- O camisa oito do Corinthians foi titular e capitão nas quatro primeiras partidas de Fernando Diniz no comando da equipe alvinegra, além de ter três participações em gol.
- Conhecido pelo trabalho de recuperação de atletas, Diniz elogiou Garro e quer contar com o melhor futebol do meia
Algumas histórias não demoram a mostrar o potencial de sucesso: a simbiose entre Rodrigo Garro e Fernando Diniz é uma delas. Em apenas quatro partidas sob o comando do novo treinador, meia argentino chegou a três assistências, todas elas em partidas da CONMEBOL Libertadores: a estreia de Diniz com vitória por 2-0 contra o Platense em Buenos Aires e também o triunfo pelo mesmo placar contra o Independiente Santa Fé dentro da Neo Química Arena, que garantem a liderança parcial do Grupo E na busca pela Glória Eterna.
Garro chegou ao Corinthians em 2024, depois de se destacar pelo Talleres de Córdoba. No time argentino, o meia participou pouco dos jogos da CONMEBOL Libertadores em 2022, com o ponto alto sendo a atuação com um gol e uma assistência no jogo de ida das quartas de final contra o Vélez Sarsfield, mesmo com a derrota dos cordobeses por 3-2 e a consequente eliminação depois de mais um revés na segunda partida.
No Corinthians, não demorou a cair nas graças da Fiel: era apenas sua quarta partida pelo alvinegro quando fez o gol do empate no clássico contra o Palmeiras no Campeonato Paulista, já aos 55 minutos da segunda etapa, quando o Timão tinha dois jogadores a menos em campo, a ponto do zagueiro Gustavo Henrique estar defendendo a meta corinthiana.
Em 2024, Garro foi eleito o melhor jogador do Campeonato Brasileiro, em uma campanha em que o Timão chegou a lutar contra o rebaixamento e, depois de nove vitórias seguidas na reta final do campeonato, conseguiu assegurar vaga para a CONMEBOL Libertadores. Além disso, treinado pelo campeão da América, Ramón Díaz, ajudou o Corinthians à chegar às semifinais da CONMEBOL Sudamericana, quando não conseguiu evitar a eliminação para Racing Club em Avellaneda.
Na temporada seguinte, a eliminação precoce da CONMEBOL Libertadores, contra o Barcelona, ainda na segunda fase preliminar, não foi o único problema da temporada de Garro: apesar dos títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, o meio sofreu com uma série de lesões, especialmente uma tendinopatia patelar no joelho direito, problema crônico que o acompanhou ao longo do ano e que atrapalhou o jogador a ter o mesmo impacto na equipe, inclusive perdendo a posição de titular indiscutível. Foram 38 partidas jogadas no ano, com dois gols e sete assistências. A título de comparação, em 2024 Garro jogou em 62 oportunidades, marcando 13 vezes e assistindo os companheiros em 14 oportunidades.
2026 parecia seguir o mesmo caminho da temporada anterior, alternando entre o banco de reservas e a titularidade, até a chegada do treinador Fernando Diniz, campeão da CONMEBOL Libertadores em 2023 pelo Fluminense. Ainda sob o comando de Dorival Jr., Garro tinha participado de 18 jogos no ano, com três assistências e um gol. Desde a chegada de Diniz, Garro, além de titular, foi capitão em todas as quatro partidas, entre elas duas vitórias na Grupo E da CONMEBOL Libertadores: a primeira partida de Diniz, a com vitória por 2-0 contra o Platense na Argentina, em que Garro assistiu os companheiros Yuri Alberto e Kayke e, dentro da Neo Química Arena, o mesmo placar no triunfo contra o Independiente Santa Fé, em que o camisa oito foi responsável pelo cruzamento que encontrou Gustavo Henrique na área para aumentar a vantagem corinthiana no jogo e garantir a liderança do Grupo E na busca pela Glória Eterna até o momento.
Segundo apuração do UOL Esporte, o novo técnico do Corinthians fez questão de se aproximar do meia argentino, que compartilhou com o técnico suas impressões e momento pessoal. Na coletiva de imprensa após a vitória contra o Platense, o treinador corinthiano fez questão de apontar as qualidades do meia e falar sobre a criação de laços com o jogador:
“Em relação ao Garro, eu acho que é um talento raro que o Corinthians tem. Eu sei que ele estava passando por uma fase não tão brilhante quanto o começo dele aqui, mas tem tudo para recuperar. Eu vou fazer de tudo que eu puder para poder deixar ele à vontade no jogo e inseri-lo cada vez mais nas ideias que eu penso sobre futebol. A gente tem tudo para ter uma relação muito boa não só fora do campo, que a gente já começou a ter, mas na questão esportiva mesmo. É um jogador que eu tenho um respeito muito grande, porque jogar contra sempre foi difícil, ele tem muita criatividade, e ele também é um atleta que trabalha muito, então ele tem tudo (e já vem mostrando) pra render tudo o que ele sabe".
Diniz, que se formou em psicologia após o final da carreira de jogador e fez seu trabalho de conclusão de curso com o tema "A importância da liderança do técnico em uma equipe de futebol", falou sobre o tema após a vitória contra o Santa Fé:
“Respeito os dados fisiológicos. Jogador não é só osso e músculo. Lesão e baixo rendimento têm o componente biológico, mas tem outras questões que não são contáveis: medo, coragem, alegria, entusiasmo. Isso é o que mais me interessa. Para mim, tem a parte que mede e a parte que sente. O futebol e a vida são de sentir".