Tomás Aranda, a promessa que se tornou o camisa 10 do Boca

Tomás Aranda
  • O meio-campista de 19 anos, elogiado por Leandro Paredes e Lionel Scaloni, herdou uma das camisas mais emblemáticas do ‘Xeneize’.
     
  • Aranda foi o jogador de maior destaque do Boca Juniors na exigente série contra o O’Higgins pelos Playoffs das Oitavas de Final da CONMEBOL Sudamericana.

Leandro Paredes, grande referência de um Boca Juniors lançado em busca de novos desafios internacionais, não hesitou quando foi perguntado sobre o futuro do clube: “Há muita qualidade, muito futuro nas categorias de base. Mas acho que hoje, vendo o Tomás (Aranda), pela forma como joga, pela intenção de jogo que tem, pela qualidade e também pela maneira como entende o futebol, é um dos que mais chamam minha atenção”.

“Espero que ele continue aproveitando, crescendo, que eu possa seguir ajudando e que ele possa nos ajudar muito”, completou o capitão. As palavras refletem a sintonia futebolística que o renovado Boca vem desfrutando: Paredes encontrou em Aranda um parceiro dentro de campo, e o clube identificou nele o líder de uma dupla irreverente formada nas categorias de base e completada por Leonel Flores.

Depois de algumas dúvidas no início de 2026 e de uma sequência de resultados decepcionantes, o então treinador Claudio Úbeda mudou o sistema tático e recorreu a um jovem que sequer havia participado da pré-temporada para assumir a função de meia-armador que um dia pertenceu a Juan Román Riquelme.

E Aranda, que foi capitão da categoria Sub-17 e vestiu a camisa 10 do time de Reservas bicampeão em 2025, correspondeu com sobras. Diante das baixas por lesão de Alan Velasco e Carlos Palacios, o jovem nascido em 2007 fez sua estreia pelo ‘Xeneize’ com alguns minutos na derrota diante do Estudiantes de La Plata.

Suas aparições foram se tornando cada vez mais promissoras. Os rumores sobre a possível contratação de outro meio-campista criativo cresciam, mas internamente o Boca já sabia que tinha uma alternativa formada em suas próprias categorias de base.

A aposta se consolidou na visita ao Lanús, campeão da CONMEBOL Sudamericana 2025 e da CONMEBOL Recopa 2026 diante do Flamengo. O Boca teve uma de suas melhores atuações do ano na contundente vitória por 3 a 0 em ‘La Fortaleza’, e Aranda brilhou com seu talento e sua personalidade. Coroou a atuação com uma assistência para Miguel Merentiel e recebeu sua primeira grande ovação pelo esforço demonstrado também na recomposição e na recuperação da bola.

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Aranda durante el primer semestre

“Este é o meu estilo de jogo. Nesta partida, contra um bom adversário, saíram os gols, que é o mais importante. Todos me dizem para continuar fazendo o que me trouxe até aqui, seguir trabalhando com humildade, porque as coisas vão continuar acontecendo”, refletiu na ocasião.

“Admiro muito o Román, o Neymar e o Messi, que são minhas referências. Também o Lea Paredes”, acrescentou o meio-campista.

Aranda começou como titular nas quatro partidas seguintes e marcou seu primeiro gol como profissional em 22 de março, na vitória por 2 a 0 sobre o Instituto. A comemoração em lágrimas emocionou a La Bombonera e confirmou que a relação entre o jovem e a torcida começava a se tornar algo especial.

“É um garoto de 18 anos que joga de maneira impressionante. Está fazendo seus primeiros jogos na Primeira Divisão e está atuando como poucos. É uma joia que temos no clube e precisamos aproveitá-lo muito”, elogiou seu companheiro Adam Barreiro.

As boas atuações renderam sua convocação para a Seleção Argentina Sub-20, uma chamada com prêmio duplo que coroou um mês de março dos sonhos. Além de vestir a camisa ‘Albiceleste’ em um amistoso contra os Estados Unidos sob o comando de Diego Placente, Aranda treinou com a seleção principal e teve a oportunidade de dividir o elenco com Lionel Messi.

