- O Mirassol disputa sua primeira CONMEBOL Libertadores e avançou às Oitavas de Final pelo Grupo G, com 12 pontos, apenas cinco temporadas depois de disputar a Série D.
- Nas Oitavas de Final, reencontrará a LDU Quito, adversária do mesmo grupo, em uma série que será disputada nos dias 13 e 20 de agosto.
Há clubes que levam um século para chegar ao cenário continental. O Mirassol fez isso em cinco anos. A equipe do interior de São Paulo, fundada em 1925 e que celebrou seu centenário em 2025, protagonizou uma das ascensões mais meteóricas da história recente do futebol brasileiro: campeão da Série D em 2020, campeão da Série C em 2022, vice-campeão da Série B em 2024 e, finalmente, estreante na Série A em 2025. Esse embalo levou o clube, pela primeira vez em sua história, à CONMEBOL Libertadores. E não se tratou apenas de um objetivo alcançado: o Mirassol continuou fazendo história e garantiu uma vaga nas Oitavas de Final.
O contraste de dimensões está no coração dessa história. Mirassol é uma cidade de cerca de 65 mil habitantes no noroeste paulista, e seu estádio, o José Maria de Campos Maia, tem capacidade para aproximadamente 19 mil torcedores. Toda a população da cidade caberia com folga no Maracanã. Com o orçamento mais modesto da Série A e uma política de contratações baseada em empréstimos ou jogadores sem custo de transferência, o clube sustentou sua estrutura sobre uma ideia simples, mas difícil de colocar em prática: crescer sem gastar o que não tem. Só a classificação para a Fase de Grupos garantiu receitas que representam várias vezes o investimento anual do clube no elenco.
No banco de reservas está Rafael Guanaes, treinador brasileiro que chegou em 2025 e foi às lágrimas quando sua equipe garantiu a classificação. Dentro de campo, o símbolo tem nome e sobrenome: Reinaldo, lateral-esquerdo de 36 anos que chegou sem custos no início de 2025, após deixar sua marca no São Paulo e no Grêmio. Capitão, cobrador de pênaltis e liderança do grupo — foi o artilheiro da equipe no Brasileirão de 2025, com 13 gols —, ele personifica o espírito de um elenco que combina experiência e jogadores em busca de uma nova oportunidade. “O ser humano antes do jogador”, costuma repetir, naquele que ele próprio definiu como seu último baile.
O Mirassol encerrou sua participação no Grupo G com 12 pontos, em uma chave que dividiu com Lanús, Always Ready e, justamente, LDU Quito. O dado fala por si: é apenas o sexto clube a disputar tanto a Série D quanto a CONMEBOL Libertadores e o primeiro a percorrer esse caminho em apenas cinco anos. Um registro que, mais do que um número, resume uma forma de entender o futebol.
Do outro lado, espera um velho conhecido. A LDU Quito não é uma adversária qualquer: campeã da CONMEBOL Libertadores de 2008 — primeiro clube equatoriano a levantar o troféu —, vencedora da CONMEBOL Sudamericana em 2009 e 2023 e dona de uma fortaleza temida na altitude do Estádio Rodrigo Paz Delgado. A equipe chega, além disso, com uma nova cara: no fim de julho, confirmou o argentino Gustavo Álvarez como novo treinador. O ingrediente extra é que os dois times já se enfrentaram na Fase de Grupos e dividiram uma vitória para cada lado, de modo que as Oitavas de Final funcionarão como um verdadeiro tira-teima.
A série começará na quinta-feira, 13 de agosto, no José Maria de Campos Maia, e será definida na quinta-feira, dia 20, na “Casa Blanca”, em Quito. Para o Mirassol, cada partida é uma imagem que pareceria impensável poucas temporadas atrás: o clube que subiu desde a quarta divisão agora mede forças com a realeza continental, sem complexos e com a esperança intacta de continuar escrevendo uma história que, por si só, já parece ficção.