- Apenas cinco jogadores na história conseguiram conquistar a Copa do Mundo, a Champions League e a CONMEBOL Libertadores.
- Ángel Di María tentará se juntar a esse seleto grupo com o Rosario Central na edição 2026.
Depois de tantos triunfos e títulos, Ángel Di María não perdeu a ambição. Seu retorno ao Rosario Central, clube que o formou nas categorias de base, representa o fechamento perfeito de uma carreira de sonho. Ao voltar para casa e revolucionar suas estruturas, o “Fideo” tornou-se uma força transformadora que levou a equipe rosarina a ser a mais regular de 2025 e a alcançar o topo da tabela anual do futebol argentino.
Sua excelente campanha garantiu a classificação direta para a fase de grupos da CONMEBOL Libertadores: no próximo 19 de março, conhecerá seus três primeiros adversários no caminho rumo ao título. Para Di María, e também para o povo canalla, será uma noite especial: o primeiro passo para cumprir um dos poucos objetivos que ainda lhe restam em sua trajetória profissional.
Meses antes de concretizar seu retorno, em maio de 2025, Di María já se permitia sonhar alto: “A verdade é que gostaria de voltar a jogar uma Libertadores com o Central. Joguei uma vez quando tinha 17 anos, era muito jovem e não pude vivê-la tanto. Seria um sonho poder conquistá-la, seria algo muito bonito. É um sonho ganhar um título com o Central e gostaria de realizá-lo, mas vencer a Libertadores já não é nem um sonho, seria mais do que isso: seria algo histórico e o melhor desfecho que minha carreira poderia ter.”
Aos 37 anos, o rosarino escolheu o caminho mais exigente: competir, liderar e sonhar alto. Cada partida em Arroyito é uma celebração, mas também uma declaração de intenções. Porque Di María não voltou para protagonizar uma turnê de despedida com homenagens em todos os estádios: voltou para deixar sua marca. E, nessa tentativa, a CONMEBOL Libertadores surge como o desafio definitivo, o último grande capítulo de uma história que, fiel ao seu protagonista, ainda tem páginas douradas por escrever.
Porque Di María está acostumado à glória: com o Real Madrid conquistou a Champions League, sendo protagonista na final contra o Atlético de Madrid, e com a Seleção Argentina levantou a tão desejada Copa do Mundo, com um gol seu na dramática final diante da França. “Angelito” sempre aparece nos grandes momentos e buscará repetir suas façanhas na próxima edição da CONMEBOL Libertadores. Caso conquiste também o título continental, Di María entrará para um seleto grupo de privilegiados que possuem os três grandes troféus.
Apenas cinco jogadores conseguiram levantar esses três títulos. Enquanto Di María aguarda a oportunidade de inscrever seu nome nessa lista exclusiva — e outros também tentarão fazê-lo no Mundial de seleções, que será disputado a partir de meados de junho —, relembramos o quinteto que já alcançou a imortalidade.
Julián Álvarez
Foi o último a se juntar à lista e o primeiro argentino a conquistar a tríplice coroa. Desde sua estreia na Primeira Divisão, em 2018 com a camisa do River Plate, construiu uma trajetória vencedora baseada em títulos e atuações decisivas. Marcelo Gallardo confiou cedo em seu talento e o incluiu na final da CONMEBOL Libertadores 2018 contra o Boca Juniors, na qual o Millonario conquistou um título histórico diante de seu maior rival. Desde então, sua evolução foi vertiginosa: tornou-se figura, artilheiro e referência ofensiva da equipe de Núñez, que conquistou o campeonato local em 2021, antes de sua transferência para a Inglaterra.
Sua ida para o Manchester City o projetou ao mais alto nível do futebol europeu e, sob o comando de Pep Guardiola, integrou o elenco que conquistou a UEFA Champions League 2022/23, consolidando-se como uma peça valiosa dentro de uma máquina implacável dos Citizens, que venceram a Inter de Milão por 1 a 0 na final em Istambul. Álvarez demonstrou em Manchester sua versatilidade, tanto para atuar como camisa 9 nas ausências de Erling Haaland quanto para desempenhar outras funções ofensivas.
Meses antes, na Copa do Mundo do Catar 2022, havia sido um dos grandes destaques da Seleção Argentina campeã, com gols e atuações determinantes em momentos-chave. Com quatro gols em sete partidas, marcou o segundo gol no fechamento da fase de grupos contra a Polônia, anotou outro diante da Austrália nas oitavas de final e fez um doblete contra a Croácia na vitória por 3 a 0 nas semifinais.
