- O Coquimbo Unido perdia para o Platense, mas encontrou na entrada de Guido Vadalá o catalisador para chegar ao empate
- O dono da camisa 10 dos ‘Piratas’ marcou o gol da igualdade, um grande resultado para sua equipe rumo à definição das Oitavas de Final no Chile
Guido Vadalá ganhou espaço no noticiário internacional cedo demais. Tinha apenas 12 anos quando, na Europa, depois de passar por testes em La Masía e na Atalanta, da Itália, começaram a se perguntar se ele seria o próximo Lionel Messi. Mais velho, mas ainda sem ter atingido a maioridade, um vídeo correu o mundo quando atuava pela sexta divisão das categorias de base do Boca Juniors: em uma tarde ensolarada, marcou sete gols contra o Argentinos Juniors. O ‘Xeneize’ tinha em suas mãos a próxima joia do futebol argentino.
Carlos Bianchi, um dos maiores ídolos da história azul e ouro, pediu sua incorporação ao elenco profissional em 2014 e o fez estrear em um amistoso contra o Estudiantes de La Plata, em janeiro daquele ano. Quase um ano depois, faria sua estreia oficial pela equipe principal do clube de La Boca, durante a primeira passagem de Rodolfo Arruabarrena, em uma atuação de destaque pela CONMEBOL Libertadores diante do Palestino: naquela noite, deu a assistência para Jonathan Calleri marcar o 2 a 0 definitivo. “Quero aproveitar esta oportunidade para permanecer no elenco”, declarava então, ainda adolescente.
O futuro parecia promissor, mas Vadalá continuaria sua carreira em um gigante da Europa. O Boca negociava o retorno de Carlos Tevez e a jovem promessa foi incluída no pacote que viabilizou a operação: foi emprestado por duas temporadas. Sem sequência na equipe principal, retornou à ‘La Bombonera’ em agosto de 2016 e foi cedido por um ano ao Unión de Santa Fe, onde somou minutos em cerca de vinte partidas. De volta ao Boca para a temporada 2017/18, suas boas atuações na equipe Reserva lhe permitiram ganhar espaço sob o comando de Guillermo Barros Schelotto: Vadalá chegou inclusive a ser titular e marcou seu único gol com a camisa ‘Xeneize’ diante do Arsenal de Sarandí.
Mas, no Boca, não teve mais oportunidades e acabou se transferindo para a Universidad de Concepción, iniciando um caminho que o levaria por diferentes pontos do continente americano: vestiu as camisas do Deportes Tolima, da Colômbia; do Charlotte, dos Estados Unidos; e de Sarmiento de Junín, Mitre de Santiago del Estero e Alvarado, todos da Argentina, antes de se mudar para a Bolívia em 2025. Foi no Blooming que completou a melhor temporada de sua carreira: marcou 18 gols e distribuiu 13 assistências em 44 partidas, tornando-se a principal referência do sistema ofensivo e uma das lideranças do elenco. “Hoje chegou o momento de encerrar uma etapa muito importante da minha carreira. Este foi um lugar onde me senti feliz, valorizado e acolhido, algo que levarei para sempre comigo”, afirmou após sua transferência para o Coquimbo Unido.
Era Natal no Chile quando o ‘Pirata’ oficializou a contratação de Vadalá, escolhido para substituir Matías Palavecino. O campeão chileno não apostava mais na promessa projetada durante seus tempos de Boca Juniors: foi buscar o jogador que havia demonstrado ser na Bolívia. “El Mago chega ao campeão”, anunciou o clube. E o ‘Mago’ correspondeu: autor de dois gols durante a Fase de Grupos da CONMEBOL Libertadores, sua entrada diante do Platense, em Vicente López, provocou uma revolução em apenas trinta minutos.
Com a camisa 10 nas costas, Vadalá mudou a partida. Seu impacto foi imediato: um minuto depois de entrar em campo, um passe em profundidade deixou Lucas Pratto cara a cara com o goleiro adversário em uma jogada que depois seria anulada. Sua presença elevou o nível de qualidade e hierarquia do ataque chileno, mas ganharia uma dimensão ainda maior aos 49 minutos do segundo tempo, quando finalizou com precisão diante da saída desesperada de Juan Pablo Cozzani para decretar o empate definitivo por 1 a 1 na noite de Buenos Aires.
"Estou feliz por ter marcado o gol no fim. O mais importante é que ele tenha servido para a equipe. A gente sempre se imagina como protagonista e sonha que isso aconteça. Às vezes não acontece, mas hoje aconteceu. Agora precisamos nos preparar para continuar fazendo história", declarou após a confirmação do empate com sabor de vitória.
Para o Coquimbo e Vadalá, a história tem duas partes. A primeira é coletiva: a equipe quer continuar ampliando a melhor campanha de sua história, depois de alcançar as Oitavas de Final pela primeira vez, após ter se despedido na Fase de Grupos em sua única participação anterior, na edição de 1992.
No plano individual, Vadalá poderá continuar engrandecendo sua trajetória no clube chileno quando, na próxima quarta-feira, o Coquimbo Unido receber o Platense no Chile: com o gol marcado em Vicente López, igualou Pedro González, autor de três gols em 1992, como o maior artilheiro da equipe na história da CONMEBOL Libertadores.