Lionel Scaloni, sempre comedido em suas declarações, também destacou seu surgimento: “É um jogador muito interessante. A carreira dele está apenas começando, está em um dos clubes mais exigentes do mundo e é preciso dar tempo. Tem vontade, personalidade e um contra um”.

Em abril, a nova joia ‘Xeneize’ voltou a se destacar contra o Talleres, em Córdoba, e conduziu sua equipe a uma vitória indispensável para a campanha local. Carlos Tevez, ídolo do Boca, também elogiou aquele que se tornaria herdeiro da camisa 10 que o próprio ‘Carlitos’ vestiu: “É um garoto que parece ter dez anos de Primeira Divisão. Hoje o vi ao vivo e continuo pensando a mesma coisa”.

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Aranda se escapa a la marca de O'Higgins

De possível herdeiro a dono da 10

Aquilo que em abril surgia como uma possibilidade se transformou em realidade durante a segunda metade de 2026. Após a saída de Edinson Cavani, o Boca decidiu entregar a camisa 10 a Aranda, que havia completado 19 anos em maio. “É preciso sempre dar algo a mais com esta camisa, ainda mais com o número que me cabe vestir”, reconheceu o jovem diante da responsabilidade de carregar um dos dorsais mais emblemáticos do futebol sul-americano.

Seu primeiro grande teste internacional com a 10 nas costas aconteceu diante do O’Higgins, pelos Playoffs das Oitavas de Final da CONMEBOL Sudamericana. Aranda foi titular nas duas partidas e terminou como o jogador de maior destaque do Boca em uma série de alta exigência contra um adversário valente.

Na La Bombonera, a equipe comandada por Rodolfo Arruabarrena venceu por 1 a 0 graças ao gol de Miguel Merentiel e viajou ao Chile com uma vantagem mínima. Já com a histórica camisa, Aranda assumiu um papel importante na construção das jogadas e integrou uma equipe que combinou a experiência de Paredes com a juventude de vários jogadores formados nas categorias de base.

A revanche em Rancagua apresentou um cenário ainda mais complexo. Em um gramado afetado pela chuva e diante de um O’Higgins que manteve sua histórica força como mandante, o jovem meio-campista foi o principal argumento ofensivo do ‘Xeneize’. Movimentou-se entre as linhas, liderou as transições e terminou a partida com cinco finalizações, mais do que qualquer outro jogador do Boca.

Quando Francisco González marcou o 1 a 0 e igualou o placar agregado, Aranda assumiu ainda mais responsabilidades. Na última jogada da partida, finalizou e obrigou Omar Carabalí a fazer sua primeira defesa em toda a noite, ficando muito perto de evitar a decisão nos pênaltis.

Também assumiu uma das cobranças na disputa. Carabalí defendeu sua finalização: Aranda tentou uma cavadinha, e o goleiro acertou ao permanecer no centro do gol. Imediatamente, o capitão Leandro Paredes correu para abraçá-lo, acolhendo aquele que havia liderado a reação azul e ouro durante a noite em Rancagua. As cobranças convertidas pelo próprio Paredes, Merentiel, Nicolás Figal e Lautaro Blanco permitiram que o Boca vencesse por 4 a 3 e garantisse a classificação às Oitavas de Final, fase em que enfrentará o Recoleta.

Tomás Aranda tinha apenas 43 dias de vida quando o Boca conquistou sua sexta CONMEBOL Libertadores. Em 20 de junho de 2007, a equipe de Miguel Ángel Russo confirmou, no Estádio Olímpico Monumental de Porto Alegre, o título diante do Grêmio. Dezenove anos depois, aquele menino que sonhava em jogar na La Bombonera já é uma das principais esperanças esportivas do clube. De capitão e camisa 10 do time de Reservas, passou a ser o dono do mesmo número na equipe principal. A promessa deixou de ser apenas uma aparição: Aranda já começou a escrever sua própria história com a 10 do Boca.