- O Independiente del Valle, duas vezes campeão da CONMEBOL Sudamericana, chegou às Oitavas de Final da CONMEBOL Libertadores após terminar na liderança de seu grupo, com 13 pontos.
- O clube de Sangolquí, referência na formação de talentos no continente, tem como objetivo conquistar a CONMEBOL Libertadores: em 2016, chegou à final depois de eliminar Boca Juniors e River Plate. Nas Oitavas de Final, enfrentará o Deportes Tolima.
Chamam o Independiente del Valle de “universidade do futebol sul-americano”, e isso não é exagero de marketing. O clube de Sangolquí, no vale de Los Chillos, a leste de Quito, construiu em menos de duas décadas um dos modelos de formação mais admirados do continente: uma academia, um método e uma filosofia que transformaram uma equipe de bairro — fundada em 1958 e reformulada como projeto em 2007, sob a liderança de Michel Deller — em uma potência que forma, exporta e, como se não bastasse, também conquista títulos.
A lista de jogadores revelados impressiona. Moisés Caicedo saiu de suas categorias de base e, em 2023, protagonizou uma das transferências mais caras da história do futebol britânico ao se transferir para o Chelsea. Willian Pacho conquistou duas vezes a Champions League com o Paris Saint-Germain. Piero Hincapié, do Arsenal, brilha na elite europeia. Kendry Páez, a mais recente joia da base, já tem contrato assinado com o Chelsea, da Inglaterra. A imagem que resume o fenômeno parece saída de um filme: na temporada 2025/26, dois jogadores formados em Sangolquí, Pacho e Hincapié, se enfrentaram em uma final de Champions League. Poucos clubes no mundo podem exibir uma credencial como essa.
Em meio a tanta abundância, a equipe equatoriana busca cumprir seu último grande objetivo: levantar a CONMEBOL Libertadores. O Independiente del Valle conquistou a CONMEBOL Sudamericana em 2019 — com vitória por 3 a 1 sobre o Colón, de Santa Fe, em Assunção — e em 2022 — 2 a 0 sobre o São Paulo, em Córdoba —, além de faturar a CONMEBOL Recopa de 2023 após vencer o Flamengo nos pênaltis no Maracanã. É o clube equatoriano de maior sucesso no cenário continental na última década. A única conquista que ainda falta é a CONMEBOL Libertadores: sua campanha mais próxima do título foi em 2016, quando chegou à final após eliminar Boca Juniors e River Plate, mas acabou derrotado pelo Atlético Nacional.
O presente encontra o clube em uma nova ascensão. Na CONMEBOL Libertadores 2026, com o uruguaio Joaquín Papa no comando, o Independiente del Valle terminou na liderança de seu grupo, com 13 pontos, e confirmou o primeiro lugar na última rodada, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Rosario Central. O elenco combina, como sempre, experiência e juventude: ao lado de referências como Junior Sornoza e Jordy Alcívar, despontam os jovens que a academia revela em série, a próxima geração de uma fábrica que não para de produzir talentos.
Nas Oitavas de Final, o adversário será o Deportes Tolima. O “Vinotinto y Oro”, de Ibagué, fundado em 1954 e três vezes campeão colombiano, tornou-se o último representante de seu país ainda vivo no torneio e chega respaldado por suas credenciais: é uma equipe intensa, com qualidade ofensiva em nomes como Luis Sandoval e Jáder Valencia, e com a ambição de surpreender um dos candidatos que correm por fora. Para o Independiente del Valle, será um teste exigente logo de cara, diante de um rival que não dará facilidades.
A série começará na terça-feira, 11 de agosto, em Ibagué, com mando do Tolima, e será definida na terça-feira, dia 18, no Equador, na casa do “Matagigantes”. O Independiente del Valle sabe que seu lugar na história já está assegurado por tudo o que oferece ao futebol sul-americano: cada craque que exporta é mais uma assinatura nesse título simbólico de universidade do continente. Mas ainda falta o diploma mais importante. E nestas Oitavas de Final, o clube de Sangolquí volta a tentar transformar sua principal pendência na conquista que mudaria sua história para sempre.