- Será a terceira decisão entre brasileiros e argentinos, depois de Racing–Cruzeiro em 2024 e Lanús–Atlético Mineiro em 2025.
- Os alvicelestes venceram cinco das sete anteriores, incluindo as últimas quatro; os verde-amarelos comemoraram em 2008, com o Internacional, e em 2012, com o São Paulo.
Na noite de terça-feira, 20 de outubro, o Boca fez no Maracanã algo que nenhum clube argentino havia conseguido na CONMEBOL Sudamericana: vencer naquele estádio. A vitória por 3 a 1 sobre o Vasco da Gama, com o gol de Leandro Paredes nos minutos finais, carimbou o passaporte para Barranquilla e prolongou uma história que o torneio repete com cada vez mais frequência. No sábado, 21 de novembro, no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, Boca e Atlético Mineiro vão disputar a oitava Final entre um clube argentino e um brasileiro, a terceira consecutiva, depois de Racing–Cruzeiro em 2024 e Lanús–Atlético Mineiro em 2025.
O retrospecto favorece os argentinos, que venceram cinco dessas sete Finais, incluindo as últimas quatro. A primeira foi em 2008, quando o Internacional venceu o jogo de ida contra o Estudiantes, em La Plata, e completou o título com um 1 a 1 na prorrogação da volta, em Porto Alegre. A outra, em 2012, foi definida pelo São Paulo com um 2 a 0 sobre o Tigre no Morumbi: Lucas Moura marcou um gol e deu a assistência para o outro, de Osvaldo, em sua despedida, antes de se transferir para o Paris Saint-Germain. Catorze anos depois, Lucas segue no São Paulo, a equipe que o Boca eliminou nas Quartas de Final desta edição.
Os argentinos deram o primeiro murro na mesa em 2010, quando o Independiente reverteu em Avellaneda a derrota por 2 a 0 sofrida na ida, em Goiânia: venceu o Goiás por 3 a 1 e levou a decisão nos pênaltis. Em 2013, o Lanús empatou por 1 a 1 com a Ponte Preta em São Paulo e comemorou em seu estádio com um 2 a 0. E, em 2017, o Independiente de Ariel Holan venceu a ida em Avellaneda e deu a volta olímpica no Maracanã, após um 1 a 1 com o Flamengo.
A sequência se estendeu nas duas últimas edições, já com Finais em jogo único. Em 2024, o Racing de Gustavo Costas venceu o Cruzeiro por 3 a 1 em Assunção e fechou uma campanha na qual também havia eliminado o Athletico Paranaense e o Corinthians: foi seu primeiro título internacional em 36 anos. Em 2025, no Defensores del Chaco, Lanús e Atlético Mineiro empataram por 0 a 0 após 120 minutos, e o 'Granate' venceu a disputa de pênaltis por 5 a 4, com três defesas de Nahuel Losada.
Os números dos últimos anos acompanham essa tendência. Segundo a Opta, antes desta edição, os times argentinos haviam perdido apenas duas de suas últimas 17 partidas contra brasileiros na CONMEBOL Sudamericana, com sete vitórias e oito empates, uma sequência que incluía as duas últimas Finais. E, no Maracanã, o Boca encerrou outra série: os times brasileiros acumulavam 13 jogos de invencibilidade como mandantes diante de rivais argentinos nas fases eliminatórias do torneio.
O cenário é o oposto do que se vê na CONMEBOL Libertadores, na qual os clubes brasileiros venceram as últimas quatro Finais contra argentinos. Em 2017, aconteceram as duas coisas: o Grêmio venceu o Lanús na Final da CONMEBOL Libertadores, e o Independiente venceu o Flamengo na da CONMEBOL Sudamericana.
O Boca chega a Barranquilla depois de deixar pelo caminho dois brasileiros, como o Racing em 2024: venceu o São Paulo por 1 a 0 na Bombonera e empatou por 1 a 1 no MorumBIS e, diante do Vasco da Gama, reverteu a derrota por 1 a 0 da ida com gols de Lautaro Di Lollo, Miguel Merentiel e Paredes. Suas duas CONMEBOL Sudamericana vieram contra rivais de outros países, o Bolívar em 2004 e o Pumas em 2005, por isso esta será sua primeira Final do torneio contra um clube brasileiro. Se vencer, será o primeiro tricampeão da competição.
Para o Atlético Mineiro, o adversário argentino tem uma história própria. É o primeiro clube brasileiro a disputar duas Finais seguidas da CONMEBOL Sudamericana, e nas duas teve um argentino pela frente. De suas nove Finais continentais anteriores, cinco foram contra clubes daquele país: venceu a Copa CONMEBOL 1997 e a Recopa 2014, ambas contra o Lanús, e perdeu a Copa de Ouro 1993 para o Boca, a Copa CONMEBOL 1995 para o Rosario Central, nos pênaltis, e a CONMEBOL Sudamericana 2025.
Além disso, pelo segundo ano consecutivo, o time de Belo Horizonte terá um argentino no banco: Jorge Sampaoli comandou a equipe na Final de Assunção, e agora será a vez de Eduardo Domínguez, que, com o Estudiantes, eliminou o Boca duas vezes em torneios argentinos.
Em Barranquilla, qualquer um dos dois pode mexer na história. Se o Boca vencer, os argentinos chegarão a seis triunfos em oito Finais contra brasileiros, e a Argentina, o país mais vitorioso do torneio, com 11 títulos, somará o décimo segundo. Se o Atlético Mineiro vencer, o Brasil chegará a seis taças e terá seu primeiro campeão desde o Athletico Paranaense, em 2021: os clubes brasileiros perderam as quatro Finais que disputaram desde então. Para o 'Galo', além disso, seria o grande título sul-americano que ainda lhe falta.