- O uruguaio entrou aos 14' do segundo tempo contra o Independiente del Valle, com o Flamengo em desvantagem e com dez, e aos 38' marcou o 1 a 1 que selou a vaga nas Semifinais.
- Participou diretamente de gol nos últimos três confrontos eliminatórios do 'Fla' na CONMEBOL Libertadores.
Giorgian De Arrascaeta começou no banco a noite mais incômoda do Flamengo nesta CONMEBOL Libertadores e a terminou como o homem que a resolveu. Leonardo Jardim o mandou a campo aos 14' do segundo tempo, com o Independiente del Valle em vantagem por 1 a 0 no Maracanã, e seis minutos depois o 'Fla' ficou com dez pela expulsão de Jorginho. Aos 38' do segundo tempo, um lançamento longo de Agustín Rossi encobriu o goleiro equatoriano e o uruguaio chegou antes de todos para cabecear o 1 a 1 que fechou o confronto em 3 a 1 no agregado e colocou o atual campeão nas Semifinais pelo segundo ano consecutivo. Foi sua partida de número 102 na Copa, e mais uma vez a bola passou por ele na única coisa que importava.
O gol confirma um padrão que a Opta colocou em números: De Arrascaeta participou diretamente de gol nos últimos três confrontos eliminatórios do Flamengo na CONMEBOL Libertadores, com o gol desta noite, o gol no 2 a 1 sobre o Cruzeiro na volta das Oitavas e a assistência na Final vencida por 1 a 0 diante do Palmeiras em 2025. Três instâncias decisivas, três aparições. E o de hoje teve um tempero extra: foi seu primeiro gol nesta edição saindo do banco.
A história recente explica por que ninguém no Maracanã se surpreendeu. Um mês atrás, contra o Cruzeiro, seu ex-clube, o uruguaio havia chegado aos 100 jogos na CONMEBOL Libertadores e comemorou à sua maneira, com um golaço e um passe decisivo que valeram a classificação carioca às Quartas de Final. Aquela noite do "centenário" foi uma síntese de sua carreira: aos 35' da volta das Oitavas, arrancou pela esquerda, tabelou com Pedro e finalizou cruzado, de primeira e no ângulo, para abrir o placar. E quando o Cruzeiro havia empatado e o confronto caminhava para os pênaltis, apareceu outra vez com um passe entre linhas que resultou na assistência de Pedro para o gol decisivo de Samuel Lino.
A radiografia de sua trajetória fala de três camisas e uma vida inteira na CONMEBOL Libertadores. Dos 102 jogos, 71 foram pelo Flamengo, 19 pelo Cruzeiro e 12 pelo Defensor Sporting, o clube onde estreou no torneio em 2014. O gol desta quinta-feira foi, além disso, o de número 20 de sua conta pessoal na Copa: 14 pelo time carioca, 4 pela 'Raposa' e 2 pela equipe uruguaia. Ao chegar aos 100 jogos, tornou-se o oitavo futebolista da história a alcançar essa marca e apenas o quarto jogador de linha, atrás de Enzo Pérez (110), Sergio Aquino (107) e Lucas Pratto (104): território historicamente dominado por goleiros, onde o uruguaio se move como exceção.
Mas há um registro que o retrata melhor do que qualquer outro, porque fala de vigência sustentada: De Arrascaeta marcou nas Oitavas de Final de cinco edições diferentes da CONMEBOL Libertadores (2014, 2018, 2021, 2025 e 2026), o número mais alto de qualquer futebolista desde sua estreia na competição. Em toda a história, só Riquelme o supera: o ídolo do Boca marcou nas Oitavas de seis edições (2000, 2001, 2007, 2008, 2012 e 2013). A comparação não é casual: trata-se de dois camisas 10 que fizeram dessa fase um cenário "confortável". Doze anos separam o primeiro grito do uruguaio na Copa do deste ano, uma longevidade futebolística reservada aos escolhidos: mudou de país, de clube e de contexto, e a Copa continuou encontrando-o em modo decisivo.
A trajetória explica o acúmulo. De Arrascaeta se apresentou na competição com a camisa do Defensor Sporting, cruzou para o Brasil para vestir a do Cruzeiro e, desde 2019, tornou-se o coração criativo do Flamengo, com o qual conquistou três vezes a Glória Eterna: 2019, 2022 e 2025. É, a esta altura, muito mais do que um futebolista de categoria: é uma instituição dentro do clube mais vencedor da era recente da CONMEBOL Libertadores, e o parceiro preferido de um ataque em que convivem Pedro, Samuel Lino e Bruno Henrique, entre outros.
O que vem a seguir é a Semifinal contra o Estudiantes, o adversário que o Flamengo eliminou nos pênaltis nas Quartas de Final de 2025, no caminho para sua quarta coroa. Para o uruguaio, aos 32 anos, será mais um confronto de uma história que não mostra sinais de fim. Enquanto isso, cada noite como a desta quinta-feira alimenta a comparação com os melhores criadores que passaram pelo torneio. No Maracanã já não se perguntam se De Arrascaeta está entre os grandes maestros da história da Libertadores: perguntam-se até onde ele pode chegar.