- O River terminou a partida contra o Blooming com onze jogadores formados em suas categorias de base, uma demonstração do peso histórico de sua cantera.
- Dos nove gols da equipe na atual CONMEBOL Sudamericana, cinco foram marcados por jogadores revelados pelo celeiro riverplatense.
As categorias de base do River voltam a ser protagonistas no cenário continental: de campeões mundiais a figuras decisivas na atual CONMEBOL Sudamericana, o clube segue demonstrando que sua tradição formadora permanece intacta.
Os 125 anos de história do River Plate têm uma característica em comum: seu celeiro, que até hoje segue sendo uma das bases mais sólidas do futebol sul-americano.
Terminar a partida contra o Blooming, pela última rodada da CONMEBOL Sudamericana, com a equipe argentina inteiramente formada por jogadores revelados em suas categorias de base é uma imagem que resume décadas de trabalho formativo e uma identidade futebolística construída dentro de casa.
Nomes próprios com peso específico
A história do celeiro do River também se explica a partir de uma lista de nomes que marcaram diferentes épocas do futebol argentino e mundial. De suas categorias de base surgiram figuras como Ángel Labruna, um dos maiores ídolos e artilheiro histórico do clube; Amadeo Carrizo, goleiro revolucionário e emblema da posição; Alfredo Di Stéfano, símbolo universal do jogo; Omar Sívori, Bola de Ouro na Europa; Daniel Passarella, capitão campeão do mundo em 1978; e, mais recentemente, jogadores como Hernán Crespo, Marcelo Gallardo, Ariel Ortega, Pablo Aimar, Javier Mascherano, Javier Saviola, Andrés D’Alessandro, Enzo Fernández e Franco Mastantuono. Todos, com estilos e trajetórias diferentes, ajudaram a construir uma tradição formadora que transformou o River em uma referência permanente para a Seleção Argentina e para o mercado internacional.
A base Millonaria não alimentou historicamente apenas a equipe principal, mas também a Seleção Argentina. Atualmente, o elenco conta com quatro campeões do mundo no Catar 2022, entre eles Gonzalo Montiel e Germán Pezzella, dois jogadores nascidos futebolisticamente no clube. Ambos representam um percurso quase típico: crescimento nas categorias de base, consolidação na equipe principal e salto ao mais alto nível internacional.
O valor de seus jovens também ficou marcado em alguns dos capítulos mais importantes da história recente do clube de Núñez. Na inesquecível final da CONMEBOL Libertadores de 2018 contra o Boca Juniors, em Madri, o River apostou em jovens formados em casa como Gonzalo Montiel, Exequiel Palacios e Julián Álvarez, que tinha apenas 18 anos quando somou minutos em uma das vitórias mais transcendentes de sua história.
Algo semelhante ocorreu na última conquista internacional do clube na CONMEBOL Sudamericana, em 2014. Na vitória por 2 a 0 sobre o Atlético Nacional na decisão, o River teve forte presença de jogadores revelados em suas categorias de base: Ramiro Funes Mori, Germán Pezzella, Matías Kranevitter, Sebastián Driussi e Fernando Cavenaghi fizeram parte daquela equipe campeã que reafirmou a importância da base como coluna vertebral do projeto esportivo.
Os jovens na atual edição da Grande Conquista
A atualidade também sustenta essa tradição. Na presente edição da CONMEBOL Sudamericana, cinco dos nove gols marcados pelo River foram obra de jogadores formados no celeiro do clube.
Nas duas primeiras rodadas, o atacante Sebastián Driussi foi o grande destaque do Millonario: marcou no empate por 1 a 1 contra o Blooming, na Bolívia, e na vitória por 1 a 0 como mandante diante do Carabobo.
A terceira rodada exibiu um triunfo sustentado por jogadores revelados nas categorias de base. O goleiro Santiago Beltrán defendeu um pênalti de Sasha para manter sua meta invicta, e Lucas Martínez Quarta marcou o gol agônico do 1 a 0 do River contra o Bragantino, no Brasil.
Lautaro Pereyra marcou seu primeiro gol na equipe principal na quinta rodada, também contra o Bragantino, como mandante, para decretar o 1 a 1 nos minutos finais. E, na sexta rodada, os comandados por Eduardo Coudet venceram o Blooming por 3 a 0: o terceiro gol foi obra de Lucas Silva, jovem meio-campista de 19 anos.
Para além dos resultados, o River mantém uma filosofia que atravessa gerações. De figuras históricas a campeões do mundo, passando por protagonistas de títulos continentais, as categorias de base continuam sendo uma marca distintiva de um clube que não deixa de produzir talentos e que volta a confirmar que grande parte de sua identidade nasce dentro de casa.