Ronaldinho
Símbolo da alegria e da magia do futebol brasileiro, Ronaldinho construiu uma carreira deslumbrante que também o levou a integrar esse seleto grupo. Campeão do mundo com o Brasil em Coreia-Japão 2002, foi protagonista de uma das gerações mais talentosas da história recente da Canarinha: o “Dinho” formou um trio ofensivo de sonho ao lado de Rivaldo e Ronaldo para que a Verdeamarela conquistasse sua quinta Copa do Mundo.
Sua consagração europeia chegou com o Barcelona, onde alcançou o topo na UEFA Champions League 2005/06 após vencer o Arsenal na final, sendo a grande figura de uma equipe que marcou época por seu estilo e impacto global. Enquanto Lionel Messi dava seus primeiros passos no time principal, o astro brasileiro era o líder do conjunto comandado por Frank Rijkaard. Seus dribles, sua magia e seus gols ficaram eternizados na memória do futebol mundial.
Já na reta final de sua carreira, depois de vestir as camisas do Milan e do Flamengo, assinou com o Atlético Mineiro e conseguiu quitar uma dívida pendente: em 2013 conquistou a CONMEBOL Libertadores em uma campanha épica, marcada por viradas memoráveis construídas em torno de sua liderança técnica e emocional.
Reconhecido como o melhor jogador do torneio, foi decisivo em um Galo que, naquela edição da CONMEBOL Libertadores, eliminou o São Paulo nas oitavas de final, reverteu três desvantagens contra o Tijuana nas quartas, virou uma derrota em Rosário contra o Newell’s no jogo de volta para levar a decisão aos pênaltis e repetiu o roteiro diante do Olimpia na final: após perder por 2 a 0 no jogo de ida no Defensores del Chaco, o Atlético Mineiro empatou a série em Belo Horizonte e conquistou o título na disputa por pênaltis.
Cafu
Capitão eterno, referência indiscutida da Seleção Brasileira e considerado mundialmente como um dos melhores laterais da história, Cafu construiu seu mito a partir da regularidade, do compromisso e de uma mentalidade competitiva inquebrantável. Sua primeira grande conquista continental chegou em 1992, com o São Paulo, onde fez parte de uma equipe dominante que também repetiria o título em 1993. O histórico time de Telê Santana construiu uma era gloriosa na qual se consagrou campeão intercontinental ao vencer Barcelona e Milan nos confrontos contra os campeões da Champions League.
No cenário mundial, sua consagração máxima veio na Copa do Mundo de Coreia-Japão 2002, quando levantou o troféu como capitão, símbolo de liderança e consistência pelo lado direito. Na Europa, seu legado se consolidou com o Milan, clube com o qual conquistou a UEFA Champions League 2006/07 diante do Liverpool, contribuindo com experiência, intensidade e hierarquia nos momentos decisivos. Cafú não apenas completou a tríplice coroa, como o fez sendo protagonista em diferentes etapas e equipes, consolidando-se como um dos laterais mais importantes de todos os tempos.
Roque Júnior
Defensor firme e de personalidade, Roque Júnior também integra esse seleto grupo após uma carreira marcada pela solidez e pela eficiência nos momentos decisivos. Seu primeiro grande título veio com o Palmeiras, na CONMEBOL Libertadores 1999, onde foi peça importante em uma campanha que ficaria marcada na história do clube paulista e na qual marcou um gol decisivo na semifinal. O Verdão, tradicional protagonista, conquistou seu primeiro título continental em uma campanha especial, com vitórias sobre Vasco da Gama, Corinthians, River Plate e Deportivo Cali na final, na qual o zagueiro converteu um dos pênaltis na decisão.
Sua projeção o levou à Europa e, com o Milan, conquistou a UEFA Champions League 2002/03, somando experiência no mais alto nível competitivo. Nesse mesmo período, completou sua fase mais gloriosa ao sagrar-se campeão do mundo com o Brasil em 2002, sendo titular em uma linha defensiva de um time inesquecível ao lado de Lúcio e Edmílson. Roque Júnior construiu seu legado a partir da consistência defensiva e da capacidade de responder nos grandes momentos.
Dida
Dono de reflexos extraordinários e segurança sob as traves, Dida foi o guardião de algumas das equipes mais bem-sucedidas de sua época. Seu caminho rumo à tríplice coroa começou no Brasil, onde se consagrou campeão da CONMEBOL Libertadores com o Cruzeiro em 1997, exibindo as qualidades que o levariam à elite do futebol europeu.
Sua fase dourada aconteceu no Milan, clube com o qual conquistou a UEFA Champions League em 2002/03 e 2006/07, sendo decisivo especialmente em disputas de pênaltis e jogos de alta tensão. Paralelamente, integrou a Seleção Brasileira campeã do mundo em 2002, fazendo parte de um elenco histórico. Com sobriedade e eficiência, Dida construiu uma carreira que o coloca entre os goleiros mais destacados de sua geração.