Vasco da Gama e os jogos sem sofrer gols: a marca da campanha até as Semifinais da CONMEBOL Sudamericana

Vasco da Gama y el arco en cero, su marca para llegar a Semifinales de la CONMEBOL Sudamericana
  • O 'Cruz-Maltino' não sofreu gols em sete de seus 12 jogos na CONMEBOL Sudamericana 2026 e, se repetir o feito nas duas partidas das Semifinais, igualará o recorde de uma mesma edição: os nove jogos sem sofrer gols do Estudiantes em 2023.
     
  • Léo Jardim, Alan Saldivia e uma defesa que lidera a competição em cortes sustentam a equipe de Pedro Emanuel antes da visita a La Bombonera, onde o Boca venceu seus últimos seis jogos como mandante em fases eliminatórias.

O dado que melhor explica a trajetória do Vasco da Gama até as Semifinais da CONMEBOL Sudamericana 2026 não está no ataque, que também tem seus argumentos, mas na defesa. O 'Cruz-Maltino' terminou sete de seus 12 jogos nesta edição sem sofrer gols e está a apenas dois de igualar o recorde de uma mesma edição: nove partidas sem ser vazado, marca estabelecida pelo Estudiantes em 2023. Se voltar a manter a defesa intacta na terça-feira, em La Bombonera, no jogo de ida contra o Boca Juniors, e uma semana depois, em São Januário, igualará o recorde justamente na caminhada rumo à Final de Barranquilla.

A série das Quartas de Final foi a síntese dessa solidez. Em Bogotá, o Vasco empatou por 0 a 0 com o Independiente Santa Fe, e Léo Jardim foi o grande nome da noite: defendeu uma finalização de média distância de Alexis Zapata e, nos minutos finais, fez duas defesas consecutivas em cabeceios de Franco Fagúndez e Hugo Rodallega. “Estou feliz por poder ajudar da minha posição, mas o importante é o bom desempenho que a equipe mostrou. Fizemos uma partida inteligente”, disse o goleiro naquela noite. Uma semana depois, no Rio de Janeiro, voltou a aparecer aos 18 minutos do primeiro tempo, com uma defesa à queima-roupa diante de Rodallega, antes de Bruno Duarte abrir o placar. A equipe então confirmou a vitória por 2 a 0 sem sustos: 180 minutos sem sofrer gols para garantir um lugar entre os quatro melhores.

Os números da Opta descrevem uma equipe que não se incomoda em defender perto da própria área. O Vasco soma 358 cortes na Copa, contra 230 do Boca em seus 12 jogos do ano entre CONMEBOL Libertadores e CONMEBOL Sudamericana, vence 55% dos duelos aéreos defensivos e concentra 59,1% de suas ações defensivas no terço do campo mais próximo de seu gol. Quando abre vantagem no placar, também abre mão da posse de bola: seu índice cai para 45% nos 335 minutos em que esteve à frente no marcador. Na saída de bola, é direto, com tiros de meta que percorrem, em média, 50,3 metros, contra 34,8 do Boca. A pressão alta não é seu ponto forte, com 62 recuperações de bola no campo adversário, diante das 91 do 'Xeneize'. Espera, afasta o perigo e avança em bloco: nenhuma equipe realizou mais contra-ataques que o Vasco nesta temporada em competições da CONMEBOL, com 29.

Jardim atuou em dez das 12 partidas, somando 900 minutos e 22 defesas, sendo 16 em finalizações de dentro da área. Revelado pelo Grêmio, onde integrou o elenco campeão da CONMEBOL Libertadores de 2017 sem entrar em campo, passou por Rio Ave, Lille e Boavista antes de chegar a São Januário no início de 2023. Hoje, já ultrapassa a marca de 200 jogos com a camisa 'cruz-maltina'. Na Fase Eliminatória, não sofreu gols no jogo de volta dos Playoffs contra o Independiente Medellín, foi destaque no empate por 0 a 0 na ida das Oitavas de Final diante do Olimpia e consolidou seu protagonismo na série contra o Santa Fe.

À sua frente, a linha defensiva mudou de nomes sem perder a organização. Pedro Emanuel alternou Robert Renan, Lucas Freitas e Carlos Cuesta na zaga, mas quem mais se destaca é Alan Saldivia: o uruguaio lidera a equipe em desarmes, com 19, ocupa a segunda posição em duelos ganhos, com 35, e deu uma de garçom na partida de volta contra o Santa Fe, com a assistência para Bruno Duarte abrir o placar. Pela direita, José Luis Rodríguez soma um gol e três assistências, enquanto, no meio-campo, Ramon Rique teve em Bogotá sua melhor atuação em recuperações de bola em competições da CONMEBOL, com oito bolas recuperadas.

Longe do Rio de Janeiro, a equipe também mostrou solidez. Como visitante, perdeu apenas uma de suas seis partidas na Copa, a derrota por 3 a 1 para o Olimpia na Fase de Grupos, com duas vitórias e três empates. Marcou nove gols fora de casa, três deles com Claudio Spinelli, que já balançou as redes em La Bombonera em 2018, quando defendia o San Martín de San Juan. Pela frente, porém, terá um dos cenários mais difíceis do continente: o Boca venceu seus últimos seis jogos como mandante em fases eliminatórias de competições da CONMEBOL e perdeu apenas um dos últimos 21, por 1 a 0 para o Internacional nas Oitavas de Final da CONMEBOL Libertadores 2020. Além disso, oito de seus últimos 11 gols em casa, considerando todas as competições, saíram no segundo tempo.

A história dos confrontos entre as duas equipes também entra em campo. Boca e Vasco se enfrentaram quatro vezes em competições da CONMEBOL, todas em 2001, e o 'Xeneize' segue invicto: duas vitórias nas Quartas de Final da CONMEBOL Libertadores e dois empates na CONMEBOL Mercosul. Em La Bombonera, o Vasco empatou por 2 a 2 pela CONMEBOL Mercosul e perdeu por 3 a 0 pela CONMEBOL Libertadores, na única série eliminatória disputada entre os clubes. Um quarto de século depois, o clube que não disputa uma Final continental desde a Mercosul de 2000 e que alcançou sua melhor campanha na CONMEBOL Sudamericana com as Semifinais de 2011 volta a Buenos Aires com uma ideia simples e um número que a sustenta. Se Jardim continuar sem sofrer gols, o Vasco estará a uma partida de Barranquilla e a um passo da história.