Memórias da noite em que Neymar jogou com o Santos na Argentina

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  • Foi pelo jogo de ida das quartas de final da CONMEBOL Libertadores 2012, derrota por 1-0 diante do Vélez, com marcação firme de Gino Peruzzi
     
  • Agora, retornará à Argentina para enfrentar o San Lorenzo no Nuevo Gasómetro, pelo Grupo D da CONMEBOL Sudamericana, com o objetivo pessoal de garantir uma vaga na próxima Copa do Mundo

Neymar voltará à Argentina para disputar uma competição continental. Com a intenção de brilhar nos próximos meses para assegurar sua convocação para a Copa do Mundo de 2026, ‘Ney’ retornou ao clube que o viu nascer, foi fundamental para garantir sua permanência no Brasileirão em 2025 e, em 2026, disputará a CONMEBOL Sudamericana com o Santos Futebol Clube.

O clube paulista já conhece seus adversários no Grupo D: San Lorenzo (Argentina), Deportivo Cuenca (Equador) e Recoleta (Paraguai). Sua aguardada estreia na competição será na próxima quarta-feira, 8 de abril, diante do Deportivo Cuenca, no Equador. Amigo de jogadores argentinos e respeitado no país, Neymar mandou um recado aos torcedores do San Lorenzo: “Feliz e entusiasmado com os desafios que o Santos me reserva. Fico contente com o carinho demonstrado pelos torcedores do San Lorenzo. Tenho certeza de que farão uma grande festa no dia do jogo. Nos vemos lá”.

A relação de Neymar com a Argentina é marcada por afeto. Inclusive, não será a primeira vez que jogará com o Santos uma partida de competição sul-americana em solo argentino. Para encontrar a primeira — e única — ocasião, é preciso voltar no tempo até 17 de maio de 2012, quando visitou o Estádio José Amalfitani, do Vélez, pelo jogo de ida das quartas de final da CONMEBOL Libertadores. Neymar tinha 19 anos, usava um corte moicano e, no ano anterior, havia se consagrado campeão do torneio. Somente em meados de 2013 partiria para o futebol europeu, com destino ao Barcelona.

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Naquela noite de CONMEBOL Libertadores no Amalfitani — único jogo de clubes de Neymar na Argentina —, o Vélez foi superior e venceu o Santos por 1-0, com gol de Mauro Óbolo. Ney, titular, sofreu com a marcação implacável de um jovem lateral-direito, Gino Peruzzi, também de 19 anos, mas com apenas dez partidas na Primeira Divisão. Assim que terminou o jogo, o brasileiro se aproximou para parabenizá-lo. “Santos perde com Neymar e Ganso pouco inspirados e sofrendo uma forte marcação defensiva”, destacou o jornal esportivo brasileiro Lance!.

Ainda assim, a volta na Vila Belmiro acabou favorecendo o Santos: após vencer por 1-0 com um jogador a mais, devido à expulsão do goleiro Marcelo Barovero aos 39 minutos do primeiro tempo (falta em Neymar na meia-lua quando avançava sozinho em direção ao gol), o Peixe se impôs por 4-2 nos pênaltis (o Santos cairia na semifinal diante do Corinthians).

Francisco ‘Pancho’ Cerro — 38 anos, atualmente jogador do Durazno FC, da terceira divisão uruguaia — enfrentou com o Vélez aquele Santos de Neymar. Cerro, volante, foi um dos destaques. Do Uruguai, relembra à CONMEBOL Sudamericana:

“Lembro perfeitamente. Neymar já era uma estrela mundial. Sabíamos que enfrentaríamos, antes de tudo, um grande time, porque tinha Ganso, Arouca. Mas vinha o Neymar com toda a sua fama de mega craque, que realmente era. E nós confiávamos muito na equipe e nos jogadores experientes que tínhamos. Sabíamos que no Brasil seria complicado, mas tínhamos analisado que aquele Santos não jogava da mesma forma como visitante. Gino Peruzzi tinha que marcar o Neymar. Depois, ele acabou sendo convocado para a seleção, jogou no Boca. Mas lembro que fizemos uma grande partida. Praticamente, o Santos não conseguiu nos levar perigo, não nos incomodou. Lá, depois, perdemos nos pênaltis e eles foram superiores, mas no Amalfitani jogamos muito bem, não demos nem um metro ao Neymar; sim, demos algumas pancadas — típica noite de Copa. Foi uma enorme atuação do Vélez como equipe. A figura foi o Gino, porque ficou grudado nele o jogo inteiro e não deixou o Neymar desenvolver seu futebol, apesar de seus lampejos de craque.”

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Cerro, que surgiu no Quilmes e depois jogou por Vélez, Racing, Defensa y Justicia, Central Córdoba de Santiago del Estero (sua província natal) e Aldosivi na Argentina, além do Montevideo Wanderers, do Uruguai, voltou a enfrentar Neymar naquele mesmo ano: na partida de volta do Superclássico das Américas, na La Bombonera, em 19 de setembro de 2012, vitória por 2-1 da seleção argentina, mas derrota por 3-4 nos pênaltis (no jogo de ida, o Brasil havia vencido por 2-1, com um gol de pênalti de Neymar).

“Para nós que alguma vez o enfrentamos — acrescenta Cerro, de Montevidéu —, hoje, com o passar do tempo e tudo o que aconteceu, vendo que ele se tornou uma estrela mundial como todos nós já sabíamos que seria, percebemos que é alguém que desfruta de jogar, dessa rivalidade, especialmente pela amizade que construiu com Messi. Ele adora a Argentina, e nós, argentinos, adoramos o Neymar. É um dos últimos jogadores que sente o futebol em estado puro, que rompe qualquer esquema e sempre tem algo diferente. Vive o futebol de uma maneira muito particular, e isso é absolutamente admirável. Por isso, tomara que possa disputar a Copa do Mundo.”

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Daqui até o prazo final para a apresentação das listas das seleções para a Copa do Mundo de 2026, o Santos de Neymar terá 15 partidas pela frente (nove pelo Brasileirão, duas pela Copa do Brasil e quatro pela CONMEBOL Sudamericana, incluindo a visita ao Nuevo Gasómetro). Uma delas, diante do San Lorenzo pela CONMEBOL Sudamericana, marcará seu reencontro, vestindo a camisa do Santos, com a Argentina, em um dos duelos imperdíveis do calendário sul-americano.