- Na Fase de Grupos de 2026 aparecem Universidad Católica (Chile), Universitario (Peru), Universidad Central (Venezuela) e Liga Deportiva Universitaria (Equador), único clube “universitário” campeão, em 2008.
- Fundado por estudantes do ensino secundário e universitário, o Estudiantes de La Plata foi campeão quatro vezes.
Pode-se afirmar que, nos 65 anos da CONMEBOL Libertadores, apenas um clube cujo nome carrega uma raiz universitária saboreou a “Glória Eterna”: a Liga Deportiva Universitaria de Quito, primeiro e único equatoriano a conquistar a Libertadores, superou — com Edgardo “Patón” Bauza como treinador — o Fluminense, do Brasil, na final da edição de 2008.
A origem da Liga de Quito remonta a 1918, quando jovens estudantes da Faculdade de Medicina da Universidad Central del Ecuador fundaram o “Club Universitario”. É o único clube “universitário” a ter sido campeão da Libertadores, embora o Estudiantes de La Plata, campeão em 1968, 1969, 1970 e 2009, tenha sido fundado por alunos de instituições secundárias e universitárias em 1905. No entanto, a escolha do nome foi direcionada a eles, e não a uma instituição acadêmica específica — outra busca por identidade.
Na edição 2026 da CONMEBOL Libertadores, a Liga de Quito será acompanhada por outros três clubes “universitários”: o Club Universitario de Deportes, do Peru; o Club Deportivo Universidad Católica, do Chile; e, como o próprio nome indica, o Universidad Central de Venezuela Fútbol Club.
O Universitario do Peru, fundado em 1924 como “Federación Universitaria de Fútbol” por estudantes da Universidad Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, alcançou a final da CONMEBOL Libertadores em 1972, quando foi derrotado pelo Independiente de Avellaneda. Trata-se, até hoje, da melhor campanha dos Cremas (o outro clube peruano que chegou a uma final foi o Sporting Cristal, em 1997). Héctor Chumpitaz, Luis Cruzado e Oswaldo “Cachito” Ramírez, que haviam disputado a Copa do Mundo de México 1970 com a seleção peruana, atuaram naquela decisão continental diante do Independiente.
A Universidad Católica do Chile é o outro clube 'universitário' que chegou a uma final da CONMEBOL Libertadores. Isso ocorreu em 1993, quando foi derrotada pelo São Paulo de Telê Santana (foi goleada por 5–1 no Brasil e venceu por 2–0 no Chile). O clube foi fundado no seio da Pontificia Universidad Católica de Chile, em 1937, por esportistas universitários que se separaram do Club Universitario de Deportes para representar sua instituição, criada sob o amparo da Igreja Católica e da arquidiocese de Santiago.
A Universidad Católica de 1993 segue sendo, até hoje, o último time chileno a disputar uma final de CONMEBOL Libertadores. Sob o comando de Ignacio Prieto, destacaram-se os argentinos Juan Carlos Almada — artilheiro do torneio com nove gols —, Ricardo Lunari e Sergio Vázquez, que seria mundialista nos Estados Unidos em 1994. Entre os chilenos, brilharam Nelson Parraguez, Rodrigo Barrera e Mario Lepe, o grande capitão e ídolo dos Cruzados.
Entre os clubes 'universitários' novatos em termos de participações na CONMEBOL Libertadores está o Universidad Central de Venezuela Fútbol Club, que disputará sua segunda edição em 2026. O nome deriva de sua ligação direta com a Universidad Central de Venezuela (UCV), a instituição de ensino superior mais antiga do país, 'a casa que vence a sombra', como indica seu lema. O clube foi fundado em 1950 por um grupo de estudantes. Se no ano passado o Universidad Central havia sido eliminado na Fase 2 diante do Corinthians, agora garantiu vaga direta na fase de grupos após um 2025 histórico no cenário local: campeão do Torneo Apertura, da Copa Venezuela e Campeão Absoluto da Primeira Divisão, título que lhe assegurou a classificação direta.
O UCV FC, comandado pelo treinador Daniel Sasso, perdeu uma peça-chave de seus sucessos: o goleiro Miguel Silva (transferido para o Fortaleza da Colômbia), herói ao defender um pênalti decisivo na final do Apertura 2025, conquista que encerrou um jejum de 68 anos — já que o Universidad Central havia sido o primeiro campeão da era profissional do futebol venezuelano, em 1957. Ainda assim, permanecem nomes importantes como Jovanny Bolívar, de 24 anos, atacante em grande fase e convocado para a seleção venezuelana; Samuel Sosa, camisa 10 de técnica e visão; e os colombianos Juan Camilo Zapata, artilheiro, e Juan Manuel Cuesta, um dos talentos da equipe.
Nesta breve história dos clubes 'universitários' na CONMEBOL Libertadores, há outros que já participaram, como Universitario de Sucre (Bolívia), Universidad de Chile e Universidad de Concepción (Chile), Universidad Católica (Equador), Universidad San Martín de Porres e Universidad César Vallejo (Peru), além dos mexicanos Pumas de la UNAM (Club Universidad Nacional) e Tigres de la UANL (Universidad Autónoma de Nuevo León), finalista da edição de 2015, vencida pelo River. A CONMEBOL Libertadores, de fato, também atrai estudantes e universitários — e aguarda, assim, o próximo clube capaz de apresentar uma verdadeira tese de campeão.