Geração Riquelme: os jogadores brasileiros que receberam seu nome em homenagem ao ídolo argentino

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  • Só no Vasco da Gama, que decide nesta terça-feira contra o Boca Juniors uma vaga na Final da CONMEBOL Sudamericana 2026, há dois jogadores: Riquelme Avellar e Riquelme Carvalho.
     
  • Segundo o último Censo, 31.684 pessoas no Brasil têm o nome “Riquelme” ou alguma variante inspirada em seu sobrenome, como Hickelmy, Rikelme, Riquelmy e Riquelmo.

Antes das Semifinais da CONMEBOL Sudamericana 2026, que serão decididas nesta terça-feira com o jogo de volta no Maracanã (após a derrota do Boca por 1 a 0 em 'La Bombonera'), Vasco da Gama e Boca Juniors haviam se enfrentado quatro vezes, todas em 2001. No primeiro confronto eliminatório, em maio, o Boca eliminou o Vasco nas Quartas de Final da CONMEBOL Libertadores, com um placar agregado de 4 a 0. Depois, as equipes voltariam a se enfrentar duas vezes pela fase de grupos da Copa Mercosul 2001. Naquela edição da CONMEBOL Libertadores, em que o Boca conquistou o bicampeonato consecutivo, Juan Román Riquelme deu verdadeiras demonstrações de talento contra o Vasco, primeiro no Estádio São Januário (0 a 1) e depois em 'La Bombonera' (3 a 0). O goleiro vascaíno que sofreu com suas atuações foi Hélton da Silva Arruda. Em 22 de novembro daquele ano, quase seis meses após a eliminação, Hélton se tornou pai. Seu filho, nascido no Rio de Janeiro, recebeu o nome Hélton Hickelmy, em homenagem a Riquelme, que hoje, 25 anos depois, é presidente do Boca. Hélton foi um pioneiro.

Isso porque o histórico goleiro do Vasco da Gama, multicampeão pelo Porto, de Portugal, onde conquistou 18 títulos entre 2005 e 2016, não seria o último a dar a um filho o nome “Riquelme” ou alguma de suas variações linguísticas. Só no elenco atual do Vasco há dois jogadores que devem seus nomes ao histórico camisa 10 do Boca: Riquelme Avellar da Silva Fortes (20 anos, cinco partidas disputadas na CONMEBOL Sudamericana 2026 pelo 'Gigante da Colina') e Riquelme de Carvalho Araújo Viana (24 anos, 38 jogos com a camisa vascaína, de volta após um empréstimo ao Panserraikos, da Grécia).

No elenco do Atlético Mineiro, que nesta quarta-feira buscará confirmar sua classificação para a Final da CONMEBOL Sudamericana 2026 diante do Montevideo City Torque, no Uruguai, após a vitória por 3 a 0 em casa, também aparece um Riquelme: Riquelme Henrique da Silva Ferreira, de 17 anos. O jovem ainda não estreou pela equipe principal, mas ficou no banco de reservas na derrota por 1 a 0 para o Cienciano, pelo Grupo B desta edição.

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No Fluminense, que nesta quarta-feira tentará reverter em São Paulo a derrota por 2 a 1 para o Palmeiras no Maracanã, pelo jogo de ida das Semifinais da CONMEBOL Libertadores 2026, joga Riquelme Felipe Silva de Almeida, de 19 anos. O jovem ainda não entrou em campo na competição, mas ficou no banco de reservas em quatro partidas desta edição. Já o Palmeiras contava, até setembro passado, quando foi transferido para o Inter Miami, dos Estados Unidos, com Riquelme Fillipi Marinho de Souza, que não disputou nenhum minuto na atual CONMEBOL Libertadores, mas foi relacionado como reserva em quatro jogos.

Ou seja, quatro dos cinco semifinalistas brasileiros da CONMEBOL Sudamericana e da CONMEBOL Libertadores 2026 têm ou tiveram recentemente um Riquelme em seus elencos. A exceção é o Flamengo, que nesta quinta-feira decidirá a Semifinal contra o Estudiantes, no Maracanã, após o empate sem gols em La Plata. Em fevereiro de 2019, durante o trágico incêndio no 'Ninho do Urubu', centro de treinamento das categorias de base do Flamengo, uma das dez vítimas fatais foi Rykelmo de Souza Viana. Ele tinha apenas 16 anos.

Segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mais recente até o momento, 31.684 pessoas no Brasil têm o sobrenome “Riquelme” como nome próprio (25.942) ou alguma de suas variações, como Rikelme, Rickelme, Rykelme, Rikelmi, Riquelmy, Riquelmo e Rykelmo (5.742). A maioria nasceu entre 2000 e 2009, período do auge de Riquelme, o “original”, como jogador, quando foi protagonista das três conquistas da CONMEBOL Libertadores pelo Boca (2000, 2001 e 2007).

Na preparação para o jogo de volta das Quartas de Final da CONMEBOL Sudamericana 2026 contra o São Paulo, no Brasil, Riquelme se encontrou com o jornalista brasileiro Flávio Prado, admirador do argentino e do Boca. "Eu amo o futebol e tenho muita admiração pelos jogadores brasileiros. Saber que pais e mães decidiram dar meu nome aos seus filhos me deixa muito feliz", disse Riquelme, surpreso. E acrescentou: "O Brasil é um país que ama o futebol, adora o futebol como nós. Sentimos o mesmo amor que os brasileiros, e o fato de um pai ou de uma mãe querer dar meu nome aos filhos significa muito para mim. Eu gostaria de conhecer os 30 mil para dar um beijo e um abraço em cada um. Só tenho a dizer obrigado. É um momento de muita felicidade para mim." No documentário El legado de Juan Román Riquelme (O Globo), lançado em maio passado, o icônico camisa 10 havia brincado: "Ah, vou ter que pedir uma camisa para cada um deles."

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Para dimensionar o legado de um sobrenome — e a quantidade de Riquelmes brasileiros —, o segundo nome derivado de um jogador argentino no Censo foi o de Lionel Messi, com apenas 363 pessoas. Em abril passado, durante o Sul-Americano Sub-17, no Paraguai, o Brasil venceu a Argentina por 3 a 0 na fase de grupos. Dois dos gols foram marcados por Riquelme Henrique, atacante do Atlético Mineiro. Um Riquelme brasileiro, um daqueles que receberam esse nome em homenagem a Román, marcando pela primeira vez contra a Argentina.

O Boca tem torcedores brasileiros que não torcem para nenhum outro clube do próprio Brasil. E isso se explica, em grande parte, por Riquelme, considerado pela grande maioria o maior ídolo da história do clube. Pisadas na bola, assistências, gols e aulas de estratégia e geometria com a bola nos pés. Os pais que deram o sobrenome do argentino como nome próprio aos filhos são, em sua maioria, torcedores de rivais tradicionais de Palmeiras e Grêmio, como Corinthians, Santos, São Paulo e Internacional de Porto Alegre. Afinal, duas das três conquistas da CONMEBOL Libertadores de Riquelme aconteceram em solo brasileiro: em 2000, contra o Palmeiras, no Morumbí, e em 2007, diante do Grêmio, no Estádio Olímpico Monumental, em Porto Alegre. Em 2001, o Boca de Carlos Bianchi e Román também eliminou o Palmeiras em uma memorável Semifinal decidida nos pênaltis, no Parque Antártica.

Nesta terça-feira, como presidente do Boca, Riquelme estará no Maracanã, no Rio de Janeiro, para o jogo de volta das Semifinais da CONMEBOL Sudamericana 2026 contra o Vasco da Gama. "Houve uma briga no cartório porque meu pai queria me registrar como 'Riquelme' e minha mãe queria colocar 'Emanoel', mas ele acabou me registrando como 'Riquelme' sem que minha mãe soubesse. Quero conhecer quem inspirou meu nome", havia contado Riquelme Carvalho em 2023. Agora de volta ao Vasco, talvez tenha chegado a oportunidade. Hélton Hickelmy, filho do lendário goleiro Hélton, tem hoje 24 anos. Depois de passar pelas categorias de base do Porto, em Portugal, Hickelmy atua como goleiro em clubes que disputam os campeonatos regionais amadores da Associação de Futebol do Porto.