Lucas Bruera, do acesso argentino e da advocacia ao sonho continental do Carabobo

Bruera CB
  • Lucas Bruera chegou ao Carabobo FC há pouco mais de dois anos sem saber tudo o que o futuro lhe reservaria com a camisa da equipe venezuelana.
     
  • O referente e capitão do time que disputa a CONMEBOL Sudamericana é, além disso, advogado e possui uma consultoria que presta assessoria jurídica a jogadores de futebol ao lado de seu primo — e atacante do Barracas —, Facundo Bruera.
     

O argentino de 28 anos, revelado nas categorias de base do Estudiantes de La Plata, sabe que, no dia em que encerrar sua carreira esportiva, haverá um ano que jamais esquecerá: 2024 não marcou apenas sua chegada ao Carabobo e seu primeiro título nacional — campeão do Torneio Apertura —, mas também foi o ano em que se formou em Direito, curso que estudou na Universidade Nacional de La Plata.

A história do “Loco” Bruera é repleta de nuances que ajudam a compreender perfeitamente seu protagonista principal e explicam o caminho que o atual capitão do Carabobo precisou percorrer em sua curta, mas muito intensa trajetória.

“Obrigado a todos que me acompanharam neste caminho de tantos anos. Nada disso teria sido possível se eu não tivesse a família incrível que tenho. Quando a gente é pequeno e é jogador de futebol, custa muito entender que existe algo além do futebol, e eles sempre me incentivaram a ir também atrás desse outro sonho”, resumiu no dia em que tornou pública sua graduação como advogado.

Bruera sabe que é um privilegiado no ambiente do futebol, que jamais enxergou o esporte como um resgate econômico e que, por isso, desfrutou não apenas de cada uma de suas etapas, mas também do caminho paralelo que iniciou ao cursar uma carreira universitária.

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Sua aventura no acesso argentino

Nascido na cidade das diagonais, Bruera chegou ao Club Atlético Chacarita Juniors, da segunda divisão do futebol argentino, em busca de rodagem e minutos que, até então, não havia conseguido ter no Estudiantes, clube que o formou. No “Funebrero”, teve sua primeira apresentação formal no futebol profissional: disputou apenas seis partidas — em três delas, não sofreu gols.

Depois teve uma passagem breve pelo Villa Dálmine e, posteriormente, chegou ao Estudiantes de Buenos Aires, onde realmente assumiu o protagonismo que tanto buscava. “No ‘Pincha’ foi onde me tornei goleiro profissional. Chegamos à final do Torneio Reducido contra o Instituto pelo acesso à Primeira Divisão, em que eu defendi muito bem, embora tenhamos perdido”. Aquela temporada brilhante abriu-lhe as portas do Aldosivi: pôde defender o gol do clube de Mar del Plata em apenas 19 oportunidades, antes de ficar novamente com o passe em seu poder e sem um destino claro no horizonte.

Carabobo FC, o destino que o transformou em figura

A proposta do Carabobo surgiu a partir da recomendação de Francisco Apaolaza, com quem havia compartilhado o elenco da categoria 1997 no Estudiantes. “Nós nos encontramos em um churrasco, contei a ele que tinha propostas para jogar na Primera Nacional, mas nada concreto. Foi ele quem me disse que o Carabobo estava precisando de um goleiro, e a ideia me seduziu imediatamente”.

Ao lado de seu amigo e companheiro “Pancho”, Bruera integrou, seis meses depois de sua chegada à Venezuela, o elenco que conquistou o Torneio Apertura 2024 e deu ao “Granate” seu primeiro título em nível local, além da possibilidade de se classificar para a CONMEBOL Libertadores 2025.

A partir daquele momento, o “Loco” entendeu que, no Carabobo, finalmente havia encontrado mais do que continuidade: um lugar onde se consolidaria pouco a pouco como líder, referente e, posteriormente, capitão para dar o salto às competições internacionais.

Seu estilo, sua personalidade e suas boas atuações conquistaram o coração dos torcedores do Carabobo. No último dia 4 de março, Bruera alcançou 100 partidas defendendo o gol “Granate” e entrou no top 10 de jogadores com mais jogos com a camisa do Carabobo.

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A equipe da cidade de Valencia foi, além disso, o clube em que o “Loco” conseguiu se formar em Direito: quando chegou à Venezuela, faltavam apenas quatro disciplinas para concluir a graduação, que pôde cursar de maneira virtual. “Meus companheiros me ajudavam a revisar antes das provas, preparavam mate para mim e me davam força”, recorda o platense.

Na atual edição da CONMEBOL Sudamericana, o Carabobo ocupa a segunda posição do Grupo H, atrás do líder River Plate, que já enfrentou como visitante — vitória do “Millonario” por 1 a 0. “Fomos a Buenos Aires, e esse detalhe não é menor. Não há muitos estádios em que se jogue com 80 mil pessoas em todas as partidas. Nosso time foi, se impôs, buscou o jogo e competiu da maneira correta, apesar da derrota”.

O goleiro, que em 2016 integrou a Seleção Argentina Sub-20 vice-campeã no tradicional Torneio de L’Alcúdia, desfruta hoje de um presente que combina maturidade e hierarquia. No Carabobo, seu lugar no mundo, transformou-se no símbolo de uma equipe que quer seguir fazendo história no continente.