- Referência de um Estudiantes competitivo, Leandro González Pirez atravessa um momento de maturidade futebolística e emocional que potencializa sua liderança dentro de um elenco jovem.
- Com a mística “Pincharrata” como bandeira, o defensor reivindica o DNA do clube: trabalho, pertencimento e a capacidade de se superar nos momentos mais adversos.
Leandro González Pirez fala a partir da experiência, mas também de um presente que o encontra pleno. Consolidado no Estudiantes e com a confiança que proporcionam as boas atuações coletivas, o defensor encara uma nova edição da CONMEBOL Libertadores com a ambição de um clube que entende a exigência de sua história. Porque em La Plata, a CONMEBOL Libertadores não é apenas um objetivo: é parte da identidade.
Nesta entrevista, o zagueiro percorre os pilares que sustentam a equipe: a mística que atravessa gerações, o sentido de pertencimento que distingue o clube e o desafio constante de competir contra os melhores. Com o Flamengo como referência imediata e o passado recente ainda fresco, González Pirez projeta um Estudiantes fiel à sua essência: competitivo, resiliente e sempre pronto para ir por mais.
CONMEBOL: Em que momento da sua carreira chega esta CONMEBOL Libertadores?
LEANDRO GONZÁLEZ PIREZ: A verdade é que em um bom momento. Estou muito feliz aqui no clube, me sinto consolidado, me sinto com confiança também no aspecto pessoal. Também estamos tendo, como equipe, atuações muito boas e isso também nos dá confiança para começar este torneio com muita ilusão e muita energia.
CONMEBOL: Quais são as expectativas do Estudiantes para esta CONMEBOL Libertadores?
GONZÁLEZ PIREZ: A história exige, o Estudiantes foi campeão quatro vezes deste torneio, é muito importante para o clube, muito importante para a torcida, muito importante também para nós. Então vamos com as melhores expectativas de competir ao mais alto nível contra as melhores equipes da Copa e tomara que nos encontre em um fim de ano positivo, podendo comemorar.
CONMEBOL: O que vocês sentiram quando o Flamengo saiu no sorteio?
GONZÁLEZ PIREZ: Bom, vai ser uma boa revanche, na edição anterior eles nos eliminaram. Acho que o trabalho que fizemos na Argentina tinha sido bastante melhor do que o que eles puderam fazer e me parece que acabamos ficando com um gosto amargo por termos sido eliminados nos pênaltis. Também sabemos do poderio do Flamengo e sabemos do poderio de equipe que têm, mas, ao longo da história, o Estudiantes sempre competiu contra qualquer um e sempre esteve à altura de qualquer equipe, e desta vez não será exceção.
CONMEBOL: É especial que seja o campeão vigente?
GONZÁLEZ PIREZ: Não sei se é especial, é claramente uma motivação, porque também vai nos dar um parâmetro de onde estamos e saber que, se quisermos ser campeões, vamos ter que competir contra equipes como o Flamengo.
CONMEBOL: Você voltou há um ano ao Estudiantes, como encontrou o clube nesta segunda etapa?
GONZÁLEZ PIREZ: Igual a quando fui embora, obviamente mais atualizado pelos 10 anos de diferença entre minha primeira etapa e a segunda, mas com os mesmos valores, com a mesma idiossincrasia, a mesma maneira de viver, a mesma maneira de sentir o clube, então praticamente com as mesmas pessoas de quando fui embora pela primeira vez, e isso também diz muito sobre o que é o Estudiantes.
CONMEBOL: O que o Estudiantes tem de diferente em relação a outros clubes?
GONZÁLEZ PIREZ: O sentido de pertencimento, o sentido de família, sempre o respeito pelas pessoas que trabalham no clube, que se entregam pelo clube, pelos ídolos anteriores, pelos jogadores que passaram pela instituição. Acho que é um clube que tem muita memória em relação à sua gente e isso o torna diferente.
CONMEBOL: Você falava da importância que a CONMEBOL Libertadores tem para o Estudiantes. Se tivesse que definir a mística “Pincharrata”. O que é a mística do Estudiantes?
GONZÁLEZ PIREZ: A mística é saber que sempre que você joga contra o Estudiantes algum imprevisto pode acontecer. Que, às vezes, quando todos acreditam que o Estudiantes já está eliminado, acaba acontecendo. Quando acreditam que a partida já está perdida, surge alguma força superior de algum lugar e acabamos conseguindo uma façanha. Acho que isso aconteceu ao longo da história, que o Estudiantes sempre enfrentou os melhores e sempre saiu vitorioso. Então, enfim, a mística é um pouco isso. Quando todos acreditam que estamos vencidos, o Estudiantes sempre tira algo e acaba sendo favorecido.
CONMEBOL: E entre vocês, vocês falam sobre esse plus?
GONZÁLEZ PIREZ: Sim, nós também sabemos disso. É um pouco também a maneira como este clube te educa, por assim dizer. Tanto os mais jovens quanto os mais experientes. Saber que é um trabalho em equipe, saber que tudo só termina quando chega o apito final e não antes. Não se entregar, sempre lutar até o fim e acreditar no que se faz, que no fim das contas o resultado acaba chegando.
CONMEBOL: E o que são as tradições para o Estudiantes?
