- O sorteio de 19 de março definiu como foram distribuídos os 32 clubes classificados em oito grupos de quatro equipes cada
- Cada partida da Fase de Grupos contará sua própria história a partir do próximo 7 de abril, mas destacamos cinco já na prévia
O sorteio de 19 de março encerrou a espera e organizou o mapa da CONMEBOL Sudamericana 2026: 32 equipes, oito grupos e um calendário que começará a se desenrolar a partir de 7 de abril. Mas, além da estrutura definida, há algo que emerge do sorteio: as histórias que surgem nos confrontos, nos antecedentes, nas camisas carregadas de memória. Cada partida é um convite para recontar algo.
Porque, no futebol sul-americano, os duelos nunca são totalmente inéditos. Sempre há um fio que os conecta ao passado: uma série em aberto, uma eliminação que ainda dói, uma façanha lembrada como inspiração. Mesmo quando os elencos mudam e os contextos são outros, algo permanece. Uma identidade, uma forma de jogar, uma expectativa que se transmite.
A Fase de Grupos é o terreno onde essas narrativas começam a se construir. É o espaço onde se definem as primeiras lideranças, onde surgem as surpresas e onde algumas equipes começam a indicar que podem ir além do previsto. Também é o momento em que os favoritos precisam sustentar sua condição, não apenas pelo nome, mas pelo desempenho.
Nesse percurso inicial, há confrontos que chamam a atenção de maneira especial. Alguns pelo peso histórico dos clubes, outros pela atualidade que vivem, e outros por essa mistura difícil de explicar entre expectativa e simbolismo. Partidas que, antes mesmo de serem disputadas, já sugerem algo a mais. Estes são cinco jogos que, por relevância, contexto ou narrativa, se apresentam como imperdíveis no cardápio prévio da Fase de Grupos.
Atlético Mineiro - Cienciano
O Atlético Mineiro chega a esta CONMEBOL Sudamericana como uma presença constante no cenário sul-americano nos últimos dois anos. Em 2025, disputou a final do torneio, na qual foi derrotado pelo Lanús nos pênaltis, no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção . Antes disso, já vinha de campanhas de destaque, consolidando-se como um dos protagonistas recentes do continente.
Se o Atlético Mineiro representa o presente sul-americano, o Cienciano tentará resgatar aquele protagonismo que o transformou em um dos pioneiros da CONMEBOL Sudamericana. Foi em 2003 que fez história ao se tornar o primeiro clube peruano a conquistar um título internacional — feito que ainda emociona Cusco ao recordar aquela campanha inesquecível que terminou com a vitória sobre o poderoso River Plate, da Argentina.
Com o experiente Hulk como principal referência, o Galo iniciará uma nova jornada continental com o objetivo de voltar a conquistar um título internacional, como fez na CONMEBOL Libertadores de 2013, liderado pelo icônico Ronaldinho. Para o Cienciano, será um grande teste para medir a dimensão de suas ambições. Ambos integram o Grupo B desta edição, ao lado de Academia Puerto Cabello, da Venezuela, e Juventud, do Uruguai
São Paulo - Millonarios
O ‘Tricolor’ paulista é um dos clubes mais tradicionais do continente, tricampeão da CONMEBOL Libertadores e tricampeão mundial, com um importante histórico internacional que também se estende à CONMEBOL Sudamericana: foi campeão em 2012 diante do Tigre e buscará repetir a façanha mais de uma década depois.
Líder do Brasileirão após as sete primeiras rodadas, o time brasileiro desligou Hernán Crespo do cargo de treinador. O sorteio lhe reservou um desafio exigente no Grupo C, no qual também enfrentará o Boston River, do Uruguai, e o O’Higgins, do Chile.
O confronto com o Millonarios promete ser um dos mais interessantes da fase inicial. O ‘Ballet Azul’ chega à Fase de Grupos da CONMEBOL Sudamericana embalado pela eliminação do Atlético Nacional na fase preliminar, em mais uma edição do Superclássico colombiano que voltou a se repetir dias depois pelo campeonato local.
