- Terceiro time com mais gols na Fase de Grupos da CONMEBOL Sudamericana 2026, atrás apenas de Botafogo e Bragantino, a equipe uruguaia aguarda nas Oitavas o vencedor de Nacional x Tigre
- “Creemos mucho en nuestro modelo de juego y nos hemos cansado de escuchar: ‘Torque juega lindo pero no gana’. Lejos de cambiar, reafirmamos el camino”, afirmou o treinador dos ‘Citadinos’
Atrás do Botafogo, do Brasil, único time que venceu as seis partidas da Fase de Grupos da CONMEBOL Sudamericana 2026, com 15 gols marcados, e do Bragantino, também do Brasil, com 12, o Montevideo City Torque dirigido por Marcelo Méndez surpreendeu com seu jogo propositivo. O City Torque marcou 11 gols em seis partidas e, líder do Grupo F, classificou-se para as Oitavas, à frente do Grêmio, do Brasil. Agora, aguardará o vencedor do confronto entre Nacional, do Uruguai — com a possibilidade de um duelo ‘charrúa’ —, e Tigre, da Argentina.
O poder de fogo do City Torque se explica, em parte, pelo fato de todos os clubes que compõem o City Group — cuja principal referência é o Manchester City, da Inglaterra — compartilharem uma filosofia matriz: priorizar o protagonismo, a intenção de sair jogando desde a defesa, o bom trato da bola, a pressão pós-perda e a linha defensiva adiantada, sempre adaptando esses princípios às características de cada elenco e à idiossincrasia local.
Com apenas 18 anos de história, o Montevideo City Torque disputa a CONMEBOL Sudamericana pela segunda vez — a primeira havia sido em 2021 —, depois de eliminar o Defensor na Fase Preliminar. Após passagens por Godoy Cruz, da Argentina, e Colo Colo, do Chile, o atacante uruguaio Salomón Rodríguez — 11 gols em 22 partidas em 2026 — é o artilheiro do City Torque, com três gols, e também o principal goleador da equipe até aqui na CONMEBOL Sudamericana 2026.
Marcelo Méndez, após sua passagem pelo futebol argentino no Gimnasia La Plata, assumiu o City Torque em julho de 2025. “Acreditamos muito em nosso modelo de jogo e nos cansamos de ouvir: ‘O Torque joga bonito, mas não ganha’. Longe de mudar, reafirmamos o caminho”, afirmou Méndez, já classificado para as Oitavas, no fim de maio passado, à rádio El Espectador Deportes, do Uruguai. A equipe pode variar de um 4-3-3 ofensivo para um 5-4-1 em linha, mas não abre mão das diretrizes gerais do clube e do próprio treinador.
Em 2024, quando era treinador do Gimnasia La Plata, Méndez havia dito em entrevista ao Tiempo Argentino: “Muitas vezes, o jogador joga para não errar em vez de jogar para acertar, e não assume riscos por esse medo de errar. É difícil, mas faz parte do jogo e da vida: arriscar, jogar e, se errar, aprender para não voltar a cometer o mesmo erro. Às vezes, o que se diz ou o que está em jogo pesa muito, e parece melhor não tentar, não errar e passar despercebido, em vez de arriscar, porque, se eu erro, fico exposto. Essa é a mensagem que nós, treinadores, passamos. Se você diz ‘jogue’, perdemos a bola e vem a bronca, ou perdemos a bola e todos me apoiam para que eu continue jogando. O jogador percebe isso; por isso, a mensagem de cada treinador é muito importante”.
A mensagem de Marcelo Méndez parece ter encontrado eco no City Torque.