GONZÁLEZ PIREZ: A tradição é o trabalho, o respeito, os valores, a educação. Acho que é algo em que o clube coloca muita ênfase. É algo que nós também tentamos, como mais experientes, transmitir aos mais jovens. Que o trabalho está acima de tudo, assim como a educação e os valores. Que é preciso cumprimentar todo mundo, ser respeitoso, cuidar dos materiais, cuidar também da instituição, do lugar onde você está trabalhando, que é o que te oferece tudo. Então, acho que essa é um pouco a história do Estudiantes e também o que nós tentamos inculcar.
CONMEBOL: Hoje você é uma referência dentro da equipe. É um elenco que tem muitos jovens. Como se faz hoje para conviver com esses jovens que talvez estejam muito mais ligados ao celular ou às redes sociais? Como se consegue, sendo referência, mantê-los focados?
GONZÁLEZ PIREZ: Sabemos que são outros tempos em relação ao passado, quando talvez todas essas coisas não existiam e o mais jovem crescia e se formava vendo os mais velhos e conversando sobre experiências e situações que viveram. Hoje a realidade é outra. Há muito mais distrações externas. Então, nós tentamos também nos adaptar ao que é a vida atual, mas sempre insistindo para que eles entendam que isso é uma forma de viver, em que precisam se entregar ao máximo, em que não basta apenas vir treinar, tomar banho e ir embora para casa e encerrar por aí. Precisam ser jogadores 24 horas por dia, cuidar da alimentação, se aprofundar também no futebol. Tentamos sempre ajudá-los, aconselhá-los, dizer que reservem mais tempo, que terão tempo para usar o celular. Tentamos, obviamente dentro desses novos tempos, moldá-los e educá-los para que amanhã, quando também estiverem nessa posição, façam o mesmo.
CONMEBOL: Como você lida com seus erros? Você é autocrítico com suas atuações e esse tipo de coisa?
GONZÁLEZ PIREZ: Sim, sim, sim. Tento me observar. Sempre assisto aos jogos depois que passam para ver tudo, também de forma geral um pouco a equipe. Gosto de ver futebol, gosto também de me avaliar e avaliar também a performance da equipe, obviamente de maneira própria, né? E também sei que o erro é algo que vai estar constantemente entre nós, sabemos que é muito difícil fazer tudo de maneira perfeita. Então é aceitar no momento em que acontece e tentar virar a página para que a jogada seguinte ou a ação seguinte em que tivermos que participar não nos encontre presos à anterior, mas sim com todas as energias e forças preparadas para essa ação.
CONMEBOL: Como é o seu pós-jogo?
GONZÁLEZ PIREZ: Volto para casa e tenho dificuldade para dormir porque você fica com a adrenalina, com a energia do pós-jogo, com essa ansiedade e essas coisas que vão acontecendo ao longo da partida. Então você termina muito ligado. Para baixar um pouco, para voltar um pouco à calma, coloco o jogo para ver, relaxo um pouco no sofá e tento analisar como jogamos, o que fizemos, o que fizemos bem, o que fizemos mal, o que eu fiz bem, o que fiz mal, para, a partir de uma contribuição humilde, tentar sempre ajudar a equipe a melhorar.
CONMEBOL: Você assiste aos 90 minutos da partida?
GONZÁLEZ PIREZ: Sim, às vezes vou adiantando, quando o jogo para por algum incidente eu avanço e esse tipo de coisa costumo olhar, e também gosto da parte tática e desse tipo de aspectos.
CONMEBOL: E como você faz para sair um pouco do futebol? Para conseguir relaxar?
GONZÁLEZ PIREZ: Sim, aproveito minha família, faço atividades com meus filhos, também jogo bastante golfe, que é algo que me tira um pouco da rotina, faz você deixar um pouco o telefone de lado e se separar um pouco da vida, se abstrair, caminhar um pouco no verde, no silêncio, na tranquilidade, e jogar um pouco de golfe, que eu gosto muito e é algo que me ajuda a relaxar. Ali você consegue ficar, não sei, quatro ou cinco horas sem celular. Obviamente que às vezes você confere por alguma emergência, mas deixa de lado redes sociais, WhatsApp, esse tipo de coisa, abandona um pouco tudo e se isola, ficando apenas no momento que está vivendo, e isso é bonito e também me ajuda a relaxar um pouco.
CONMEBOL: Que lugar você sente que a saúde mental ocupa hoje no futebol?
GONZÁLEZ PIREZ: Muito, mas não apenas hoje, acho que é algo de sempre. Quando você está bem da cabeça, o rendimento é totalmente diferente. O risco de lesão também é totalmente diferente. Acho que muitas lesões vêm de falhas na mentalidade ou no estado de ânimo, ou de muitas coisas que interferem a partir do aspecto mental, e acredito que estar assessorado, acompanhado, aconselhado na parte mental é algo muito importante.
CONMEBOL: Se você tivesse que definir o Estudiantes 2026 que vai disputar a CONMEBOL Libertadores em uma palavra, qual seria?
GONZÁLEZ PIREZ: Competitivo. Acho que a equipe será competitiva, vamos nos entregar, dar o máximo, e tomara que essa competitividade que gerarmos nos permita chegar longe na CONMEBOL Libertadores.