Henrique da Silva: o último brasileiro a conquistar a CONMEBOL Libertadores fora do Brasil

Henrique
  • O lateral-esquerdo foi campeão em 2002 pelo Olimpia-PAR
     
  • Oito jogadores e dois técnicos podem repetir o feito 24 anos depois

O número de times brasileiros campeões da CONMEBOL Libertadores não para de crescer nos últimos anos. Com isso, logicamente a quantidade de atletas do Brasil vencedores também tem aumentado. Mas existe um fenômeno que ainda segue raro: brasileiros que chegaram ao título continental mais importante da América do Sul em clubes de outros países. Uma das provas disso é que o último a conseguir essa façanha foi Henrique da Silva, lateral esquerdo do Olimpia-PAR na campanha que levou o Decano a alcançar a Glória Eterna pela terceira vez. 

Henrique é natural de Arraial do Cabo e começou a carreira na Cabofriense entre o final da década de 1980 e começo dos anos 1990. Ainda no futebol carioca, foi campeão da terceira divisão estadual com o Apollo. Mesmo com o título, abandonou a carreira de jogador por algum tempo, até chegar ao Paraguai, em 1995: primeiro no Cerro Corá e, em 1997, no tradicional Cerro Porteño. No ano seguinte, disputou pela primeira vez a CONMEBOL Libertadores, alcançando a semifinal, sendo eliminado pelo Barcelona-EQU, em um confronto que foi decidido apenas nos pênaltis. 

Depois da passagem pelo Ciclón, atuou no futebol argentino, no Platense e Ferro Carril Oeste, além de voltar ao futebol brasileiro e jogar pelo Atlético Mineiro. Mas era mais uma vez no Paraguai que Henrique estava destinado a brilhar.

Chegou ao Olímpia em 2000, mas o auge foi dois anos depois: em 2002, ano do centenário do clube, Henrique da Silva foi titular em todos os jogos de uma campanha inesquecível, na qual o Decano enfrentou times como Boca Juniors e Grêmio no mata-mata, até chegar na grande final contra o São Caetano, grande surpresa da época. Na decisão, o clube do ABC paulista saiu com a vantagem de 1 a 0 no jogo de ida, no Paraguai, e sofreu a virada no Pacaembu, 2 a 1, resultado que levou a decisão para os pênaltis. Henrique nem precisou ir até a marca da cal, já que os paraguaios não erraram nenhuma cobrança e venceram por 4 a 2, se consagrando tricampeões da América. 

Apesar do jogador brasileiro ser um dos principais “produtos de exportação” nacional, o fluxo de saída para atuar em clubes da América do Sul não é dos mais comuns. O país é líder em atletas expatriados a nível mundial de acordo com o relatório do CIES Football Observatory, de maio de 2025. Mas, a nível de transações continentais, o Brasil está apenas na quinta colocação. Entre os 10 principais destinos dos brasileiros, nenhum está na América do Sul.

Além de Henrique, são poucos brasileiros que conquistaram a CONMEBOL Libertadores por equipes estrangeiras: Mílton Alves da Silva, o Salvador, ídolo do Internacional nos anos 1950, foi jogador do Peñarol na mesma década, responsável nada mais nada menos por substituir Obdulio Varela, campeão mundial com a seleção uruguaia em 1950. Em 1960, se sagrou campeão da CONMEBOL Libertadores, participando das duas partidas finais, justamente contra o Olimpia.

Outro brasileiro também campeão continental atuando pelo Peñarol é Jair Gonçalves Prates. Em 1982, o "Príncipe Jajá” foi outro gaúcho com passagem pelo Internacional que encontrou a Glória Eterna no Carbonero.

Na edição de 2026, são oito jogadores brasileiros que vão tentar aumentar essa lista, além de dois técnicos: o treinador Tiago Nunes, da LDU-EQU, terá entre seus comandados o atacante Deyverson, campeão da CONMEBOL Libertadores em 2021. Já Paulo Autuori, do Sporting Cristal-PER, irá comandar Cristiano, Gustavo Cazonatti e Gabriel. Além deles, Lucas Monzón (Junior-COL), Miguel Silveira (Universitário-PER) e Neto Volpi (Tolima-COL) serão os outros atletas em busca de igualar a rara tarefa de um brasileiro campeão continental por um clube estrangeiro.