10 protagonistas rumo à fase de grupos da CONMEBOL Libertadores

Angel Di María en Rosario Central
  • Os 32 clubes que participarão do sorteio do próximo 19 de março oferecem diversas histórias para acompanhar de perto.
  • Retornos, novos desafios, mudanças de lado, recordes iminentes e muito mais no caminho rumo à fase de grupos.

A CONMEBOL Libertadores começa a entrar em clima de decisão. Após a conclusão das fases preliminares e com os 32 clubes que integrarão os potes já definidos, o sorteio do próximo 19 de março determinará o caminho das equipes rumo à glória eterna. No dia 7 de abril, a bola voltará a rolar com os primeiros e eletrizantes confrontos, e novas histórias começarão a ser escritas para ficar gravadas para sempre nos anais da competição mais importante do continente.

Cada edição do torneio continental traz consigo novas narrativas: equipes que buscam reafirmar sua hegemonia, gigantes que tentam recuperar o lugar no topo e clubes que sonham em protagonizar a grande surpresa. Nesse cenário carregado de história, pressão e paixão, sempre surgem jogadores capazes de fazer a diferença, decidir partidas decisivas e se tornar os rostos da campanha de suas equipes.

A fase de grupos costuma ser o primeiro grande termômetro da competição. É ali que começam a se desenhar os candidatos ao título, surgem revelações e se consolidam jogadores que depois podem decidir os confrontos eliminatórios. Por isso, antes de a bola rolar, destacamos dez nomes próprios que prometem ser protagonistas no início do torneio.

Ángel Di María

Poucos jogadores possuem uma carreira e um histórico de troféus como o dele — uma trajetória de sonho na qual vestiu algumas das camisas mais importantes do planeta e conquistou os títulos mais cobiçados do futebol mundial. “Angelito” conhece a glória em quase todas as suas formas: foi campeão do mundo, da América e dos Jogos Olímpicos com a Seleção Argentina, venceu a Champions League com o Real Madrid e acumulou diversos títulos nacionais com o clube espanhol, com o PSG francês e com o Benfica, além de ter defendido as camisas de Manchester United e Juventus.

Depois de realizar o sonho de ser campeão do mundo com a Argentina — uma conquista para a qual foi decisivo com seu gol na final contra a França —, Di María decidiu voltar às suas origens. Apesar do interesse de outros clubes e de diferentes mercados, o amor falou mais alto: o Rosario Central bateu à sua porta, o ídolo fez as malas e voltou para casa ao lado de sua família.

Em torno de sua figura foi construído um Rosario Central protagonista, que encerrou o ano de 2025 como a equipe que mais somou pontos no futebol argentino. E Di María, como se estivesse tocado por uma varinha mágica, protagonizou vários momentos inesquecíveis: sua cobrança de falta no clássico contra o Newell’s, seu gol olímpico diante do Boca Juniors ou sua recente atuação contra o Racing Club no Cilindro de Avellaneda. Cada atuação sua representa um novo capítulo em uma carreira lendária: aos 38 anos, continua sendo decisivo e imparável como foi ao longo de toda a sua trajetória.

Seu retorno à CONMEBOL Libertadores representa o primeiro passo para cumprir um dos poucos objetivos que ainda restam em sua carreira. Meses antes de concretizar sua volta, em maio de 2025, Di María já se permitia sonhar alto:

“A verdade é que eu gostaria de voltar a jogar uma Libertadores com o Central. Joguei uma vez quando tinha 17 anos, era muito jovem e não consegui vivê-la plenamente. Seria um sonho poder ganhá-la, seria algo muito lindo. É um sonho conquistar um título com o Central e eu gostaria de realizá-lo, mas ganhar a Libertadores já nem seria apenas um sonho — seria mais do que isso: seria algo histórico e o melhor final que minha carreira poderia ter.”

Lucas Paquetá

O Flamengo foi campeão da CONMEBOL Libertadores e do Brasileirão em 2025. Rumo a 2026, com o principal objetivo de defender suas coroas, o Mengão redobrou a aposta: não apenas manteve intacta sua base titular como também desembolsou uma cifra milionária para repatriar Lucas Paquetá, na transferência mais cara da história do futebol sul-americano.

