- Da desvantagem ao controle: o Universitario começou perdendo por 1-0, passou a jogar com um a mais desde os 34’ e mudou o rumo com autoridade.
- Grupo B em ebulição: o 4-2 deixou Universitario, Nacional, Tolima e Coquimbo Unido empatados com quatro pontos.
No Estádio Monumental de Lima, a CONMEBOL Libertadores viveu uma daquelas noites que explicam sua essência: mutável, intensa e carregada de emoção. O Universitario de Deportes protagonizou uma virada de alto nível para vencer por 4-2 o Nacional do Uruguai pelo Grupo B e transformar um início adverso em uma celebração inesquecível. O resultado, além disso, deixou a chave completamente aberta, com quatro equipes igualadas em quatro pontos.
A partida começou desfavorável para o time peruano. Aos 12’, o árbitro paraguaio Carlos Benítez marcou pênalti por mão de José Carabalí, e Maxi Gómez, com categoria, colocou o Nacional em vantagem. A equipe uruguaia controlava o cenário: fluía sob a condução de Nicolás Lodeiro, articulava bem com Tomás Verón Lupi e explorava a velocidade de Baltasar Barcia. Ainda teve a chance de ampliar em um mano a mano que Miguel Vargas resolveu com segurança diante de Gómez. Já o Universitario se mostrava impreciso e condicionado pelo próprio contexto.
Mas a história mudou de forma brusca aos 34’. Lucas Rodríguez recebeu o segundo amarelo após derrubar Alex Valera e deixou o Nacional com dez jogadores. O episódio alterou o ritmo do jogo. O Universitario avançou suas linhas, passou a inclinar o campo e encontrou a recompensa antes do intervalo: aos 40’, após grande defesa de Luis Mejía, Fara aproveitou o rebote e marcou o 1-1, incendiando a torcida e mudando a energia da partida.
O segundo tempo foi a continuidade desse embalo. Logo na retomada, Valera aproveitou outra bola solta na área para marcar o 2-1 e confirmar a reação. Com um jogador a menos, o Nacional perdeu clareza e passou a sentir o desgaste, embora nunca tenha deixado de competir. Aos 71’, em uma jogada isolada, Maxi Silvera acertou um potente remate após rebote de Vargas e restabeleceu a igualdade — um alívio em meio à pressão.
Ainda assim, o Universitario não abriu mão da convicção. Seguiu ocupando melhor os espaços, fazendo a bola circular e pressionando com determinação. Aos 81’, Lisandro Alzugaray venceu pelo alto e fez o 3-2 de cabeça, incendiando Lima. Já nos acréscimos, Carabalí teve sua redenção pessoal: apareceu no ataque e fechou o 4-2 definitivo, coroando uma noite de emoções intensas.
Foi uma vitória com potencial de ponto de inflexão para a equipe comandada interinamente por Jorge Araujo, que saiu do desconcerto inicial para uma atuação de caráter. Para o Nacional, ficou a sensação de um jogo que escapou: consistente no início, fragilizado após a expulsão e sem respostas no trecho final. Em um grupo equilibrado, cada detalhe pesa — e em Lima, todos eles foram determinantes.
O jogo em dados
- Maximiliano Silvera marcou para o Nacional e anotou seu primeiro gol na CONMEBOL Libertadores com a camisa do Bolso (2 jogos). O atacante havia feito oito gols na competição, todos com o Peñarol (20 jogos).
- O Universitario voltou a vencer um time uruguaio pela CONMEBOL Libertadores após 30 anos: a última vez havia sido contra o Peñarol (2-1), em 16 de abril de 1996. Desde então, somava três empates e uma derrota.
- O Universitario nunca perdeu recebendo o Nacional pela CONMEBOL Libertadores: são duas vitórias e dois empates. Além disso, marcou dois ou mais gols nos últimos três jogos como mandante contra o Bolso.
- Maxi Gómez (Nacional) marcou seu segundo gol nesta edição da CONMEBOL Libertadores. É a primeira vez que o atacante uruguaio anota mais de um gol em uma mesma edição de torneios continentais de clubes. Antes, havia feito um gol pelo Defensor Sporting na Sul-Americana 2017 e outro pelo Trabzonspor na Europa League 2022.
- Andy Polo (Universitario) chegou a 34 partidas em torneios CONMEBOL com a camisa crema. Apenas um jogador do clube tem mais jogos nessas competições no século XXI: Aldo Corzo, com 37.
- Maximiliano Silvera (Nacional) é o primeiro jogador do Bolso a marcar na CONMEBOL Libertadores saindo do banco desde Mateo Antoni, em 2024, contra o Always Ready.