Santos - San Lorenzo
Santos e San Lorenzo ficaram no Grupo D, fase em que também enfrentarão o Deportivo Cuenca, do Equador, e o estreante Recoleta, do Paraguai. No duelo entre os ‘santos’, estará um dos grandes atrativos do cenário sul-americano. A presença de Neymar, campeão da CONMEBOL Libertadores em 2011, fará do Peixe uma equipe a ser acompanhada de perto pelos torcedores do futebol sul-americano e mundial.
O histórico clube paulista viveu um final de temporada dramático: goleou o Cruzeiro por 3-0 na última rodada do Brasileirão, evitou o rebaixamento e terminou subindo até a 12ª posição para garantir uma vaga na CONMEBOL Sudamericana. A equipe associada para sempre à figura de Pelé atravessa um período de reconstrução, mas, impulsionada pela presença de Neymar, volta a aparecer no cenário internacional com a intenção de recuperar protagonismo.
O San Lorenzo voltará a disputar a CONMEBOL Sudamericana após terminar na sétima posição da tabela anual do futebol argentino. Campeão deste torneio em 2002 — quando conquistou o primeiro título internacional de sua história, que depois seria consolidado com a CONMEBOL Libertadores de 2014 —, o clube de Boedo buscará voltar a se impor no continente. Com sua identidade competitiva, o peso histórico de sua camisa e uma geração de jovens jogadores que apresentou bons resultados no último ano, o ‘Ciclón’ tentará repetir suas façanhas internacionais, e o Santos de Neymar pode ser uma boa primeira prova.
Racing - Botafogo
Não passou muito tempo desde que Racing e Botafogo se enfrentaram na final da CONMEBOL Recopa Sudamericana. O Fogão chegou à decisão como campeão da CONMEBOL Libertadores após vencer o Atlético Mineiro na final disputada no Estádio ‘Monumental’. Já a ‘Academia’ havia comemorado o título da CONMEBOL Sudamericana diante do Cruzeiro, em Assunção. A equipe de Gustavo Costas se impôs com autoridade no confronto direto: venceu tanto o jogo de ida quanto o de volta por 2-0, garantindo o troféu com um contundente 4-0 no placar agregado .
Após alcançar as semifinais da CONMEBOL Libertadores 2025, o Racing disputará esta edição do torneio com o objetivo de repetir a campanha de 2024. Com um elenco que passou por mudanças, o protagonismo de Santiago Sosa, as incursões ofensivas de Gabriel Rojas e os gols de Adrián Martínez seguem como pilares, além da liderança de Costas à beira do campo.
O Botafogo participou da fase preliminar da CONMEBOL Libertadores 2026 e disputará a CONMEBOL Sudamericana após sofrer uma derrota em casa diante do Sporting Club Barcelona. Com um elenco que ainda mantém alguns dos heróis que conquistaram o principal título continental, o Fogão se apresenta como um dos possíveis protagonistas de um torneio em que também enfrentará o Caracas, da Venezuela, e o Independiente Petrolero, da Bolívia.
Olimpia - Vasco da Gama
Outros dois campeões da CONMEBOL Libertadores se enfrentarão pelo Grupo G. O ‘Decano’ paraguaio conquistou três títulos nas edições de 1979, 1990 e 2002, além de quatro vice-campeonatos. O Vasco da Gama levantou o troféu mais prestigioso da América em 1998, após derrotar o Barcelona, do Equador, na final.
O Olimpia chegou à CONMEBOL Sudamericana após terminar na sétima posição da tabela acumulada e garantiu vaga na Fase de Grupos ao vencer o Trinidense graças a um gol de Rubén Lezcano na fase preliminar. A equipe comandada por Pablo ‘Vitamina’ Sánchez atravessa um bom momento, liderando o Apertura 2026 após onze rodadas.
O tradicional clube do Rio de Janeiro entrou na CONMEBOL Sudamericana com a última vaga disponível ao terminar na 14ª posição do Brasileirão 2025. Campeão da CONMEBOL Libertadores em 1998 — competição que não disputa desde 2018 —, voltará a jogar a CONMEBOL Sudamericana pela nona vez em sua história: em 2025, ano em que retornou após cinco temporadas, foi eliminado pelo Independiente del Valle nos playoffs das oitavas de final. Vice-campeão da última Copa do Brasil, o Gigante da Colina integra o Grupo G ao lado do Audax Italiano, do Chile, e do Barracas Central, da Argentina.