Recebido como um herói, o ex-meia do West Ham revelou que havia recusado diversas propostas de gigantes europeus para retornar ao clube que o formou como jogador: “Tottenham e Chelsea me ligaram. O curioso é que o Tatá (meu agente) me chamou e disse: ‘O Chelsea ligou, vão fazer uma proposta’. Eu respondi: ‘Tudo bem, e o Flamengo? Eu quero que você me fale do Flamengo’. E foi assim que aconteceu”.

Paquetá chegou ao Flamengo aos dez anos, em 2007, e cresceu nas categorias de base do Rubro-Negro até subir ao time principal em 2016. Dois anos depois, após 96 partidas e 18 gols, transferiu-se para o Milan, da Itália, iniciando uma trajetória de sete anos pela Europa, onde também vestiu as camisas do Olympique de Lyon e do West Ham, clube com o qual conquistou a UEFA Conference League.

Aos 28 anos, e apesar do interesse de outros gigantes europeus, Paquetá vestirá novamente a camisa do Fla em sua apresentação na edição de 2026 da CONMEBOL Libertadores: “Eu precisava disso. Sempre fui muito Flamengo. Nunca saiu da minha cabeça que um dia voltaria para casa. Talvez o Flamengo não precisasse de mim, mas eu precisava do Flamengo. Os resultados falam por si: 2025 foi um ano vitorioso e isso fazia meus olhos brilharem.”

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Lucas Paqueta regresó a Flamengo

Leandro Paredes 

O Boca Juniors voltará à fase de grupos da CONMEBOL Libertadores com um campeão do mundo como principal referência. Filho da casa e querido pelos torcedores desde sua estreia com apenas 16 anos, seu retorno foi interpretado como um verdadeiro gesto de amor pelos torcedores, que transformaram Leandro Paredes no novo símbolo da esperança xeneize na busca pela sétima conquista continental da história do clube.

Uma década depois de sua saída rumo ao Velho Continente, Paredes decidiu encerrar sua etapa mais recente na Roma e firmar um novo vínculo com o conjunto azul e ouro. O retorno foi celebrado por mais de 50 mil torcedores na La Bombonera, em julho de 2025. Formado nas categorias de base do clube e protagonista de uma carreira que o levou por algumas das ligas mais competitivas do mundo, o meio-campista volta com a liderança e a experiência acumuladas em suas passagens por Roma, Paris Saint-Germain, Juventus e pela Seleção Argentina.

Paredes saiu como camisa 10 e voltou como camisa 5, uma transformação que o levou a se tornar um dos pilares da Argentina campeã do mundo e bicampeã da América. Seu impacto foi imediato: o Boca evoluiu em campo, venceu o River Plate no clássico e garantiu a classificação direta para a fase de grupos. Sua bola parada fez a diferença jogo após jogo, a arma mais eficaz dentro de seu vasto repertório técnico.

Agora, com a maturidade dos grandes líderes e o apoio de La Bombonera, Paredes se prepara para encarar o grande desafio que mobiliza todo o universo xeneize: liderar o Boca na busca pela tão desejada sétima Copa Libertadores, o troféu que o clube persegue há mais de uma década.

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Leandro Paredes es el emblema de Boca

Nicolás Lodeiro 

Não vem, volta. Foi assim que o Nacional oficializou o retorno de Nicolás Lodeiro ao Gran Parque Central. “Sempre esteve vivo voltar. A gente é torcedor do clube e sente a camisa como ninguém. Vestir essa camisa de novo me mantém vivo. Estou feliz por como tudo aconteceu: a gente abre mão de muita coisa e volto por amor ao clube, pela vontade de estar aqui. Obviamente quero jogar a Libertadores, mas também todos os jogos”, refletiu em sua primeira coletiva de imprensa com a camisa do Bolso, após uma longa trajetória no exterior que o levou a defender Ajax, Botafogo, Corinthians, Boca Juniors, Seattle Sounders, Orlando City e Houston Dynamo, da Major League Soccer.

Lodeiro cumpriu seu primeiro objetivo nos seis meses iniciais: conquistou o Campeonato Uruguaio em uma vibrante decisão no clássico contra o Peñarol. Embora o próprio “Nico” tenha colocado em dúvida sua permanência, finalmente o camisa 14 do Bolso cumprirá o objetivo de disputar a CONMEBOL Libertadores.

