Paulo Henrique Ganso, um talento marcado pela CONMEBOL Libertadores

Paulo Henrique Ganso vs Platense
  • O meio-campista conquistou a ‘Glória Eterna’ com o Santos em 2011 e voltou a levantar o troféu 12 anos depois como uma das peças fundamentais do Fluminense.
     
  • Aos 36 anos, o ‘camisa 10’ mantém intacta sua capacidade de interpretar o jogo: foi decisivo na partida de ida contra o Platense, e o Fluminense já está entre os quatro melhores da América.

Paulo Henrique Ganso deixa sua marca na CONMEBOL Libertadores há mais de uma década e meia. Desde sua ascensão naquele inesquecível Santos liderado por uma nova geração de talentos, com Neymar à frente, até o presente como uma das grandes referências do Fluminense, o meio-campista construiu uma longa relação com a principal competição de clubes da América do Sul.

Sua primeira conquista chegou em 2011. Aos 21 anos, fez parte de uma equipe que também tinha Ney como grande destaque e devolveu o Santos ao topo do continente depois de 48 anos. Se Ney representava a magia combinada com a velocidade, Ganso personificava a genialidade da pausa. Titular na partida de volta, levantou o troféu após a vitória por 2 a 1 sobre o Peñarol.

No ano seguinte, voltou a alcançar as Semifinais com o Santos antes de seguir sua carreira no São Paulo. Por lá, também acumulou grandes noites continentais e fez parte da equipe que conquistou a CONMEBOL Sudamericana de 2012. Na CONMEBOL Libertadores, sua melhor campanha com o ‘Tricolor Paulista’ aconteceu em 2016, quando novamente avançou até as Semifinais e terminou a competição como o maior garçom do torneio.

Depois de suas experiências europeias no Sevilla, da Espanha, e no Amiens, da França, Ganso retornou ao futebol brasileiro para defender o Fluminense em 2019. Sua chegada deu início a uma relação que superou todas as etapas anteriores: encontrou continuidade, criou identificação com o clube e se transformou em uma das principais referências futebolísticas de um ciclo histórico.

Imagem
Paulo Henrique Ganso - Neymar

O retorno ao topo da América

Doze anos depois de sua primeira conquista, Ganso voltou a levantar a CONMEBOL Libertadores. O meio-campista disputou 12 das 13 partidas do Fluminense na campanha de 2023 e foi titular na vitória por 2 a 1 sobre o Boca Juniors na Final disputada no Maracanã. Grande parte da estrutura de Fernando Diniz girava ao seu redor: sua visão de jogo, precisão, qualidade e inteligência foram determinantes.

Além de suas participações diretas nos gols, sua capacidade de controlar o ritmo, encontrar espaços e se associar aos atacantes foi fundamental para o funcionamento da equipe. A conquista também lhe permitiu entrar para o seleto grupo de jogadores que venceram a CONMEBOL Libertadores por dois clubes brasileiros diferentes.

Seu currículo continental traduz a dimensão dessa trajetória. Ganso conquistou duas CONMEBOL Libertadores — Santos 2011 e Fluminense 2023 —, duas CONMEBOL Recopas — Santos 2012 e Fluminense 2024 — e a CONMEBOL Sudamericana de 2012 com o São Paulo. São cinco títulos continentais com três camisas diferentes.

Em fevereiro de 2026, alcançou a marca de 300 partidas pelo Fluminense. Até aquele momento, acumulava 28 gols e 35 assistências, além de ter se tornado o sexto jogador com mais atuações pelo clube no século XXI. Seu vínculo foi renovado até dezembro de 2026, uma demonstração do espaço que ocupa dentro do elenco e de sua identificação com a instituição. No Fluminense, não há dúvidas: ele é um dos pilares do ciclo recente do clube.

Imagem
Ganso vs Boca en la CONMEBOL Libertadores 2023

Decisivo aos 36 anos

A partida de volta das Quartas de Final voltou a mostrar que sua influência resiste à passagem do tempo. Na vitória por 2 a 0 sobre o Platense, Ganso teve participação decisiva nas duas jogadas que fizeram a diferença: aos 20 minutos do primeiro tempo, recuperou a bola no campo adversário e deu início à jogada que terminou na finalização de Nonato. Nove minutos depois, encontrou espaço entre as linhas da equipe argentina e deu um passe primoroso para Hulk entrar na área e marcar o segundo gol.

Ganso chegou àquela partida como o segundo jogador com mais atuações pelo Fluminense na história da CONMEBOL Libertadores, atrás apenas de Martinelli. Sua influência não pode ser explicada apenas pelos números: o brasileiro mantém a pausa para escolher o momento certo, a visão para quebrar linhas e uma sensibilidade especial para servir seus companheiros.

Em Vicente López, o Fluminense precisou sofrer para completar o trabalho. O Platense igualou a série durante o primeiro tempo com gols de Guido Mainero e Bruno Sepúlveda, mas a equipe brasileira reagiu depois do intervalo e Agustín Canobbio marcou o gol que acabou sendo decisivo. A derrota por 2 a 1 permitiu ao ‘Flu’ sustentar a vantagem construída no Maracanã e avançar às Semifinais com um placar agregado de 3 a 2. Ganso voltou a ser titular em uma noite que ampliou ainda mais sua longa história na CONMEBOL Libertadores.

Do Santos ao Fluminense, com uma passagem importante pelo São Paulo, Paulo Henrique Ganso construiu uma carreira profundamente ligada às competições continentais. Quinze anos depois de sua primeira conquista, o ‘camisa 10’ voltará a disputar uma Semifinal da CONMEBOL Libertadores e mantém viva a possibilidade de lutar por sua terceira ‘Glória Eterna’. Aos 36 anos, sua história com a competição ainda tem capítulos por escrever.