- O argentino marcou o único gol da ida em Bragança e fechou a volta com uma roubada de bola e uma finalização nos acréscimos: dele foram dois dos três tentos do 'Galo' no confronto diante de seu ex-clube.
- O Atlético Mineiro, atual vice-campeão da competição, enfrentará nas Quartas de Final o vencedor da chave entre Macará e Santos.
Os mata-matas costumam ter um dono, e o de Atlético Mineiro e Red Bull Bragantino o teve com nome, sobrenome e passado nos dois vestiários: Tomás Cuello. O argentino marcou o único gol da ida em Bragança Paulista e, quando a volta na Arena MRV caminhava para os pênaltis, apareceu outra vez, com uma roubada de bola no meio de campo e uma arrancada até a área para selar o 2 a 2 que valeu um agregado de 3 a 2. Dele foram dois dos três gols do 'Galo' na chave, ambos contra o clube que o levou ao Brasil. A equipe de Eduardo Domínguez está nas Quartas de Final da CONMEBOL Sul-Americana e deve a vaga, sobretudo, ao seu camisa 28.
O capítulo final foi puro drama. O Bragantino fez méritos de sobra para levar a decisão aos pênaltis: golpeou no último lance do primeiro tempo com o gol de Ramires, sofreu o empate de Maycon aos 7 da etapa final e voltou a ficar em vantagem — igualando o agregado — aos 36 do segundo tempo com a cabeçada de Eduardo Sasha, dominando a volta em quase todos os números. Mas, no segundo minuto dos acréscimos, Barbosa — que pouco antes havia desperdiçado uma chance claríssima debaixo da trave — perdeu uma bola no meio de campo e Cuello a roubou para correr sozinho até a entrada da área e finalizar junto ao pau direito do goleiro. Não houve tempo para mais nada: o bote do argentino transformou uma noite de sofrimento em classificação.
A história vinha de uma semana antes. Na ida, em 12 de agosto, Cuello havia aproveitado uma bola que Cleiton não conseguiu segurar para marcar o 1 a 0 em Bragança Paulista, seu primeiro grito nesta CONMEBOL Sul-Americana depois de uma Fase de Grupos em que havia distribuído quatro assistências — duas contra o Juventud, duas contra o Cienciano — sem balançar as redes. Foi, além disso, seu primeiro gol em torneios CONMEBOL em um ano, desde aquele tento contra o Godoy Cruz pelas Oitavas de 2025. Naquela noite, o 'Galo' finalizou 10 vezes contra 22 do rival, embora ambos tenham igualado em grandes chances e em gols esperados (1,5): a diferença foi a eficácia, e a eficácia foi Cuello.
A chave teve, ainda, um tempero inevitável: a lei do ex. Cuello defendeu a camisa do Red Bull Bragantino entre 2020 e 2021, disputou 13 partidas de CONMEBOL Sul-Americana por aquela equipe e foi titular na final única de 2021, em Montevidéu. Poucos conheciam tão bem o rival das Oitavas; nenhum o machucou tanto.
O perfil explica o personagem. Nascido em Tucumán e formado no Atlético daquela província, cruzou para o Brasil em 2020 e construiu sua carreira entre Bragantino e Athletico Paranaense antes de o Atlético Mineiro comprá-lo em janeiro de 2025, como quinto reforço daquela janela e com contrato até o fim de 2028. No setor ofensivo que integra ao lado de Bernard, Reinier e Cassierra, sua marca nunca foi o gol, e sim a pressão, o sacrifício e o último passe: essa dupla função de recuperar e pisar na área rival que Domínguez tanto valoriza e que na Fase de Grupos havia se traduzido em assistências.
Por isso o gol da volta funciona como síntese perfeita de seu jogo: o lance que colocou o 'Galo' nas Quartas nasceu de sua virtude mais antiga — a recuperação — e terminou com a faceta que estava estreando nesta edição do torneio, a finalização. Cuello já não apenas fabrica gols alheios; agora também grita os próprios, e nos momentos em que mais pesam.
Com o confronto encerrado, o Atlético Mineiro, atual vice-campeão da competição, espera nas Quartas de Final pelo vencedor da chave entre Macará e Santos, que será definida nesta quinta-feira nos 2.500 metros de altitude de Ambato, com vantagem de 2 a 1 para o 'Peixe'. Se o 'Galo' quiser voltar a brigar pela Grande Conquista, já sabe que tem no tucumano muito mais do que um fabricante de gols alheios: tem o homem que, quando o confronto pediu, o definiu duas vezes.