Bruno Henrique, o artilheiro mais eficiente da CONMEBOL Libertadores 2026

Bruno Henrique comemora gol do Flamengo sobre o Cusco. Foto: MAURO PIMENTEL / AFP
  • O atacante marcou cinco gols em 13 finalizações, nove delas no alvo.
     
  • Aos 35 anos, iguala sua marca de 2019, ano de seu primeiro título, e fica a apenas um gol de sua melhor temporada na Copa.

Quando o Flamengo divulgou sua escalação em Quito, pouco antes do jogo de ida das Quartas de Final contra o Independiente del Valle, uma escolha chamava a atenção entre os titulares: Bruno Henrique. Leonardo Jardim apostou no atacante de 35 anos para enfrentar a altitude do Estádio Olímpico Atahualpa, e a resposta veio aos 16 minutos do segundo tempo, na primeira finalização no alvo da equipe em toda a noite. Jorginho avançou pelo meio, Samuel Lino cruzou para o segundo pau e Bruno Henrique finalizou de direita para fazer 1 a 0 e abrir caminho para a vitória por 2 a 0. Foi substituído por Pedro a cinco minutos do fim.

Os números da Opta o apontam como o artilheiro mais eficiente da CONMEBOL Libertadores 2026. Bruno Henrique marcou cinco gols em 13 finalizações, nove delas no alvo, e sua taxa de conversão de 38% é a mais alta do torneio entre os jogadores com mais de cinco finalizações. Na artilharia, apenas Álex Arce, com nove gols pelo Independiente Rivadavia, e Carlos González, com sete pelo Independiente del Valle, estão à sua frente. Ambos, porém, precisaram de muito mais tentativas do que o jogador nascido em Belo Horizonte: 24 e 39 finalizações, respectivamente. Aos cinco gols, soma duas assistências, para Luiz Araújo em La Plata, contra o Estudiantes, e Giorgian de Arrascaeta contra o Independiente Medellín, totalizando sete participações diretas em gols do atual campeão.

A trajetória é a de um atacante que não precisa de muitas oportunidades. Marcou na primeira rodada, em Cusco, após assistência de Ayrton Lucas; na vitória por 4 a 1 sobre o Medellín, no Maracanã; duas vezes no triunfo por 3 a 0 contra o Cusco, que encerrou a melhor Fase de Grupos do torneio; e em Quito. Os cinco gols igualam sua marca de 2019, ano em que o Flamengo voltou a conquistar a Copa após 38 anos e em que ele ganhou a primeira de suas três Libertadores. Ficam atrás apenas dos seis gols marcados em 2021. Aos 35 anos, vive sua segunda temporada com mais gols na competição.

Há um detalhe que ajuda a entender como Jardim administra sua utilização. Segundo a Opta, Bruno Henrique é o jogador do Flamengo que mais vezes foi substituído nesta edição, oito, enquanto Pedro é quem mais vezes entrou em campo vindo do banco de reservas, seis. A divisão faz sentido: em dez partidas, Bruno Henrique foi titular em nove e disputou 645 minutos, enquanto Pedro acumulou 250 minutos em oito jogos, com dois gols e três assistências. Um começa as partidas; o outro as termina. No jogo de volta contra o Independiente del Valle, com a classificação ainda em disputa, o camisa 27 voltou a ser substituído aos 25 minutos do segundo tempo, antes da cabeçada de De Arrascaeta que definiu o empate por 1 a 1 e o placar agregado de 3 a 1.

A altitude também não é novidade para ele, mas La Plata apresenta um desafio diferente. O gol em Quito foi seu quarto acima dos 2.000 metros de altitude e o terceiro na capital equatoriana. No Estádio UNO, encontrará a defesa que menos permite ações adversárias dentro de sua área na competição: os rivais do Estudiantes registram, em média, 13,2 ações com a bola na área do ‘Pincha’, o terceiro menor número desde o início da Fase de Grupos, e apenas oito quando a equipe de Alexander Medina joga em La Plata. No gol estará Fernando Muslera, com 900 minutos disputados e 26 defesas, a sétima maior marca desta edição.

O confronto mais recente, porém, traz boas lembranças. No empate por 1 a 1 em abril, em La Plata, Bruno Henrique não marcou, mas deu a assistência para Luiz Araújo no gol do ‘Mengão’, e o Flamengo não perdeu em 20 de seus últimos 21 jogos pela CONMEBOL Libertadores. A única derrota aconteceu naquele mesmo estádio, por 1 a 0, nas Quartas de Final de 2025, em uma série decidida nos pênaltis que terminou com a quarta conquista do clube. Ele participou daquela campanha, assim como das de 2019, 2021 e 2022.

Jardim preferiu falar sobre a equipe após a partida em Quito: “Demos um passo importante, não decisivo, na eliminatória”, afirmou. Na quinta-feira, em La Plata, começa outra. E o atual campeão volta a contar, para a primeira parte do plano e caso seja titular, com o atacante que precisa de menos finalizações para marcar.