Boca-Cruzeiro, um reencontro entre a defesa de Gatti e o gol de Ronaldo

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  • Compartilham o Grupo D da CONMEBOL Libertadores 2026 junto com a Universidad Católica do Chile e o Barcelona do Equador
     
  • Se enfrentaram pela primeira vez na edição de 1977, o primeiro título continental do Boca, conquistado nos pênaltis

A primeira vez que o Boca Juniors e o Cruzeiro Esporte Clube se enfrentaram não foi, na verdade, uma única vez: foram três partidas, nada menos que uma final, a da CONMEBOL Libertadores de 1977. Após a vitória por 1-0 do Boca na La Bombonera, em Buenos Aires, e o triunfo por 1-0 do Cruzeiro no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, o terceiro e decisivo confronto foi disputado em 14 de setembro daquele ano, no Estádio Centenário, em Montevidéu: vitória do Boca nos pênaltis (5-4), graças à histórica defesa de Hugo Gatti sobre Vanderlei e, consequentemente, à conquista de seu primeiro de seis títulos (1977-78, 2000-01, 2003 e 2007). Três deles (1977, 2000 e 2001) foram conquistados nas cobranças de pênaltis.

Agora, Boca e Cruzeiro voltarão a se enfrentar no Grupo D da CONMEBOL Libertadores 2026, que também conta com Universidad Católica, do Chile, e Barcelona, do Equador. O antecedente mais recente remonta às oitavas de final da CONMEBOL Sudamericana 2024, quando o Boca venceu por 1-0 no jogo de ida como mandante, perdeu por 2-1 na volta após atuar os 90 minutos com um jogador a menos devido à expulsão precoce de Luis Advíncula e acabou eliminado em mais uma dramática disputa por pênaltis (5-4). No gol do Cruzeiro estava o goleiro Cássio, que naquela noite concretizou sua terceira eliminação do Boca (as duas anteriores com o Corinthians). Cássio segue no Cruzeiro, mas perderá a edição 2026 por conta de uma lesão multiligamentar no joelho esquerdo.

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Após a final da CONMEBOL Libertadores de 1977, Boca e Cruzeiro, como se fosse obra do destino, protagonizaram outra decisão, a da Copa Máster de 1992. O Boca se sagrou campeão após a vitória por 2-1 no estádio do Vélez. Na CONMEBOL Libertadores de 1994, a equipe argentina e a brasileira voltaram a compartilhar o mesmo grupo. O Cruzeiro venceu primeiro na La Bombonera (1-2) e depois no Mineirão (2-1). O Boca, último colocado, acabou eliminado (o Cruzeiro cairia nas oitavas de final diante do Unión Española, do Chile).

Mas o que ficou na memória foi o espetáculo de um Ronaldo Luís Nazário de Lima, então com 17 anos, na partida em Belo Horizonte (autor do gol do 2-1). Segundo contou anos depois Carlos Mac Allister, lateral-esquerdo do Boca naquele jogo, Ronaldo pediu durante toda a partida para trocar a camisa. Ao final, irritado com a derrota, Mac Allister se recusou a entregar sua camiseta àquele que viria a ser conhecido como O Fenômeno.

Os duelos entre Boca e Cruzeiro continuaram na Supercopa de 1996 (nas quartas de final, o brasileiro avançou nos pênaltis); na Supercopa de 1997 (na primeira fase, uma vitória para cada lado como mandante); na CONMEBOL Libertadores de 2008 (duas vitórias por 2-1 do Boca e classificação para as quartas de final); e na CONMEBOL Libertadores de 2018 (vitória por 2-0 do Boca na Argentina, empate em 1-1 no Brasil e classificação para as semifinais). Com 16 partidas no histórico, a balança se inclina levemente a favor do Boca, com sete vitórias, quatro empates e cinco triunfos brasileiros. Mas tudo ainda está em aberto.

Boca e Cruzeiro — campeão da CONMEBOL Libertadores em 1976 e 1997 — já sabem que a final da atual edição será em 28 de novembro, em Montevidéu, a capital uruguaia que os reuniu em uma decisão em preto e branco. Em 2026, Boca e Cruzeiro voltarão a colocar suas cores de sempre desde o início.