- O Platense disputa sua primeira CONMEBOL Libertadores após conquistar o título mais esperado de sua história e se classificou para as Oitavas de Final na segunda colocação do Grupo E.
- Enfrentará o Coquimbo Unido: o jogo de ida será em 12 de agosto, em Vicente López, e a volta, no dia 19, no Chile.
Durante 120 anos, o Platense construiu uma identidade fortíssima, marcada pelo sonho de coroar sua história e sua tradição com um título. O ‘Calamar’ de Vicente López, fundado em 25 de maio de 1905, carregava uma trajetória riquíssima, mas ainda lhe faltava uma conquista na principal categoria do futebol argentino. Até que, em 1º de junho de 2025, quebrou o jejum: venceu o Huracán por 1 a 0 na final do Torneo Apertura, com um chute de esquerda no ângulo de Guido Mainero, e comemorou o primeiro título de sua história. Foi o desfecho de uma campanha de cinema, protagonizada por uma equipe que havia lutado na parte de baixo da tabela e que transformou o sacrifício em sua principal bandeira.
Aquele título também abriu uma porta que o clube jamais havia atravessado: a da CONMEBOL Libertadores. E o Marrón não se contentou apenas em estrear. Em sua primeira participação no torneio continental, ficou entre os 16 melhores. Encerrou a Fase de Grupos na segunda colocação do Grupo E, com 10 pontos, atrás do Corinthians, e selou sua classificação da maneira mais impactante: vencendo o “Timão” por 2 a 0 na Neo Química Arena, em São Paulo, com dois gols de Franco Zapiola. O meio-campista, que também marcou um gol decisivo na semifinal do Apertura, tornou-se o principal rosto desta façanha dentro de campo.
O apelido diz tudo sobre seu caráter. O clube foi batizado de ‘Calamar’ pelo jornalista Antonio Palacio Zino, que descreveu uma equipe capaz de se mover “como uma lula em sua tinta”: escorregadia, incômoda e difícil de agarrar. Essa característica foi levada ao campo em 2025, quando o Platense construiu sua epopeia disputando boa parte da fase decisiva longe de casa. O marrom de sua camisa, adotado no início do século passado, continua sendo uma raridade no futebol argentino, e o Estadio Ciudad de Vicente López, um reduto de bairro que agora recebe noites de CONMEBOL Libertadores.
O comando técnico também tem sua própria história. Os responsáveis pelo título, a dupla Favio Orsi-Sergio Gómez, deixaram o clube após a conquista, e o projeto ficou nas mãos de Walter Zunino, que integrou aquela comissão técnica durante seis temporadas e assumiu como treinador principal no fim de novembro de 2025. Sob seu comando, o ‘Calamar’ manteve a identidade que o levou ao título e a transportou para o cenário internacional, onde cada ponto conquistado representou uma nova página para um clube que jamais havia escrito nesse livro.
Do outro lado estará outro protagonista de uma história igualmente recente. O Coquimbo Unido, os ‘Piratas’ do norte chileno, também se sagrou campeão nacional em 2025 pela primeira vez em sua história, com uma campanha avassaladora, e chega às Oitavas de Final da CONMEBOL Libertadores também de forma inédita. O ‘Aurinegro’, comandado por Hernán Caputto, compartilha com o Platense o mesmo espírito de estreante que não quer ver o sonho acabar: dois recém-chegados, dois títulos históricos conquistados recentemente, frente a frente por uma vaga entre os oito melhores do continente.
A série promete emoção do primeiro ao último lance. A ida será disputada na quarta-feira, 12 de agosto, no Estadio Ciudad de Vicente López, com mando do Platense, e a volta será na quarta-feira, dia 19, no Francisco Sánchez Rumoroso, em Coquimbo. Para o ‘Calamar’, que esperou mais de um século por sua primeira volta olímpica, cada partida na Glória Eterna é, ao mesmo tempo, um prêmio e um desafio: o de provar que a história de 2025 não foi um ponto final, mas apenas o começo.