Dois goleiros, duas disputas de pênaltis e uma Final: Carlos Miguel x Muslera

Carlos Miguel ataja en la tanda de penales
  • Carlos Miguel defendeu três pênaltis nas duas disputas vencidas pelo Palmeiras nesta edição, contra a LDU Quito e o Fluminense.
     
  • Fernando Muslera, por sua vez, defendeu três cobranças na Semifinal do Estudiantes contra o Flamengo, no Maracanã.

As duas Semifinais da CONMEBOL Libertadores 2026 foram decididas nos pênaltis, e em ambas o protagonista estava debaixo das traves. No Nubank Parque, Carlos Miguel defendeu a quarta cobrança do Fluminense, batida por Nonato, e o Palmeiras venceu a disputa por 5 a 3. Um dia depois, no Maracanã, Fernando Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique, e o Estudiantes eliminou o Flamengo por 3 a 2. No sábado, 28 de novembro, os dois se enfrentarão na Final, no Estádio Centenário, em Montevidéu, em jogo único: se o empate persistir após a prorrogação, o título também será decidido na marca do pênalti.

Para o goleiro do Palmeiras, foi a segunda noite desse tipo nesta edição. No jogo de volta das Quartas de Final, no Equador, a LDU Quito havia virado a partida com dois gols de Michael Estrada a partir dos 90 minutos e forçado a decisão. Carlos Miguel defendeu as cobranças de Lucas Rodríguez e Luis Segovia, e o Verdão venceu por 4 a 3. Segundo a Opta, ele se tornou o segundo goleiro do clube a defender pelo menos dois pênaltis em uma mesma disputa de CONMEBOL Libertadores, depois de Marcos, que havia conseguido o feito contra o Peñarol em 2000, o Cruzeiro em 2001 e o Sport Recife em 2009. Contra o Fluminense, após o gol de Hércules aos 37 minutos do segundo tempo, que deixou o placar agregado empatado em 2 a 2, ele saltou para a esquerda para defender a cobrança de Nonato, e Marlon Freitas fechou a série.

Sua oportunidade no gol veio após muita paciência. Formado nas categorias de base de Flamengo e Internacional, disputou posição com Cássio, campeão da CONMEBOL Libertadores em 2012, no Corinthians, até conquistar a titularidade em 2024. Em agosto de 2025, voltou ao Brasil após uma breve passagem pelo Nottingham Forest e, em outubro daquele ano, uma lesão de Weverton, protagonista dos títulos de 2020 e 2021, abriu caminho para que assumisse a posição de titular. E ele não a largou mais. O goleiro de 2,04 metros prefere não revelar como estuda os cobradores de pênaltis. "Trabalhamos muito no dia a dia. Sobre a estratégia que utilizo, não gosto de falar com ninguém. Tenho uma longa carreira pela frente e não vou revelar toda a minha lógica logo no começo", explicou após a classificação em Quito.

Do outro lado estará um uruguaio de 40 anos que esperou a carreira inteira por esta Final. Muslera deixou o Nacional ainda muito jovem rumo à Itália, passou quase duas décadas na Europa, entre Lazio e Galatasaray, e chegou ao Estudiantes em junho de 2025. No Maracanã, após dois empates por 0 a 0, a classificação ficou em suas mãos. Segundo a Opta, nenhum goleiro havia defendido um pênalti cobrado por Jorginho com a camisa do Flamengo: o meio-campista havia convertido suas 12 cobranças anteriores. E nenhum goleiro defendia três pênaltis em uma mesma disputa de CONMEBOL Libertadores, sem contar as fases preliminares, desde Agustín Orión, pelo Boca Juniors contra o Nacional, nas Quartas de Final de 2016. "Nos pênaltis, o goleiro tem essa vantagem de poder contribuir", resumiu após a disputa.

A noite teve sabor de revanche. Treze meses antes, nas Quartas de Final de 2025, o Flamengo havia eliminado o Estudiantes em uma disputa por pênaltis em La Plata, com duas defesas de Agustín Rossi. Muslera, além disso, já sabia o que era conquistar um título com o Pincha nos pênaltis: foi protagonista da disputa contra o Racing que deu ao clube o Torneio Clausura 2025. Alexander Medina, seu treinador, destacou sua atuação após o jogo no Maracanã: "Se hoje estamos em uma Final, é fruto da grande atuação dele. Fico muito feliz por ele, porque passou por momentos difíceis".

A história dos clubes também tem seu peso. O Palmeiras venceu 10 das 14 disputas de pênaltis que protagonizou na CONMEBOL Libertadores, e apenas o Boca Juniors, com 11 vitórias em 17 disputas, comemorou mais vezes. Venceu as sete disputas contra equipes brasileiras, enquanto suas quatro derrotas foram diante de adversários estrangeiros, três delas para o Xeneize. Conhece os dois lados de uma Final decidida na marca do pênalti: em 1999, com Marcos no gol, venceu o Deportivo Cali e conquistou sua primeira Gloria Eterna; um ano depois, pela mesma via, perdeu a Final para o Boca. Sob o comando de Abel Ferreira, venceu três das quatro disputas que protagonizou e, em 2026, voltou a comemorar duas vitórias em uma mesma edição, como em 1999, 2000 e 2001.

O Estudiantes, por sua vez, chegou ao Rio de Janeiro com uma história a mudar. A disputa no Maracanã foi a primeira que venceu na CONMEBOL Libertadores: havia perdido as quatro anteriores, três delas contra equipes brasileiras. A última vitória em uma disputa de pênaltis em competições da CONMEBOL havia acontecido em um palco conhecido: em 2014, pelas Oitavas de Final da CONMEBOL Sudamericana, eliminou o Peñarol nos pênaltis no Centenário.

O estádio de Montevidéu também conhece Finais decididas dessa maneira. Foi lá que, em 1977, aconteceu o jogo de desempate entre Boca e Cruzeiro, decidido por 5 a 4 nos pênaltis, com a defesa de Hugo Gatti na cobrança de Vanderlei. Quarenta e nove anos depois, Carlos Miguel e Muslera chegarão ao mesmo palco tendo as disputas desta edição como cartão de visitas. Para o uruguaio, além disso, será um retorno para casa: "Será bonito voltar para casa e disputar a final em outro templo do futebol, como o Estádio Centenário".