- Após eliminar o Fluminense nos pênaltis, o português disputará sua quarta Final da CONMEBOL Libertadores com o Palmeiras e buscará seu terceiro título continental.
- O treinador mais vitorioso da história do Verdão voltará ao Estádio Centenário, onde conquistou o título de 2021, para tentar ampliar uma trajetória que já soma onze troféus.
Abel Ferreira voltará ao palco de uma de suas noites mais felizes. Cinco anos depois de conquistar a CONMEBOL Libertadores 2021 no Estádio Centenário, o treinador português retornará a Montevidéu com o Palmeiras para disputar mais uma Final e buscar sua terceira 'Glória Eterna'. A classificação diante do Fluminense, decidida nos pênaltis no Nubank Parque, garantiu sua quarta presença na decisão do torneio em sete edições à frente da equipe paulista.
O último passo exigiu atravessar mais uma noite de tensão. Depois de vencer por 2 a 1 no Maracanã, o Palmeiras perdeu por 1 a 0 na volta, com gol de Hércules, e precisou decidir a igualdade no placar agregado nas cobranças de pênaltis. Carlos Miguel defendeu a cobrança de Nonato, e Marlon Freitas converteu o chute que selou o 5 a 3 na disputa. O Verdão voltou a superar um mata-mata nos pênaltis e deixou seu treinador a uma partida de mais uma conquista continental.
Em 30 de outubro de 2020, o Palmeiras anunciou um treinador português de 41 anos que poucos conheciam no Brasil. Quase seis anos depois, Abel Ferreira é o técnico mais vitorioso da história do clube paulista, o estrangeiro com mais títulos no futebol brasileiro e o homem que transformou o Verdão em presença constante nas fases decisivas da CONMEBOL Libertadores. Os números dispensam adjetivos.
Onze títulos em quase seis anos. A lista começa em plena pandemia de COVID-19, com a CONMEBOL Libertadores 2020, conquistada em 30 de janeiro de 2021 no Maracanã, com o gol de Breno Lopes aos 90+9 minutos contra o Santos; passa pela Copa do Brasil 2020; pela CONMEBOL Libertadores 2021, no Centenário de Montevidéu, com o gol de Deyverson na prorrogação contra o Flamengo; pela CONMEBOL Recopa 2022; pelos Brasileirões de 2022 e 2023; pela Supercopa do Brasil 2023; e pelos Paulistas de 2022, 2023, 2024 e 2026.
Com o último, em 8 de março, superou os dez títulos de Oswaldo Brandão; atrás ficaram Vanderlei Luxemburgo, com oito, e Luiz Felipe Scolari, com seis. Desde o Brasileirão 2023, também é o técnico estrangeiro com mais títulos na história do futebol brasileiro, à frente do uruguaio Félix Magno.
O bicampeonato continental é o coração dessa trajetória. O Palmeiras conquistou duas edições consecutivas da CONMEBOL Libertadores, em 2020 e 2021, e, desde então, esteve entre os quatro melhores quase todos os anos: semifinalista em 2022, eliminado pelo Athletico Paranaense; semifinalista em 2023, quando caiu nos pênaltis diante do Boca Juniors; finalista em 2025, quando perdeu por 1 a 0 para o Flamengo em Lima, com gol de Danilo; e novamente finalista em 2026.
A única exceção foi 2024, com a eliminação nas Oitavas de Final diante do Botafogo. São seis Semifinais em sete participações e quatro classificações para a decisão do título. A permanência entre os protagonistas da competição explica parte do legado de Abel: mesmo depois das derrotas, o Palmeiras encontrou uma maneira de voltar.
O caminho deste ano teve sobressaltos. Nas Oitavas de Final, o Verdão eliminou o Cerro Porteño com um empate por 1 a 1 em São Paulo e uma vitória por 1 a 0 em Assunção. Nas Quartas, sobreviveu à LDU: venceu por 1 a 0 em casa, perdeu por 3 a 2 na altitude, com dois gols de Michael Estrada nos acréscimos, e ganhou por 4 a 3 nos pênaltis, graças a duas defesas de Carlos Miguel.
“Felizmente, hoje a maldição dos pênaltis acabou”, disse naquela noite Vitor Castanheira, auxiliar do treinador, que não pôde falar porque havia sido expulso. A classificação diante do Fluminense prolongou aquele alívio: pela segunda fase consecutiva, o Palmeiras decidiu nos pênaltis um confronto que ameaçava encerrar seu sonho.
O detalhe importa porque ajuda a entender o personagem. Abel Ferreira comanda com o coração na boca, como ele mesmo diz, e essa intensidade também o expôs a punições e à necessidade de explicar suas palavras. Em setembro, depois de uma declaração que soou como uma despedida antecipada, pediu desculpas à torcida: “Voltei a ver e não gostei. Mais do que as palavras, são as atitudes. Respeito muito a história do Palmeiras, ninguém é maior do que o Palmeiras. Amo estar no Palmeiras”.
Seu vínculo com o clube vai até dezembro de 2027, em sintonia com o mandato da presidente Leila Pereira. A renovação veio depois de um 2025 sem títulos e com três vice-campeonatos: o Paulista, o Brasileirão e a CONMEBOL Libertadores. A continuidade sustentou um projeto que voltou a comemorar nesta temporada e que agora terá mais uma oportunidade de alcançar o topo do continente.
“Recordes, tempo... Não é isso que me move”, havia dito em janeiro, quando se tornou o primeiro treinador em trinta anos a iniciar seis temporadas consecutivas à frente de um clube brasileiro, algo que não acontecia desde Telê Santana no São Paulo, entre 1990 e 1995.
O que o move está agora a uma partida de distância. Em 28 de novembro, o Palmeiras enfrentará no Estádio Centenário o vencedor do confronto entre Flamengo e Estudiantes. Ali, Abel buscará sua terceira 'Glória Eterna' e a quarta do clube, em uma cidade que já ocupa um lugar especial em sua história.
Cinco anos depois de sua última conquista continental, o português voltará ao mesmo palco. O desafio será fazer com que o desfecho também se repita.