Pela segunda: os campeões que disputarão a CONMEBOL Sudamericana em 2026

San Lorenzo campeón de la Sudamericana 2002
  • Cinco equipes participantes já conhecem a glória na competição
     
  • No próximo 19 de março conhecerão seu destino no sorteio da Fase de Grupos
     

A CONMEBOL Sudamericana contará com uma presença importante de campeões que buscarão ampliar seu histórico com um novo título continental. Em um torneio que promete ser competitivo, exigente e emocionante como na última edição, a experiência de já ter levantado o troféu pode se transformar em um diferencial tanto na Fase de Grupos quanto nas etapas eliminatórias.

San Lorenzo, Cienciano, São Paulo, River Plate e Racing Club integram esse seleto grupo de equipes que já conquistaram a Copa e agora retornam ao cenário com o desafio de repetir o feito. O sorteio do próximo 19 de março marcará o ponto de partida de uma nova ilusão, com exceção do Cienciano, que na fase preliminar eliminou seu compatriota Melgar nos pênaltis.

Com a lembrança de suas conquistas ainda viva na memória dos torcedores, os cinco clubes se preparam para escrever um novo capítulo. Às vésperas de conhecerem seus próximos adversários, relembramos as campanhas que os levaram à glória, antes de suas estreias na Fase de Grupos.

San Lorenzo - 2002 

A façanha do ‘Ciclón’ será insuperável: foi o campeão da primeira edição. Aquele time comandado por Rubén Darío Insúa conquistou seu segundo título internacional após o elenco de Boedo iniciar sua trajetória continental ao levantar a Mercosur 2001, sob a direção de Manuel Pellegrini. Apesar da troca no comando e de algumas saídas no elenco, o San Lorenzo foi capaz de reafirmar seu protagonismo na CONMEBOL Sudamericana.

Com Leandro Romagnoli como eixo criativo da equipe vestindo a camisa 10 e uma temível dupla ofensiva formada por Rodrigo Astudillo — artilheiro do torneio — e Alberto Acosta, o San Lorenzo eliminou o Monagas com goleada nas oitavas de final, superou o Racing Club no duelo entre gigantes argentinos nas quartas, virou a série no Nuevo Gasómetro nas semifinais após a derrota inicial diante do Bolívar em La Paz e encaminhou a conquista com um inesquecível 4–0 sobre o Atlético Nacional no Estádio Atanasio Girardot. No jogo de volta, um empate por 0–0 foi suficiente para erguer o troféu, que voltaria a ser ampliado em 2014, com a conquista de sua primeira CONMEBOL Libertadores.

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Cienciano campeón de la Sudamericana

Cienciano - 2003 

A equipe de Cusco escreveu uma das maiores façanhas da história do futebol peruano ao se tornar o único clube do país a conquistar um torneio internacional. O Cienciano construiu uma campanha memorável, na qual foi derrubando prognósticos e superando adversários de peso até chegar à final. Com um jogo combativo, organizado e com a força de sua localidade como aliada, o conjunto peruano cresceu partida após partida, alimentando uma ilusão que acabaria se transformando em história pura.

Os gols de Germán Carty lideraram uma formação inesquecível que deu seu primeiro grande sinal de ambição ao eliminar o tradicional Alianza Lima na fase inicial. Já nas oitavas de final, protagonizou uma série dramática diante da Universidad Católica do Chile, superou o sempre poderoso Santos nas quartas, conquistou uma vitória memorável fora de casa contra o Atlético Nacional nas semifinais e alcançou um triunfo histórico na decisão diante do River Plate.

O jogo de ida, no Estádio Monumental e diante de 65 mil torcedores, foi mais um capítulo épico da campanha: arrancou um 3–3 graças ao doblete de Giuliano Portilla e Germán Carty contra um River que contava com Eduardo Coudet — hoje seu treinador —, Luis González, Marcelo Gallardo, Javier Mascherano, Daniel Montenegro, Maximiliano López e Marcelo Salas. Em Arequipa, em uma partida travada e intensa, o zagueiro Carlos Lugo marcou aos 33 minutos do segundo tempo o gol que selou uma conquista épica.

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Sao Paulo Sudamericana 2012

São Paulo - 2012 

Foi uma campanha implacável do ‘Tricolor’: não sofreu derrotas e levou apenas dois gols em dez partidas. Com o grande capitão Rogério Ceni sob as traves, a solidez defensiva construída em torno de Rafael Tolói, o talento individual de um jovem Lucas Moura e o impacto ofensivo de Luis Fabiano, o São Paulo começou goleando o Bahia na segunda fase.

Nas oitavas de final, arrancou um empate no Equador diante da Liga de Loja, resultado que garantiu a classificação às quartas, onde exibiu todo o seu poder ofensivo contra a Universidad de Chile, vencida por 7–0 no agregado. Nas semifinais, repetiu a dose diante de outro rival chileno: conquistou um empate com gols em San Carlos de Apoquindo e, após o 0–0 no Morumbí, avançou à final, na qual derrotou o Tigre, da Argentina.

