Marlon Freitas, o volante que encontrou o gol no momento decisivo

Marlon Freitas celebra su gol para Palmeiras ante Fluminense
  • Formado no Fluminense, Marlon Freitas marcou o segundo gol do Palmeiras no Maracanã.
     
  • Ele já soma neste mata-mata tantas participações diretas em gols quanto em seus outros 30 jogos de CONMEBOL Libertadores: três.

Marlon Freitas aprendeu a jogar futebol em Xerém, o centro de formação do Fluminense, e foi com a camisa tricolor que deu seus primeiros passos como profissional. Por isso, o gol que marcou aos 40' do segundo tempo do jogo de ida das Semifinais da CONMEBOL Libertadores teve um peso especial. Depois de uma sequência de rebotes na área, Felipe Anderson cabeceou para trás e o volante, livre na altura da marca do pênalti, finalizou de direita, rente à trave direita de Fábio. Foi o 2 a 0 do Palmeiras na vitória por 2 a 1 que deixou a equipe paulista a um empate da Final.

Não foi um gol isolado. Segundo a Opta, Marlon soma nas fases eliminatórias desta edição três participações diretas em gols, dois gols e uma assistência, exatamente as mesmas que havia acumulado em todos os seus outros 30 jogos de CONMEBOL Libertadores. E aquelas três tinham sido assistências, todas com a camisa do Botafogo. O volante que durante anos organizou o jogo lá de trás, mais preocupado com o equilíbrio do que com o gol adversário, passou a aparecer na área justamente quando a Copa entrou na reta decisiva, com a chegada de segunda linha como nova ferramenta.

O primeiro desses gols veio na noite mais exigente da campanha. No jogo de volta das Quartas de Final contra a LDU, em Quito, Marlon marcou aos 9' do primeiro tempo e ampliou a vantagem do jogo de ida, em uma partida que o Palmeiras acabou resolvendo nos pênaltis depois da virada de Michael Estrada nos acréscimos.

A cidade tem um lugar especial na sua história. Foi lá que, em 26 de julho de 2017, ele marcou seu primeiro gol com a camisa do Fluminense, contra a Universidad Católica, pela segunda fase da CONMEBOL Sudamericana. “Foi uma partida marcante para mim, tive a oportunidade de fazer o meu primeiro gol com a camisa do Fluminense”, lembrava semanas depois, antes de voltar a Quito para enfrentar a LDU pelas Oitavas de Final daquele torneio. Nove anos mais tarde, a cidade e o adversário se repetiram, e desta vez o gol contra a LDU foi dele, com a camisa do Palmeiras e na CONMEBOL Libertadores.

Aquele Marlon ainda procurava seu lugar. Depois dos empréstimos ao Fort Lauderdale Strikers, nos Estados Unidos, e ao Šamorín, na Eslováquia, passou pelo Criciúma em 2018 e pelo Botafogo de Ribeirão Preto em 2019. A estabilidade chegou no Atlético Goianiense, onde fez mais de 100 jogos entre 2020 e 2022, foi titular absoluto e conquistou dois campeonatos estaduais. Dali deu o salto para o Botafogo, o clube em que se tornou referência: foi capitão e peça-chave da equipe que em 2024 conquistou o Brasileirão e a CONMEBOL Libertadores, com o 3 a 1 sobre o Atlético Mineiro na Final de Buenos Aires.

Em janeiro de 2026, chegou ao Palmeiras com palavras que hoje soam como uma antecipação. “Foi uma boa decisão. O Palmeiras me escolheu e eu escolhi o Palmeiras”, disse em sua apresentação, no dia 8 de janeiro. Falou também de sua versatilidade, “consigo fazer primeiro e segundo volante”, e de um objetivo pessoal: ter “vontade de ser protagonista”. “O meu intuito é ajudar os meus companheiros, conquistar títulos”, completou.

Na equipe de Abel Ferreira, esse protagonismo se mede primeiro com a bola. Segundo a Opta, Marlon chegou às Semifinais como o jogador da Copa com mais passes que quebraram a linha defensiva adversária desde o início da Fase de Grupos, com 18, à frente do companheiro José Manuel López, com 14. É uma das chaves de um Palmeiras que costuma chegar ao gol com poucos passes e que, no Maracanã, preferiu esperar e golpear no contra-ataque.

Os adversários já sabem disso. Em agosto, depois de o Fluminense vencer o Palmeiras por 3 a 2 pelo Brasileirão, Marcão explicou que buscou cortar essa influência com as suas substituições. “A gente estava deixando a bola entrar no Marlon”, admitiu o técnico do ‘Flu’. Dois meses depois, no jogo que mais importava, o volante voltou a ser decisivo, mas desta vez a partir do lugar menos habitual para ele: a área adversária.

Ele não foi o único a voltar a uma casa conhecida. Jhon Arias, campeão da CONMEBOL Libertadores 2023 com o Fluminense, foi titular e conduziu um dos contra-ataques mais perigosos do Palmeiras no segundo tempo. Mas a noite foi de Marlon, que deixou o ‘Verdão’ a 90 minutos da Final de Montevidéu.

O confronto será decidido na quarta-feira, 21 de outubro, no NuBank Parque, onde o empate basta para o Palmeiras. Se conseguir, Marlon terá a oportunidade de disputar sua segunda Final de CONMEBOL Libertadores em três anos, agora com a camisa do clube que o escolheu e que ele escolheu.