Hugo Rodallega celebra el primer gol de Santa Fe ante Caracas

A filosofia do artilheiro eterno

Se há algo que distingue Rodallega, além da pontaria, é a maneira como entende sua profissão. “Eu me esforcei durante 22 anos. A maior conquista de um jogador é vestir a camisa de seu país”, afirmou após aquele hat-trick de maio, em uma mensagem que também representou uma declaração de desejo em relação à seleção, algo que acabou não se concretizando. E deixou uma reflexão que explica por que, aos 40 anos, continua desfrutando do futebol como um garoto: “O futebol, assim como a vida, é sobre isso: aproveitar e agradecer por estarmos vivos”.

É dessa filosofia que o Santa Fe precisa nesta série. O “León”, que nunca perdeu um confronto eliminatório diante de um adversário venezuelano em sua história continental, deu o primeiro passo rumo às oitavas de final — fase em que o River Plate aguarda — com a vantagem de 2 a 0. E fez isso, mais uma vez, pelas mãos de seu artilheiro eterno. Aquele que, enquanto continuar balançando as redes, fará com que ninguém em Bogotá queira falar em aposentadoria.