O ‘Tricolor’ retorna à CONMEBOL Sudamericana com todo o seu pedigree continental sobre os ombros: foi tricampeão da CONMEBOL Libertadores, bicampeão da Intercontinental e campeão do Mundial de Clubes.

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River campeón de la Sudamericana

River - 2014 

A edição de 2014 da CONMEBOL Sudamericana é uma lembrança feliz para os torcedores por partida dupla: pela alegria que representou, à época, uma campanha que encerrou 17 anos de jejum internacional e porque, em retrospectiva, aquele primeiro passo foi o pontapé inicial da fase mais gloriosa de sua história no cenário continental.

O ‘Millonario’ começou a construir a estirpe copeira que demonstraria nos anos seguintes como protagonista constante da CONMEBOL Libertadores. Mas, antes de todas as façanhas que viria a alcançar, o time de Marcelo Gallardo estreou com uma série vitoriosa diante do Godoy Cruz na segunda fase, mostrou caráter com um grande segundo tempo na visita ao Libertad, no Paraguai, pelas quartas de final, e voltou a afirmar sua personalidade diante do Estudiantes, que, após perder em casa no jogo de ida, havia igualado o placar agregado no início do segundo tempo da volta. O River resolveu aquele desafio com dois gols em dois minutos para avançar a uma semifinal que se tornaria a pedra angular do projeto.

O Boca Juniors, seu clássico rival, mediria o crescimento futebolístico por uma vaga na final. Os antecedentes em confrontos internacionais não eram favoráveis para a ‘Banda’, que arrancou um empate sem gols no jogo de ida, na La Bombonera. Na volta, em um Monumental à beira da ebulição, o goleiro Marcelo Barovero realizou um milagre quando a noite ameaçava se transformar em pesadelo: aos 3 minutos do primeiro tempo, defendeu um pênalti de Emmanuel Gigliotti. Impulsionado pela epopeia de ‘Trapito’, Leandro Pisculichi apareceu aos 16 minutos da etapa inicial para marcar o único gol da partida.

O River havia superado uma semifinal com clima de final antecipada, mas o Atlético Nacional estava pronto para interromper sua trajetória. No jogo de ida, novamente Pisculichi surgiu para garantir um valioso 1–1 no Atanasio Girardot, resultado que oferecia vantagem para a volta, embora a tensão fosse inevitável diante de um adversário liderado por Edwin Cardona e com Franco Armani no gol.

O time mandante quebrou o equilíbrio com gols de Gabriel Mercado e Germán Pezzella no segundo tempo, desencadeando a festa em um estádio que se acostumaria a celebrar: meses depois, conquistaria sua terceira CONMEBOL Libertadores e, em 2018, voltaria a derrotar o Boca para levantar seu quarto título continental. Agora, já sem Gallardo, mas com a esperança renovada pela chegada de Eduardo Coudet, o universo do River aguarda que esta Sudamericana represente mais um início glorioso.

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Gustavo Costas celebra la Sudamericana

Racing - 2024 

Quando Gustavo Costas, campeão como jogador da Supercopa 1988 e também como mascote do “Equipo de José” que conquistou a CONMEBOL Libertadores de 1967, retornou ao clube de seus amores, fez uma promessa: “Conquistar algo internacional é o que mais quero e o que o torcedor do Racing deseja. Não devemos mais apenas competir nas Copas, devemos vencê-las. Precisamos dar esse salto, vim para levar o Racing ao mais alto nível. Acho que todos temos o mesmo objetivo: dirigentes, comissão técnica, jogadores e torcedores”.

E Costas cumpriu: construiu um Racing à imagem e semelhança de seu amor pelo clube, um reflexo de sua torcida. Além do nível futebolístico, a equipe ‘Académica’ jamais se rendia e lutava por cada bola como se fosse a última. Cada partida era uma final para um time que terminou a Fase de Grupos na liderança do Grupo H e goleou o Huachipato, do Chile, nas oitavas de final.

Nas quartas de final começou sua trajetória diante de adversários brasileiros, encadeando vitória após vitória. Nas quartas, caiu como visitante por 1–0 diante do Athletico Paranaense, mas em Avellaneda reagiu em grande estilo com um categórico 4–1 que não deixou dúvidas. Nas semifinais, despachou o Corinthians, demonstrando sua capacidade de reação diante da adversidade: no jogo de ida empatou 2–2 após abrir o placar aos seis minutos e ver o rival virar para 2–1 antes do intervalo; na volta, saiu novamente atrás logo aos seis minutos, mas o talentoso Juan Fernando Quintero apareceu duas vezes para garantir a vaga na final.

Diante do Cruzeiro, em Assunção, completou uma das melhores atuações do ciclo: abriu o placar aos 15 minutos do primeiro tempo com Gastón Martirena, ampliou cinco minutos depois com o artilheiro Adrián Martínez e Roger Martínez deu números finais à partida nos acréscimos. Protagonista também na CONMEBOL Libertadores 2025, onde alcançou as semifinais antes de cair diante do Flamengo, o time retornará à Sudamericana com o objetivo de repetir o feito.

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Marcelo Gallardo festeja