- A 'Lepra Mendocina' conseguiu um triunfo memorável contra o Fluminense em sua primeira partida como visitante internacional na história
- O conjunto argentino lidera isolado o Grupo C, quatro pontos acima do vice-líder Deportivo La Guaira.
O Independiente Rivadavia se acostumou a escrever uma façanha atrás da outra. Cada triunfo parece insuperável, mas a 'Lepra Mendocina' não conhece limites: semana a semana, sela vitórias que poderiam ser consideradas as mais impactantes em seus 113 anos de história. Além do fato de que cada torcedor poderá escolher seu momento favorito, ninguém poderá discutir uma certeza inquestionável: o time de Alfredo Berti atravessa sua era de ouro.
Após sua estreia vitoriosa em casa contra o Bolívar, o líder absoluto do futebol argentino visitou um cenário mítico como o Estádio do Maracanã e ficou com os três pontos diante do Fluminense, campeão da maior competição do continente em nível de clubes na edição de 2023.
Os gols de Fabrizio Sartori e Alex Arce tingiram de épica a noite no Rio de Janeiro, uma jornada que havia começado com um gol sofrido aos 10 minutos do primeiro tempo após a aparição de Guilherme Arana. Um "Maracanazo" com o sabor agregado da virada, uma festa celebrada pelos torcedores que viajaram para ser testemunhas de outro capítulo inesquecível.
O Fluminense, que vinha de uma derrota no clássico contra o Flamengo no último fim de semana, entrou em campo com a voracidade da revanche. Comandados por Paulo Henrique Ganso e pelo venezuelano Jefferson Savarino, os comandados de Luis Zubeldía impuseram as condições desde cedo e, aos 9 minutos do primeiro tempo, já haviam saído na frente por meio de um chute cruzado de Guilherme Arana, que finalizou após um cruzamento de Savarino. O 'Flu' atacava com muita gente, somando os laterais e até os zagueiros à área rival.
Nessa primeira meia hora de domínio brasileiro, foi fundamental a presença recorrente de Nicolás Bolcato, o jovem goleiro de 21 anos que brilhava sucessivamente a cada aproximação do 'Tricolor'. Durante os 30 minutos iniciais, respondeu a um chute do uruguaio Agustín Canobbio e, mais tarde, negou o segundo gol ao zagueiro Ignácio — os primeiros destaques de um compilado que poderia levar seu próprio nome, já que a tendência se manteria durante toda a noite.
Atrás do placar, o Flu se frustrou repetidas vezes diante da resistência de um herói que, até pouco tempo atrás, era inesperado: Bolcato foi o quarto goleiro do elenco durante 2025, à espera de sua oportunidade atrás de Ezequiel Centurión, Gonzalo Marinelli e Agustín Lastra. A chance finalmente chegou, Alfredo Berti confiou nele, e Bolcato demonstrou suas condições em uma atuação impecável, com defesas contra Juan Pablo Freytes, Ignácio, Arana e Savarino.
Se Bolcato foi a estrela na própria área, o tridente ofensivo da 'Lepra' dividiu a tarefa de construir a virada. Embora ainda não tenha marcado no campeonato, Sebastián Villa assumiu novamente o papel de líder futebolístico: já não é apenas aquele jogador elétrico que desequilibrava graças ao seu talento e potência individual. Mais cerebral, com uma leitura mais profunda do jogo e das necessidades de sua equipe, ele é o maestro da orquestra 'leprosa'.
Seus companheiros apareceram para registrar seus nomes no placar. Fabrizio Sartori foi o encarregado de empatar a partida aos 37 minutos do primeiro tempo, após uma jogada que confirmou aquela máxima do futebol que diz que "dois cabeceios na área terminam em gol". E o paraguaio Alex Arce, aos 6 minutos do segundo tempo, definiu uma jogada que havia começado com um rápido lançamento longo de Bolcato para aproveitar a explosividade de Villa. Após uma série de rebatidas sem sucesso do experiente Fábio, Arce finalizou do coração da área para marcar o 2-1 que seria definitivo.
O Independiente Rivadavia segurou sua vantagem no Maracanã: novamente os ajustes de Berti foram determinantes para corrigir as dificuldades mostradas durante os primeiros trinta minutos. Tomás Bottari, volante com experiência no acesso argentino, trouxe equilíbrio ao meio-campo, e a dupla formada por Leonard Costa e Sheyko Studer frustrou cada aproximação rival. E se o 'Flu' conseguia superar todos esses obstáculos, Bolcato sempre tinha mais uma resposta.
O Independiente Rivadavia lidera o Grupo C com seis pontos, um começo imbatível para um estreante que assumiu o topo à frente de Deportivo La Guaira (2 pontos), Fluminense (1) e Bolívar (1). Enquanto também compete pelo título no âmbito local, no próximo dia 30 de abril o time receberá o Deportivo La Guaira em Mendoza. Já o Fluminense visitará o Bolívar na altitude de La Paz.
Os dados do jogo:
- O Independiente Rivadavia é o segundo time argentino a ganhar do Fluminense no Maracanã em jogos da CONMEBOL Libertadores. O primeiro foi o Argentinos Juniors, na fase de grupos de 1985 (1x0).
- O Independiente Rivadavia ganhou os dois primeiros jogos da sua história na CONMEBOL Libertadores. O último time argentino a conseguir esse feito foi o Tigre, em 2013, triunfando em duas partidas da fase preliminar.
- Álex Arce (Independiente Rivadavia) fez seu segundo gol contra o Fluminense em competições CONMEBOL, depois do tento na ida da Recopa 2024 pela Liga de Quito. O Flu é o terceiro time contra o qual ele tem mais de um gol, assim como Lanús (2) e Deportivo Táchira (4).
- Fábio se tornou o jogador com mais partidas como titular pelo Fluminense em CONMEBOL Libertadores, igualando Fred (29 cada um). Além disso, precisa de só mais um jogo para igualar o recorde geral de partidas na competição (112J, um a menos que os 113J de Ever Hugo Almeida).
- Guilherme Arana fez gol em sua estreia pelo Fluminense em CONMEBOL Libertadores. Ele tem cinco gols em sua carreira na competição, a segunda maior marca de um defensor brasileiro desde 2016, atrás de Reinaldo (6 gols) e empatado com David Braz (5).
- Com a assistência para Arana, Jefferson Savarino chegou a 20 participações diretas em gol na CONMEBOL Libertadores (7G+13A), registrando sua primeira pelo Fluminense. Ele é o venezuelano com mais envolvimentos em gol na competição desde, ao menos, 2013.