Agustín Rossi, o goleiro que deu uma assistência para levar o Flamengo às Semifinais

Agustín Rossi, el arquero que dio una asistencia clave para Flamengo
  • O lançamento longo do argentino aos 38' do segundo tempo contra o Independiente del Valle terminou na cabeçada certeira de Giorgian De Arrascaeta.
     
  • Campeão da edição 2025 e dono do recorde de minutos sem sofrer gols pelo Flamengo, Rossi volta a cruzar nas Semifinais com o Estudiantes, o adversário que eliminou com dois pênaltis defendidos no ano passado.

Os goleiros não aparecem nas estatísticas de assistências, exceto quando acontece algo raro. Aos 38' do segundo tempo da volta contra o Independiente del Valle, com o Flamengo perdendo por 1 a 0 na partida –e vencendo por 2 a 1 no agregado– e com dez jogadores, Agustín Rossi deu um lançamento longo de sua área com a bola em movimento. A bola quicou, encobriu seu colega Aldair Quintana e Giorgian De Arrascaeta cabeceou para o gol para o 1 a 1 que valeu a classificação às Semifinais da CONMEBOL Libertadores. Segundo a Opta, é a primeira assistência de um goleiro em fases finais do torneio desde que há registros, em 2013. Contando a Fase de Grupos e as preliminares, apenas onze goleiros haviam dado um passe para gol nesse período; nenhum em uma noite de mata-mata.

O dado é uma raridade, mas o protagonista não. Rossi chegou ao Flamengo em julho de 2023, depois de um pré-contrato anunciado em janeiro daquele ano, com vínculo até o fim de 2027 e o rótulo de reserva imediato de Santos. Vinha do Boca Juniors, onde jogava desde 2017, com passagens anteriores por Chacarita, onde foi formado, Estudiantes e Defensa y Justicia, e empréstimos a Antofagasta e Lanús. No Maracanã, não demorou a ficar com a posição, e desde então construiu uma carreira repleta de títulos: Campeonato Carioca de 2024, 2025 e 2026, Copa do Brasil de 2024, Supercopa do Brasil de 2025, o Brasileirão de 2025 e, sobretudo, a CONMEBOL Libertadores de 2025, a quarta do clube.

Aquela campanha o teve como um dos pilares. Antes da Final contra o Palmeiras, Rossi acumulava oito partidas sem sofrer gols em doze apresentações, a melhor marca de qualquer goleiro da edição, e em Lima fechou o título com mais um jogo sem ser vazado no 1 a 0. No clube tem, ainda, o recorde de minutos consecutivos sem sofrer gols, 1.029, e em outubro passado se tornou o segundo goleiro estrangeiro a chegar aos 100 jogos com a camisa do 'Fla'.

Sua especialidade, até esta quinta-feira, eram os pênaltis. Desde 2018, Rossi defendeu seis em disputas de CONMEBOL Libertadores, e nesse período só Sergio Romero, com sete, o supera. Duas dessas defesas vieram na decisão das Quartas de Final de 2025 contra o Estudiantes, quando o confronto havia terminado 2 a 2 e o Flamengo avançou por 4 a 2 nos pênaltis no caminho para a 'Glória Eterna'.

A assistência para o uruguaio não responde a uma especialidade, mas sim ao melhor momento de sua carreira. Um lançamento longo no instante em que o Flamengo, com um homem a menos, precisava chegar rápido ao outro gol resultou em uma marca sem registro. Que tenha terminado em gol tem tanto de leitura quanto de sorte, mas o registro está lá: em treze anos de dados da Opta, nenhum goleiro havia fabricado um gol em um confronto eliminatório da Copa, e o primeiro o fez em uma partida que decidia um lugar entre os quatro melhores.

O que vem a seguir tem um nome conhecido. O Flamengo disputará as Semifinais contra o Estudiantes, o mesmo adversário que Rossi despachou da edição passada com dois pênaltis defendidos. Um ano depois, o goleiro argentino chega ao reencontro com uma credencial nova, que não constava em nenhuma súmula até esta quinta-feira à noite no Maracanã.