Em 2009, ele participou da última grande campanha do gigante uruguaio: o Nacional foi a terceira equipe que mais somou pontos na fase de grupos e chegou às semifinais após eliminar o Palmeiras nas quartas de final. Em 2016, também alcançou a mesma fase, mas como jogador do Boca Juniors, em uma série que terminou com derrota dos xeneizes diante do Independiente del Valle. “Sempre sonhei em ganhar a Libertadores”, disse naquela época — e tentará realizar esse desejo em 2026.

Rodrigo Castillo

O atacante do Lanús foi fundamental em sua dupla consagração internacional, transformando-se em uma das grandes revelações do futebol argentino depois de ter estreado na primeira divisão apenas aos 23 anos. O departamento de futebol do clube o identificou quando ainda jogava no Gimnasia e apostou nele em uma parceria marcada pela glória: marcou três gols nas semifinais da Copa Sudamericana contra a Universidad de Chile, foi titular na final diante do Atlético Mineiro e anotou dois gols na Recopa Sudamericana contra o Flamengo.

Com um repertório ofensivo variado para marcar gols, Castillo combina potência física, bom jogo aéreo e grande capacidade de movimentação dentro da área. Sua evolução foi tão rápida quanto impactante, até se tornar a principal referência ofensiva do Granate, dirigido por Mauricio Pellegrino. Suas atuações despertaram o interesse do Fluminense, que desembolsou uma quantia significativa para contratar o atacante.

Campeão da CONMEBOL Libertadores em 2023, o Flu, comandado pelo argentino Luis Zubeldía, voltará à principal competição continental após disputar a Copa Sudamericana em 2025, torneio em que chegou às quartas de final antes de ser eliminado pelo Lanús, que acabaria campeão.

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Rodrigo Castillo jugará en el Fluminense

Pablo Vegetti

Depois de construir toda uma carreira nas divisões de acesso do futebol argentino, Pablo Vegetti encontrou, após os trinta anos, seu auge esportivo. Após brilhar no Belgrano de Córdoba, em 2023 mudou-se para o Brasil, aos 34 anos, para se tornar uma das grandes figuras do Vasco da Gama. Primeiro foi peça fundamental para garantir a permanência do clube na elite do futebol brasileiro e, em 2025, terminou como o maior artilheiro do futebol brasileiro, com 27 gols somando todas as competições nacionais. Com 60 gols em 140 partidas nos últimos três anos, o “Pirata” deixou o clube como o terceiro maior goleador do Vasco no século XXI, atrás apenas de Romário e Edmundo.

Com o objetivo de replicar sua hegemonia paraguaia na CONMEBOL Libertadores, o Cerro Porteño, campeão do Clausura 2025, reforçou seu elenco com Vegetti. Em sua apresentação, o atacante destacou a oportunidade de disputar pela primeira vez a principal competição da América: “Foi um ponto importante na hora de tomar a decisão de vir. Todos os times que disputam a Libertadores querem conquistá-la, e faremos nosso trabalho para dar essa esperança ao torcedor. Tomara que, todos juntos, possamos conquistá-la. Tenho expectativas muito grandes: chego a um clube que vem de ser campeão e com vontade de lutar pela Libertadores.”

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Pablo Vegetti jugará en Cerro Porteño

Jesse Lingard 

O Corinthians retorna à CONMEBOL Libertadores em meio a uma verdadeira revolução provocada pela chegada do primeiro jogador da seleção inglesa da história do Brasileirão e da competição continental. O Timão, que já conta com o holandês Memphis Depay, somou agora mais um europeu em busca de seu segundo título no torneio mais importante da América.

Jesse Lingard nasceu em 15 de dezembro de 1992, em Cheshire, na Inglaterra. Formado na academia do Manchester United, vestiu a camisa dos Red Devils em 149 partidas, além de ter defendido Leicester City, Birmingham City, Brighton & Hove Albion, Derby County, West Ham United e o FC Seoul, da Coreia do Sul.

Com a camisa 77 nas costas — número que faz referência ao Campeonato Paulista de 1977, título de enorme importância na história do clube —, Lingard tentará elevar o nível ofensivo da equipe comandada por Dorival Júnior, atuando como camisa 10: “Posso jogar como um 10, posso jogar pela ponta esquerda. Para dar o melhor de mim, normalmente jogo como 10. Depende da formação; pode ser em um 4-3-3, mas prefiro atuar como 10.”

