- Com o 3 a 1 sobre o Vasco da Gama, o Boca venceu pela primeira vez um confronto no Maracanã e já soma 18 vencidos no Brasil em torneios CONMEBOL.
- É a segunda vez que o 'Xeneize' vira um confronto jogando a volta no Brasil: a primeira foi contra o Paysandu, em 2003, ano em que levantou a CONMEBOL Libertadores.
O Boca Juniors nunca havia vencido um confronto no Maracanã. Conseguiu nesta terça-feira, quando mais precisava. Uma semana depois de perder por 1 a 0 para o Vasco da Gama na Bombonera, a equipe de Rodolfo Arruabarrena venceu por 3 a 1 no Rio de Janeiro, com gols de Lautaro Di Lollo, Miguel Merentiel e Leandro Paredes, e se classificou para a Final da CONMEBOL Sudamericana. Segundo a Opta, é a segunda vez que o 'Xeneize' vira um confronto de torneios CONMEBOL jogando a volta no Brasil. A primeira foi nas Oitavas de Final da CONMEBOL Libertadores de 2003: perdeu por 1 a 0 para o Paysandu em Buenos Aires, venceu por 4 a 2 em Belém com três gols de Guillermo Barros Schelotto e terminou o ano com o troféu.
Desde 1991, quando eliminou o Corinthians nas Oitavas de Final da CONMEBOL Libertadores, o Brasil é uma terra em que o Boca se sente à vontade. Com a classificação contra o Vasco, já são 18 os confrontos que venceu em solo brasileiro em torneios continentais: 12 da CONMEBOL Libertadores, três da CONMEBOL Sudamericana, um da Copa de Ouro, um da Supercopa e um da CONMEBOL Recopa. Quatro deles foram Finais e terminaram em títulos: as CONMEBOL Libertadores de 2000 contra o Palmeiras, de 2003 contra o Santos e de 2007 contra o Grêmio, e a CONMEBOL Recopa de 2006 contra o São Paulo. Palmeiras e São Paulo, com quatro eliminações cada um, são os adversários que mais vezes o viram comemorar em seu país.
Nesse mapa faltava o Maracanã. O jogo desta terça-feira foi o sexto do Boca no estádio por torneios CONMEBOL, o primeiro pela CONMEBOL Sudamericana e sua primeira vitória ali em um mata-mata; o retrospecto ficou em duas vitórias e quatro derrotas. No Rio de Janeiro, já havia comemorado em 2012, quando eliminou o Fluminense nas Quartas de Final da CONMEBOL Libertadores, mas no Maracanã suas grandes noites tinham terminado em derrota: ali perdeu o jogo de ida da Final de 1963 contra o Santos de Pelé, o jogo de volta da Semifinal de 2008 e a Final de 2023, as duas últimas contra o Fluminense.
A vitória também tem peso para além do Boca. Até esta terça-feira, nenhum clube argentino havia vencido no Maracanã pela CONMEBOL Sudamericana: o Independiente foi campeão ali em 2017, mas com um empate por 1 a 1 contra o Flamengo. Um dos protagonistas da noite já sabia o que era vencer naquele estádio neste ano. Sebastián Villa, que deu a assistência para Merentiel no 2 a 0, esteve na vitória por 2 a 1 do Independiente Rivadavia sobre o Fluminense pela Fase de Grupos da CONMEBOL Libertadores, em abril. Com três assistências por cada clube, o colombiano é o jogador com mais assistências em torneios CONMEBOL em 2026.
As Semifinais contra clubes brasileiros também têm um retrospecto favorável. A do Vasco foi o décimo confronto dessa fase que o Boca disputou contra um adversário do Brasil em torneios CONMEBOL, e o clube já havia avançado em sete dos nove anteriores; sete dessas oito classificações foram seladas em território brasileiro. Uma delas foi a da CONMEBOL Sudamericana de 2004 contra o Internacional: 4 a 2 em Buenos Aires, 0 a 0 em Porto Alegre e, depois, o primeiro de seus dois títulos no torneio. Daquele confronto vem outro dado que a noite do Maracanã trouxe de volta: Diego Cagna, que marcou contra o Internacional aos 34 anos, é o único meio-campista do Boca mais velho que Paredes a marcar em uma Semifinal da CONMEBOL Libertadores ou da CONMEBOL Sudamericana. O capitão fez o seu com 32 anos e 113 dias, com o chute de fora da área que fechou o confronto.
A virada também encerrou duas sequências que chegavam firmes ao Rio. Os times brasileiros estavam havia 13 jogos sem perder como mandantes contra adversários argentinos em mata-matas da CONMEBOL Sudamericana, com sete vitórias e seis empates, e o Vasco não havia perdido nem sofrido gols em seus últimos cinco jogos como mandante na edição.
Vários nomes do Boca atual já conheciam esse caminho. Rodolfo Arruabarrena, o treinador, era o lateral-esquerdo da equipe que conquistou a CONMEBOL Libertadores de 2000 em São Paulo, a primeira dessas Finais no Brasil. Juan Román Riquelme, hoje presidente do clube, venceu ali duas de suas três CONMEBOL Libertadores como jogador, em 2000 e 2007, e seu sobrenome deixou marca no país: segundo o censo brasileiro de 2022, 31.684 pessoas têm seu nome ou alguma variação.
O Boca disputará em 21 de novembro, em Barranquilla, sua terceira Final da CONMEBOL Sudamericana, depois das de 2004 e 2005, que venceu. Com essa marca, iguala Atlético Nacional, Lanús e LDU como os clubes com mais Finais do torneio, e na CONMEBOL Libertadores é o que mais disputou, com 12. Se vencer, será o primeiro tricampeão da CONMEBOL Sudamericana. O adversário sairá nesta quarta-feira do Estádio Centenário, onde o Montevideo City Torque recebe o Atlético Mineiro, que venceu o jogo de ida por 3 a 0. E um brasileiro, mais uma vez, pode estar no caminho.