- A atacante das Cabulosas foi uma das principais protagonistas da conquista da CONMEBOL Libertadores Feminina 2026.
- Na primeira participação do Cruzeiro na competição, a talentosa camisa 10 terminou como artilheira do torneio após marcar dois gols em uma Final histórica.
Nascida no Rio de Janeiro, Byanca Brasil foi peça fundamental no esquema de Jonas Urias. Quando sua equipe estava em desvantagem de três gols no placar, a capitã liderou uma virada histórica que terminou em 4 a 4 no tempo regulamentar e levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, o time de Belo Horizonte venceu por 5 a 4 e conquistou sua primeira CONMEBOL Libertadores Feminina, logo em sua estreia na competição mais importante do continente.
O Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador, foi palco de mais uma noite memorável e inesquecível de uma das jogadoras mais influentes do futebol sul-americano. Byanca Brasil voltou a brilhar em uma competição que parece feita sob medida para ela e na qual se tornou um verdadeiro amuleto para cada equipe que representou: conquistou sua terceira CONMEBOL Libertadores, e, em todas as ocasiões, seu time celebrou o primeiro título de sua história (Corinthians/Audax, em 2017; Palmeiras, em 2022; e Cruzeiro, em 2026).
"Ela é uma líder nata, muito profissional e muito divertida. Está vivendo um momento de sintonia plena com toda a equipe, e isso a faz jogar seu melhor futebol", havia destacado Urias dias antes da partida decisiva. Aos 30 anos, essa liderança deu início a uma façanha que ficará para sempre nas páginas mais importantes da história do Cruzeiro, que, em sua primeira participação no torneio, encerrou o domínio do Corinthians, tricampeão consecutivo.
Aos sete minutos do segundo tempo, com o Timão vencendo por 3 a 0, Byanca mostrou seu faro de gol para empurrar a bola para as redes após cruzamento de Letícia Alves, que ainda desviou levemente em Marília Furiel. Lelê, experiente goleira da equipe paulista, não conseguiu fazer a defesa, e a capitã diminuiu a desvantagem, reacendendo a esperança de sua equipe e contagiando as companheiras com otimismo.
A campanha do Cruzeiro até a Final foi impecável. A equipe terminou a Fase de Grupos na liderança do Grupo C, com 100% de aproveitamento (oito gols marcados e apenas um sofrido). Nas Quartas de Final, superou o Libertad com autoridade, por 3 a 0, e, nas Semifinais, venceu o Olimpia por 1 a 0. Ao longo dessa trajetória, a atacante carioca marcou na vitória por 2 a 1 sobre a LDU Quito, na estreia; anotou um hat-trick diante do Bolívar, na vitória por 3 a 0 pela segunda rodada; e voltou a balançar as redes nas Quartas de Final contra o Libertad.
O destino lhe reservava mais um encontro com a história. Na decisão, Byanca marcou o gol que diminuiu a diferença no segundo tempo e abriu a série de cobranças de pênaltis com a primeira conversão do Cruzeiro. Mais do que os números, o peso de seu nome e sua liderança ajudam a explicar por que a equipe encontrou nela uma referência dentro e fora de campo.
Na temporada passada, em razão de um quadro de depressão profunda, a referência do time de Belo Horizonte chegou a considerar a possibilidade de abandonar o futebol. "Sou muito grata à minha psicóloga, à minha esposa, ao Cruzeiro e a todas as pessoas que estiveram ao meu lado nos momentos mais difíceis. Hoje, estou muito feliz por estar vivendo tudo isso", reconheceu a artilheira da competição.
O clube, as pessoas queridas e o acompanhamento profissional foram fundamentais para que ela atravessasse uma fase difícil e complexa, que quase a afastou de uma de suas maiores paixões. Na noite de Quito, ao voltar a ser decisiva em uma Final da CONMEBOL Libertadores Feminina, Byanca dançou no ritmo de seu futebol e conduziu o Cruzeiro a uma façanha que ficará para sempre em sua memória.