- O Estudiantes comemorou no Centenário duas de suas quatro CONMEBOL Libertadores: a primeira, em 1968, e a terceira, em 1970.
- O 'Pincha' volta a Montevidéu no sábado, 28 de novembro, para disputar a Final contra o Palmeiras, o mesmo adversário de 1968, com uruguaios em papéis-chave.
Há estádios que um clube visita e outros que o explicam. Para o Estudiantes, o Centenário de Montevidéu pertence ao segundo grupo: ali comemorou sua primeira CONMEBOL Libertadores, ali selou o tricampeonato e ali voltará no sábado, 28 de novembro, para disputar a Final de 2026 contra o Palmeiras, o mesmo adversário de sua primeira noite de glória.
Aquela vez foi no dia 16 de maio de 1968. O Estudiantes tinha vencido o Palmeiras por 2 a 1 na ida, em La Plata, e perdido a volta por 3 a 1 no Pacaembu, por isso a Final foi decidida em um jogo-desempate na capital uruguaia, diante de cerca de 55 mil pessoas. Do outro lado estava o Palmeiras de Ademir da Guia; no banco do 'Pincha', Osvaldo Zubeldía. Aos 13' do primeiro tempo, Felipe Ribaudo abriu o placar, e aos 37' do segundo tempo Juan Ramón Verón fez o 2 a 0.
Verón, pai do atual presidente do clube de La Plata, relembrou o lance 52 anos depois daquela Final: "Meu gol foi um lançamento longo do Tato Medina, da nossa área, que eu dominei seis metros dentro do campo deles e, depois de cortar para dentro, esperei o goleiro sair para driblá-lo pela direita e finalizar rasteiro". E explicou sua verdadeira dimensão: "Foi um gol inesquecível não só pela beleza, mas porque nos permitiu liquidar o jogo e fazer história".
Um ano depois, o estádio voltou a ser dele. Na ida da Final de 1969, contra o Nacional, uma cobrança de falta de Eduardo Flores garantiu o 1 a 0 no Centenário, e a segunda Copa se completou com o 2 a 0 em La Plata.
A terceira voltou a ser comemorada em Montevidéu, mas de outra forma. Em 1970, não foi preciso jogo-desempate: a Final contra o Peñarol foi definida no jogo de volta, no mesmo palco. Néstor Togneri tinha marcado o 1 a 0 da ida em La Plata, aos 42' do segundo tempo, e o 0 a 0 bastou para o tricampeonato. Do outro lado havia um Peñarol com Elías Figueroa na defesa, e o protagonista estava no outro gol. Verón reconheceu: "O goleiro Pintos foi o destaque daquele dia, defendeu bolas incríveis". Também relembrou o clima entre as duas equipes: "Os uruguaios tinham um grande respeito pelo nosso time, porque os enfrentamos de igual para igual". O Estudiantes comemorou a terceira Copa consecutiva no mesmo estádio onde sua história continental tinha nascido dois anos antes.
Em Finais, o retrospecto do 'Pincha' no Centenário é de quatro jogos: duas vitórias, em 1968 e 1969; um empate, o de 1970; e uma derrota, a de 1971, quando o Nacional venceu a volta por 1 a 0, forçou um jogo-desempate e ficou com o título em Lima. Foi o fim de uma era dourada.
O vínculo continuou neste século. Em 2009, na volta da Semifinal contra o Nacional, Mauro Boselli marcou os dois gols da vitória por 2 a 1, o segundo nos acréscimos, e abriu as portas para a quarta Copa. Naquele Nacional, o camisa 9 era Alexander Medina, que marcou um gol contra o 'Pincha' naquele jogo e hoje é seu técnico. E em 2014, pelas Oitavas de Final da CONMEBOL Sudamericana, o Estudiantes eliminou o Peñarol nos pênaltis no mesmo palco: segundo a Opta, foi sua última disputa de pênaltis vencida em torneios CONMEBOL antes da do Maracanã.
A próxima noite já tem data. Fernando Muslera, que defendeu três pênaltis no Rio de Janeiro, vai disputar a Final em seu país: "Vai ser lindo voltar para casa e jogar a final em outro templo do futebol como o estádio Centenário", disse após a classificação. Medina, que também volta para casa, colocou o foco no caminho percorrido: "Às vezes o caminho é a recompensa, ainda não conquistamos absolutamente nada, mas ninguém tira de nós o que vivemos".
Da última vez que Estudiantes e Palmeiras se enfrentaram nesse estádio com a Copa em jogo, o 'Pincha' saiu campeão da América pela primeira vez. Cinquenta e oito anos depois, o Centenário volta a receber os dois.