Fábio

Poucas histórias de perseverança e longevidade no futebol sul-americano são tão impactantes quanto a de Fábio. O lendário goleiro brasileiro, símbolo de regularidade por mais de duas décadas, continua sendo peça fundamental no gol do Fluminense mesmo depois dos quarenta anos.

Determinante para a conquista do Fluzão na edição de 2023, voltará à principal competição continental como um dos líderes da equipe comandada por Luis Zubeldía e poderá eternizar seu nome na história do torneio como o jogador com mais partidas disputadas de todos os tempos.

O recorde pertence a Éver Hugo Almeida, com 113 jogos em 16 participações, todos defendendo o gol do Olimpia, do Paraguai, durante seus anos mais gloriosos — período em que o Decano conquistou duas Libertadores. Na segunda posição aparece Franco Armani, goleiro do River Plate, que soma 112 partidas em doze edições e foi peça-chave em duas conquistas do Millonario. O terceiro lugar do pódio é compartilhado por Enzo Pérez — que disputou um jogo na fase preliminar com o Argentinos Juniors — e pelo próprio Fábio, ambos com 110 partidas.

Dono de reflexos ainda intactos, de uma liderança silenciosa, porém imponente, e de enorme experiência em jogos decisivos, Fábio construiu uma carreira marcada por recordes de participações e atuações memoráveis. Em agosto de 2025, superou Peter Shilton e tornou-se o jogador com mais partidas disputadas na história do futebol mundial. Na fase de grupos, salvo alguma situação inesperada, deverá seguir ampliando essa marca histórica.

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Fabio mantiene su vigencia a los 44 años

Hugo Rodallega 

Em junho do ano passado, suas lágrimas correram o mundo inteiro. A final do Torneio Apertura da Liga Colombiana entre Independiente Santa Fe e Independiente Medellín era um duelo intenso entre duas equipes que não davam qualquer vantagem, nem no desenvolvimento da partida nem no placar.

Aos 35 minutos do segundo tempo, Hugo Rodallega, sentindo uma dor no adutor, olhou para o banco de reservas para pedir substituição. Mas antes que o treinador Pablo Peirano pudesse realizar a troca, e enquanto o capitão cobria o rosto com a camisa para evitar que as câmeras registrassem suas lágrimas inconsoláveis, seu companheiro Edwar López avançou pela direita e cruzou para trás para a aparição decisiva de Rodallega, que finalizou de pé direito para garantir o décimo título da história do clube.

Artilheiro máximo do campeonato com 16 gols, ele se consolidou como a principal referência ofensiva da equipe e como um ídolo moderno desde seu retorno ao futebol colombiano em 2023. Embora nos primeiros anos como profissional tenha vestido as camisas do Deportes Quindío e do Deportivo Cali, após atuar no Bahia, do Brasil, assinou com Los Cardenales, e os torcedores do León rapidamente o adotaram como seu grande símbolo. Aos 40 anos, renovou seu contrato em novembro com a esperança de repetir suas façanhas também no cenário internacional.

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Rodallega sigue ganando títulos

Maximiliano Silvera

A campanha em que o Peñarol alcançou as semifinais da edição de 2024 teve em Maximiliano Silvera um de seus principais protagonistas. O atacante marcou seis gols em 12 partidas e contribuiu com diversos aspectos intangíveis que não se percebem à primeira vista: ele encarna o perfil clássico do atacante uruguaio. Silvera é intenso, combativo e está sempre à espreita dentro da área.

Com boa presença física, sabe jogar de costas para o gol para prender os zagueiros e gerar espaços, explora ao máximo o jogo direto e se movimenta com inteligência para atacar os espaços. De pressão constante e caráter competitivo, é um “camisa 9” que incomoda as defesas adversárias e transforma qualquer bola solta em uma oportunidade de gol.

Depois de conquistar cinco títulos e de um 2025 em que manteve sua capacidade goleadora com a camisa manya, Silvera decidiu não renovar seu contrato e surpreendeu o futebol uruguaio ao cruzar de lado. Dias depois da final de dezembro entre Peñarol e Nacional, na qual o Bolso venceu para se consagrar campeão uruguaio de 2025, o atacante foi anunciado como novo reforço tricolor.

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Maximiliano Silvera cruzó de vereda y jugará en Nacional