- Na adolescência, Mamady Cissé foi selecionado por uma academia na Guiné e viajou para a Nigéria com o objetivo de realizar seu sonho no futebol: apenas dois anos depois, seu talento o levou ao Atlético Mineiro.
- O guineano passou por um rápido processo de adaptação, acompanhado pelo clube, e hoje é um dos nomes mais promissores do elenco do 'Galo', que disputará as quartas de final da CONMEBOL Sudamericana.
Há quase cinco mil quilômetros de distância entre o primeiro lar de Cissé, em Conacri — a capital da Guiné —, e a metrópole de Belo Horizonte, no coração geográfico do Brasil, que rapidamente se transformou no lugar que o acolheu e o abraçou como se o destino sempre tivesse previsto que ele desembarcaria ali.
A história de Mamady Cissé revela uma ascensão meteórica e é marcada por diferentes aspectos que enriquecem a trajetória do jovem meio-campista até o presente, no qual se consolidou como uma peça importante do Atlético Mineiro comandado pelo argentino Eduardo Domínguez.
"A primeira dificuldade que encontramos foi que ele não falava português. Contratamos imediatamente Benjamín Lelaid como tradutor para acompanhá-lo no dia a dia e ensiná-lo o idioma", reconhece Luiz Carlos Azeve, Diretor do Futebol de Base do Mineiro, em entrevista à GALO TV. "Lembro que fui buscá-lo no aeroporto. Era um garoto muito quieto, muito tímido. Na Guiné, ele falava dois dialetos além do francês, então domina muito bem três idiomas, e isso o ajudou, pouco a pouco, a incorporar mais uma língua", destaca Lelaid.
Desde os primeiros passos na Academia Atouga Foot, em Conacri, Cissé encontrou na bola um passaporte para o futuro. "A Guiné é um país que gosta muito de futebol. Eu morava lá com meus pais em uma situação humilde. Comecei a jogar e deixei a escola para me dedicar cem por cento a isso. Minhas primeiras lembranças estão ligadas ao futebol, e minhas amizades também. No dia em que estava na Nigéria e me disseram que iria para o Atlético, fiquei muito feliz. Aqui encontrei muito apoio. Benjamín (Lelaid) me ajudou muito no começo, com aulas de 15 ou 30 minutos para que eu pudesse começar a aprender o idioma, porque quando cheguei não entendia nada", conta Cissé.
Ele chegou ao clube em maio de 2025 e foi integrado às categorias de base para compreender a dinâmica 'Alvinegra', o dia a dia de um gigante do futebol brasileiro e evitar dificuldades no processo de adaptação repentina ao futebol de elite. Nove meses depois, com trabalho e boas atuações, teve sua primeira titularidade com a camisa do 'Galo', o que o levou à sua primeira convocação para a Seleção da Guiné.
Sua estreia pela seleção, em um amistoso contra Togo, não decepcionou: entrou aos 80 minutos e, seis minutos depois, marcou o gol que permitiu à Guiné chegar ao empate por 2 a 2 no Estádio Príncipe Moulay Hassan, em Rabat, capital do Marrocos.
"Nosso desejo sempre foi que sua adaptação fosse gradual. O primeiro passo era entender a cultura e nossa rotina para que isso contribuísse para seu desempenho esportivo", explica Neila Bittencourt, Assistente Social do Atlético Mineiro. Sua capacidade de assimilar contextos, cenários e desafios não surpreende, porque essas mesmas qualidades são as que o destacam dentro de campo. Após a pausa provocada pela Copa do Mundo da FIFA, Cissé emendou uma sequência de titularidades no Brasileirão e na Copa do Brasil, além de somar minutos nos dois confrontos contra o RB Bragantino pelas oitavas de final da CONMEBOL Sudamericana, em que o time de Minas Gerais venceu por 3 a 2 no placar agregado e garantiu um duelo contra o Santos na próxima fase.
"No começo, ele tinha receios naturais; tudo era novo para ele, e isso gerava incerteza. Esses medos se transformaram em sorrisos de confiança. Todos os dias ele fala com a família e conta como está aqui. Sente muito orgulho deles e de tudo o que fizeram por ele durante sua infância", admite Izabela Bastos, Coordenadora de Player Care.
Cissé, ainda tão jovem, atravessou o Oceano Atlântico para realizar um de seus sonhos: ser feliz jogando futebol, como nas primeiras lembranças que guarda de Conacri. "Nada disso é fácil para mim, sinto a falta dos meus pais. Quando puder trazê-los para o Brasil, vou fazê-lo. Poder realizar isso e conquistar títulos com o Atlético Mineiro são meus sonhos", conclui Cissé.