- Estudiantes e Universidad Católica voltarão a se enfrentar na CONMEBOL Libertadores 57 anos depois daquela semifinal de 1969, que teve Juan Ramón Verón como protagonista.
- O confronto reacende a conexão histórica da família Verón com a Glória Eterna: das conquistas de Juan Ramón à consagração de “La Brujita” em 2009.
Há histórias e relatos que atravessam gerações, unem épocas distintas sob um mesmo sobrenome e transformam alguns clubes em ícones de uma tradição futebolística continental. No Estudiantes de La Plata, essa linhagem tem nome próprio: Verón.
O novo confronto entre Estudiantes e Universidad Católica, pelas Oitavas de Final da CONMEBOL Libertadores, voltará a conectar dois momentos separados por 57 anos. E, em ambos, aparece a mesma família como fio condutor da história pincharrata na América.
A única vez que o conjunto argentino enfrentou o representante chileno foi nas semifinais da edição de 1969. Na ocasião, a equipe de Osvaldo Zubeldía impôs toda a sua hierarquia internacional: venceu a ida por 3-1 em Santiago e repetiu o mesmo placar em La Plata para avançar à final — na qual, dias depois, derrotaria o Nacional, do Uruguai.
Na partida de volta, disputada no antigo Estádio Jorge Luis Hirschi, o responsável por abrir o placar foi Juan Ramón Verón. “La Bruja”, símbolo absoluto daquela era dourada, conquistou três edições consecutivas: 1968, 1969 e 1970.
Aquele time não apenas celebrou títulos: criou uma dinastia continental construída a partir da disciplina tática e do caráter competitivo.
Décadas mais tarde, quando parecia distante a possibilidade de igualar tamanho legado, outro Verón voltou a colocar o “León” no topo da América. Juan Sebastián, “La Brujita”, herdou muito mais do que o sobrenome. Formado no Estudiantes, ídolo do clube e figura internacional por sua seleção, escolheu voltar da Europa para La Plata, aos 31 anos, para perseguir um sonho que reunia dois componentes fundamentais: identidade esportiva e uma dívida futebolística consigo mesmo.
Em 2009, como capitão e emblema futebolístico, conduziu o Estudiantes a uma nova consagração continental. Aquela final contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, ficou gravada para sempre na memória de seus torcedores. A equipe comandada por Alejandro Sabella, que esteve perto de ser eliminada ainda na primeira fase, reverteu a série diante do time brasileiro e voltou a levantar a Libertadores depois de quase quatro décadas.
A imagem de Juan Sebastián levantando a taça parecia fechar um ciclo. Mas essa história ainda parece ter mais um capítulo pela frente.
O sorteio das Oitavas de Final da atual edição colocará novamente frente a frente Estudiantes e Universidad Católica. E Juan Sebastián Verón marcará presença mais uma vez, agora no papel de presidente do clube. Desde que assumiu o cargo, o Estudiantes já conquistou quatro títulos locais, mas ainda há uma conquista internacional pendente…
A chave contra a Universidad Católica expõe algo mais do que um simples antecedente. É também uma viagem entre gerações. Porque, quando o Estudiantes voltar a cruzar com a “U”, os Verón voltarão a aparecer: Juan Ramón, em 1969, consolidando a mística copeira, e Juan Sebastián, em 2009, recolocando o clube no primeiro plano internacional.